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Relatório do Iberifier revela que portugueses consomem maioria das notícias nas redes sociais

Este artigo tem mais de um ano
O Observatório Ibérico dos Media Digitais (Iberifier) concluiu o que muitos intuíam: plataformas como o Facebook, o Twitter ou o Instagram são as fontes mais consultadas pela maioria dos portugueses no domínio do consumo de informação. A amostra estudada pelos investigadores referiu ainda a "fraca qualidade do jornalismo" como um dos fatores decisivos para a disseminação de informações falsas.

A esmagadora maioria dos portugueses (87%) admite que acede a notícias diariamente através das redes sociais. Esta é uma das principais conclusões do relatório publicado pelo Iberifier, o Observatório Ibérico dos Media Digitais, do qual o Polígrafo é membro fundador.

O projeto que acompanha a atividade de investigação sobre o ecossistema mediático ibérico concluiu, tendo por base 530 questionários válidos no âmbito de um estudo sobre o impacto da desinformação em Portugal, que 77,6% da amostra aponta a “fraca qualidade do jornalismo”, nomeadamente os “erros factuais” e a “cobertura simplista”, como o tipo de desinformação mais identificada.

Os investigadores do Iberifier analisaram a resposta da população espanhola e portuguesa à informação e desinformação, a sua confiança nos meios de comunicação social e a sua perceção dos procedimentos de verificação dos meios de comunicação social.

Tal como destaca a Agência Lusa, que integra o observatório, entre os inquiridos, 72,1% sublinharam o problema dos “factos parcialmente manipulados”, 48,5% destacaram as “manchetes que parecem notícias, mas são publicidade”, 29,7% referiram o “recurso ao termo ‘fake news’ (por políticos, por exemplo) para desacreditar média que não lhes agradam” e 20,9% mencionam as “notícias completamente falsas com objetivos políticos ou comerciais”. Além disso, 71,3% da amostra assinalou a “política” como sendo a área mais visada na desinformação, enquanto 59,2% destacou a “guerra e os conflitos armados”.

No que se refere às plataformas de disseminação da informação falsa, 83% dos inquiridos manifestaram apreensão com a difusão feita através das redes sociais, 68%, enquanto 59% sublinhou a sua preocupação com a desinformação veiculada por motores de busca (como o Google ou Bing). Mais de metade – 53%  dos inquiridos – mencionou as aplicações de mensagens instantâneas, como o WhatsApp ou o Telegram, como agentes disseminadores de desinformação.

Já em relação aos meios de comunicação que os portugueses mais consultam para obter informação, 67,6% dos inquiridos apontaram a “SIC Notícias” como o meio mais utilizado. O jornal “Público” (61,6%) e a “RTP” (61,3%) são também dois dos meios mais visitados. Segue-se o jornal “Expresso” (53,1%), a “CNN Portugal” (45,8%), a “RTP3” (41,4%), a “SIC” (40,8%), o “Observador” (39,1%) e a “TSF” (34%).

Tal como destaca o observatório, os resultados do relatório fornecem aos decisores políticos, aos meios de comunicação social e ao público em geral uma melhor compreensão dos efeitos da desinformação na indústria dos meios de comunicação social nos dois países. Apontam-se ainda medidas que podem ser tomadas para lidar com esta questão, entre elas a aposta na literacia mediática e a promoção da qualidade dos conteúdos jornalísticos, bem como a distinção clara entre meios de comunicação social e os sites promotores de desinformação.

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