“Discurso de Sua Excelência o Chefe de Estado de Alfama”. É esta a descrição que acompanha um vídeo, partilhado esta manhã na rede social X (antigo Twitter), onde Marcelo Rebelo de Sousa discursa na Assembleia Geral da ONU. Nada de estranho até aqui, pelo menos para quem vê o registo sem som.
“Quanto a mim, o que era preciso era que os americanos mandassem bombas para tudo o que é país muçulmano. Começava-se em Marrocos e só paravam, vamos supor, no Chile. Porque o muçulmano é um gajo que, aquilo desde pequenos os ensinam a fazer bombas com uma garrafa de bagaço e uma caixa de fósforos. Aquilo é um povo que só está bem a rebentar“, ouve-se nos primeiros segundos do vídeo.
O movimento dos lábios de Marcelo Rebelo de Sousa acompanha o estranho discurso, que na verdade não passa de uma sátira criada por Ricardo Araújo Pereira, o “Gajo de Alfama“, parte dos sketches do grupo de humor “Gato Fedorento”. Marcelo (Ricardo Araújo Pereira) continua: “Um gajo daqueles que aos 15 anos ainda não tenha rebentado alguma coisa qualquer, está lá a faltar ao respeito ao Buda ou ao que é.”
No sketch dos “Gato Fedorento”, o “gajo de Alfama” debate política internacional num falso programa televisivo com outros dois especialistas. Na 78ª Assembleia Geral da ONU, a 19 de setembro de 2023, Marcelo falou sobre outro tipo de temas (pode ver a intervenção completa aqui). Sendo assim, porquê a montagem?
O vídeo surge dias depois de o Presidente da República ter feito declarações polémicas sobre a guerra entre o Hamas e Israel, culpando a Palestina pelo início do conflito. O chefe da missão diplomática da Palestina em Portugal, Nabil Abuznaid, não gostou de ouvir o Presidente da República, mas não foi o único.
No X, Marcelo foi bastante criticado e acusado de “falar demais”. Agora, é alvo de um deepfake nas redes sociais. Numa manifestação pró-Palestina, esta tarde, frente ao Palácio de Belém, o PR clarificou: “Portugal condenou o ato terrorista, mas é a favor da Palestina. A posição portuguesa é isso mesmo: contra o terrorismo, mas a favor de um Estado palestiniano.”
