O primeiro jornal português
de Fact-Checking

As quatro grandes rotas migratórias para a União Europeia

Desde 2014 que se regista um enorme aumento do número de pessoas que entrou na União Europeia (UE) para fugir da guerra e/ou miséria. Que trajetórias-tipo percorrem estes migrantes ilegais e refugiados?

Nos últimos nove anos (2015-2023) chegaram 2.545.002 migrantes ilegais ou refugiados à União Europeia (UE). Os números foram divulgados no website do Conselho Europeu e do Conselho da União Europeia e têm como fonte a Agência Europeia de Fronteiras e Guarda Costeira (Frontex) e o Ministério do Interior de Espanha.

Esta realidade obrigou a UE a conceber uma política específica para as migrações e a identificar quatro rotas migratórias principais.

Rota do Mediterrâneo Oriental

Entradas pela Grécia, Chipre e Bulgária. Parte significativa é constituída por refugiados que tentam escapar à guerra civil na Síria.

Rotas do Mediterrâneo Ocidental e da África Ocidental

A do Mediterrâneo Ocidental diz respeito às entradas na Espanha continental: pelo Mar Mediterrâneo para a Espanha e por via terrestre através de Ceuta e Melilla (enclaves no Norte de África). Os migrantes transitam por Marrocos e Argélia.

A da África Ocidental refere-se às entradas na Espanha insular: Ilhas Canárias (Oceano Atlântico). Para lá chegar, os migrantes partem principalmente de Marrocos, Sahara Ocidental, Mauritânia, Senegal e Gâmbia e viajam ao longo da costa da África Ocidental.

Rota do Mediterrâneo Central

Entradas por Itália (Sicilia e outras ilhas ao seu largo) e, em muito menor escala, por Malta. O percurso dos migrantes parte do Norte de África e da Turquia e é concretizado atravessando o Mar Mediterrâneo. A Líbia é um ponto de referência muito frequente nesta viagem.

Rota dos Balcãs Ocidentais

Entradas na Europa através dos países dos Balcãs Ocidentais, situados no coração da Europa (por isso, com várias fronteiras com Estados-membros da UE): Albânia; Bósnia-Herzegovina; Kosovo; Montenegro, Macedónia do Norte e Sérvia.

A proveniência dos migrantes que usam estes países como corredor de entrada na UE é bastante heterogénea, composta por nacionais de nações do Médio Oriente, Ásia e África.

Desde o início do ataque russo à Ucrânia (fevereiro de 2022), há também um forte movimento de refugiados ucranianos (maioritariamente de mulheres e crianças). A 4 de março de 2022, a UE ativou a Diretiva relativa à proteção temporária, de forma a enquadrar  do ponto de vista legal e funcional o acolhimento.

Do ponto de vista estatístico, e ainda segundo os dados do Frontex e do governo espanhol, verifica-se que houve uma alteração no peso relativo de cada rota: enquanto que em 2015 e 2016 a rota mais expressiva de novos migrantes ilegais era a do Mediterrâneo Oriental e nos dois anos seguintes houve tendências alternadas, desde 2020 que esse papel predominante é assumido pela do Mediterrâneo Central.

Em termos globais, o número de novos migrantes ilegais atingiu o pico em 2015 e teve, de seguida, uma descida, que durou até 2020 (passou de 1,05 milhões para cerca de 97 mil). Desde 2021 que apresenta uma tendência continuada de crescimento (de 97 mil para cerca de 275 mil).

Neste mesmo lapso temporal (2015-2013), segundo o ACNUR, 23.593 migrantes ilegais perderam a vida na tentativa de chegar à Europa para se salvarem.

____________________________________

UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Fact checks mais recentes