“O dia de hoje é uma oportunidade para revigorar a nossa relação transatlântica, que sofreu bastante nos últimos quatro anos. Ao longo destes anos, o mundo tornou-se mais complexo, menos estável e menos previsível”, declarou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, na abertura do debate desta quarta-feira. À Europa, pediu que se foque na defesa dos interesses e promoção dos valores europeus para que, em conjunto com os Estados Unidos, se torne na “pedra fundamental para uma ordem internacional baseada em regras, trabalhando pela paz, segurança, prosperidade, liberdade, direitos humanos e igualdade de género”.

Já Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, aplaudiu o facto de a Europa ter “agora um amigo na Casa Branca” e estar pronta para uma “mudança global baseada em valores comuns” na democracia, no combate às alterações climáticas, no combate à pandemia e na digitalização. Referindo-se à invasão do Capitólio e ao discurso de ódio e desinformação propagados nas redes sociais, Von der Leyen apelou à cooperação com os Estados Unidos para regular os gigantes tecnológicos. “O poder político desmedido dos gigantes da Internet tem de ser controlado” e o seu comportamento tem de ser ditado por leis em vez de “decisões arbitrárias de um CEO de Silicon Valley”, defendeu.

A proteção da democracia

A líder da Comissão Europeia deu o mote para um dos temas do dia: as redes sociais como plataforma de propagação de mensagens radicais. Manfred Weber, presidente do Partido Popular Europeu (PPE) (grupo dos democratas-cristãos que conta com deputados do PSD, do CDS e do Partido da Terra na bancada parlamentar), definiu esta quarta-feira como “um dia de esperança” - “quatros anos de sociedade dividida estão agora no passado”, disse - mas alertou que a Europa não está em posição de dar lições aos Estados Unidos, tendo em conta que se debate com problemas semelhantes: “As redes sociais ampliam as posições extremistas. Os gigantes tecnológicos precisam de regras claras”.

Iraxte García Pérez, presidente do grupo Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) (grupo onde está inserido o Partido Socialista português), defendeu que o “Brexit” e o “Trumpismo” começaram precisamente por se “ignorar o flagelo da desigualdade”. A eurodeputada também falou do ataque ao Capitólio considerando que é prova da necessidade de “combater a desinformação e garantir o direito à informação verdadeira às populações”.

Iraxte García Pérez, presidente do grupo Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) (grupo onde está inserido o Partido Socialista português), defendeu que o “Brexit” e o “Trumpismo” começaram precisamente por se “ignorar o flagelo da desigualdade”. A eurodeputada também falou do ataque ao Capitólio considerando que é prova da necessidade de “combater a desinformação e garantir o direito à informação verdadeira às populações”.

O presidente do grupo Renovar a Europa (grupo liberal), Dacian Ciolos, começou por tecer críticas à antiga administração dos Estados Unidos, sublinhando que “o populismo, o satisfazer de interesses individualistas no desempenho de cargos públicos, a polarização e grandes mentiras foram inventadas e propagadas do mais alto cargo do país”. Contudo, alerta que “nenhuma democracia no mundo é imune a estes perigos”. O alívio das tensões comerciais, o combate às alterações climáticas e a resposta aos gigantes digitais são desafios que considera comuns entre os Estados Unidos e a Europa.

Jérôme Riviere, do grupo Identidade e Democracia (grupo de extrema-direita) considerou imperdoáveis os ataques ao Capitólio. Porém, condenou que quase todas as redes sociais tenham bloqueado um presidente eleito, ato que vê como desrespeito ao pilar democrático essencial da liberdade de expressão.

Ska Keller, do grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, referiu que os eventos no Capitólio são resultado do incitamento de Trump e de “quatro anos de mentiras diárias e desrespeito pelos factos”. Keller questionou se a Europa estaria realmente livre de populismos, de desinformação e de ataques ao Estado de Direito. Deu como exemplo a campanha a favor do Brexit que considera “cheia de mentiras flagrantes e promessas falsas”. Criticou o governo polaco e o “desrespeito inacreditável pelo direito das mulheres ao seu próprio corpo” e o “desmantelamento sistémico do Estado de Direito na Hungria por Viktor Orbán”.

As gigantes tecnológicas abusaram da sua posição dominante” e “o seu poder tem de ser parado”, sublinhou Derk Jan Eppink do grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus. O eurodeputado destaca ainda que mesmo que os democratas possam estar “traumatizados após quatro anos de Trump” (…), os novos incumbentes devem evitar criminalizar a discórdia”. O levantar de questões inconvenientes é a base da democracia”, sublinhou.

Martin Schirdewan, co-presidente do Grupo da Esquerda, referiu que há “uma nova esperança” com a nova administração dos Estados Unidos mas que é importante estar alerta para os novos movimentos fascistas que surgem na Europa. O eurodeputado pediu um regresso ao multilateralismo, uma política comum na ação climática e um trabalho em conjunto para uma ordem mundial pacífica.

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