Um ano de pandemia poderia resumir-se em dois números: -65,2% de aeronaves aterradas e -80,6% de passageiros desembarcados.

"Entre março de 2020 e fevereiro de 2021 aterraram nos aeroportos nacionais 79,5 mil aeronaves em voos comerciais, representando uma diminuição de 65,2% face aos 12 meses anteriores, e desembarcaram 5,8 milhões de passageiros o que corresponde a uma variação de -80,6% relativamente a esse mesmo período", pode ler-se na análise do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicada no dia 19 de abril.

O documento refere que os meses mais complicados para a aviação nacional foram abril e maio de 2020, quando grande parte dos países estava em confinamento. Nesses meses, houve -94,5% e -92,7% de aeronaves aterradas e -99,4% e -98,5% de passageiros desembarcados, respetivamente.

© INE

Nesta altura, vários países fecharam fronteiras, incluindo Portugal, e as companhias aéreas começavam a adaptar-se à nova realidade e aos receios dos viajantes.

Em sentido contrário, agosto e setembro de 2020 foram os meses com menores decréscimos: -46,4% e -50,2% de aeronaves aterradas, -65,7% e -70,5% de passageiros desembarcados, respetivamente.

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No primeiro ano da pandemia, "França foi o principal país de origem dos voos com passageiros (18% dos passageiros desembarcados) e o Reino Unido o segundo (11%)". No período homólogo pré-pandemia, os mesmos países ocupavam posições diferentes.

Espanha, que surgia na terceira posição no período anterior à pandemia (representando 10% do total), "surgiu no ano de pandemia na quinta posição, diminuindo o seu peso para metade (5%)".

A Alemanha "aumentou a sua representatividade no período de pandemia, em termos de passageiros desembarcados (de 8% para 10%)".

A Itália "deixou de constar entre os cinco principais países durante o primeiro ano de pandemia", e deu lugar à Suíça, que foi "a origem de 6% do total de passageiros desembarcados nos aeroportos nacionais".

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O impacto da pandemia agravou-se em fevereiro deste ano por causa das restrições em vigor no segundo confinamento. Os aeroportos nacionais registaram o movimento de apenas 265,6 mil passageiros (número mais baixo desde junho do ano passado), o que significa uma queda homóloga de 93% (79% em janeiro de 2021).

"Em fevereiro de 2021 aterraram nos aeroportos nacionais 3,4 mil aeronaves em voos comerciais, o que representa uma variação homóloga de -76,7% (-62,0% em janeiro e -57,3% em dezembro)", acrescenta o INE.

Ainda em fevereiro, a maioria dos passageiros (57%) que desembarcaram em aeroportos nacionais corresponderam a tráfego internacional, a maioria com origem em aeroportos europeus (48%). "Relativamente aos passageiros embarcados, cerca de 60% estão associados a tráfego internacional, tendo como principal destino aeroportos localizados no continente europeu (51%)", refere o gabinete de Estatísticas.

Comparando fevereiro com janeiro de 2021, a maior quebra do número de passageiros foi registada em Faro (-92,2%) e em Lisboa (87,4%).

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O movimento de carga e correio também tem vindo a decrescer. Em fevereiro, foi de 11,6 mil toneladas, correspondendo a uma diminuição de 33,5% (-30,2% em Janeiro).

Entre janeiro e fevereiro de 2021, considerando o volume de passageiros desembarcados e embarcados em voos internacionais, "França foi o principal país de origem e de destino dos voos”, detalha o INE.

O Brasil manteve-se como segundo principal país de origem "apesar do inexpressivo número de passageiros desembarcados durante o mês de fevereiro, resultado da suspensão dos voos, de e para este país, a partir do fim de janeiro".

"A Suíça foi o terceiro principal país de origem e o segundo de destino. Espanha evidenciou os maiores decréscimos em ambos os indicadores e ocupou a quarta posição", conclui o INE.

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