A série britânica “Adolescência” foi bem recebida pela crítica e tornou-se um fenómeno global, mas não escapou aos comentários menos positivos. Apesar de Stephen Graham – criador e também ator que dá vida ao pai do protagonista – já ter explicado que a história não é baseada em nenhum caso real em específico, nas redes sociais, vão sendo criadas teorias sobre os casos que terão inspirado a história retratada na plataforma de streaming. Em alguns dos casos critica-se os produtores por “mudarem o criminoso”.
Graham revelou que a ideia da série surgiu depois de começar a reparar nos crimes cometidos por adolescentes e jovens que passavam nas notícias. “Li um artigo no jornal sobre um rapaz que tinha matado uma rapariga e, três semanas mais tarde, estava a ver as notícias e havia uma história sobre outro jovem que tinha esfaqueado uma rapariga até à morte”, disse à BBC. “Magoou-me muito e pensei: ‘O que está a acontecer na sociedade para que este tipo de coisas se torne comum?‘”
O jornal de fact-checking “Neutral” reuniu alguns dos casos aos quais a série televisiva está a ser associada. Saiba quais são:
Homicídio de três crianças em Southport
Uma das narrativas criadas nas redes sociais é que a série é baseada num crime chocante cometido em Southport, em julho de 2024, por Axel Rudakubana, na altura com 17 anos. O jovem entrou numa escola de dança onde decorria uma aula temática da Taylor Swift e começou a atacar quem lá se encontrava com uma faca. Como resultado, três meninas, uma delas portuguesa, morreram e dez pessoas -oito crianças e dois adultos – ficaram feridas.
Ao associarem a série a este caso, alguns utilizadores criticaram a escolha dos criadores por optarem por um protagonista branco quando na história real o homicida era negro. No entanto, é falso que história de “Adolescência” seja baseada nos homicídios de Southport. A série foi filmada entre março e setembro do último ano, pelo que já estava escrita antes deste crime.
Destaca-se ainda que é igualmente falsa a alegação de que o assassino de Southport era um imigrante. Axel Rudakubana nasceu em Cardiff, no País de Gales, filho de pais ruandeses. Foi condenado a mais de 50 anos de prisão pelos crimes.
Homicídio de rapariga em Londres
No dia 27 de setembro de 2023, Hassan Sentamu, então com 17 anos, esfaqueou repetidamente uma jovem de 15 à porta de um centro comercial em Croydon, no sul de Londres, por causa de um urso de peluche.
Sentamu, cuja fotografia tem sido divulgada nas redes sociais, declarou-se culpado de homicídio involuntário, tendo alegado que não controlava os seus actos por ter autismo. O júri não aceitou a defesa de responsabilidade diminuída e sentenciou-o a prisão perpétua, com uma pena mínima de 23 anos.
Tal como se verificou com os homicídios de Southport, por Sentamu ser negro, alguns utilizadores criticaram a decisão da escolha de um protagonista caucasiano.
Assassínio com faca em Liverpool
Outro caso que a série vem a ser associada é o homicídio de Ava White em Liverpool, no ano de 2021. A rapariga tinha 12 anos quando foi esfaqueada até à morte por um rapaz de 14 no centro da cidade de Liverpool, a 25 de novembro de 2021, depois de uma discussão sobre um vídeo no Snapchat.
Por ordem judicial, não foram divulgados pormenores sobre o agressor, que foi condenado a prisão perpétua pelo homicídio de Ava, com pena mínima de 13 anos.
Em declarações à BBC, a mãe da vítima disse que foi muito difícil assistir à série, mas que teve que o fazer porque o nome da filha estava a ser muito mencionado.
Morte de jovem transexual em Warrington
Um dos casos que Stephen Graham apontou que viu antes de começar a pensar na série foi o homicídio de Brianna Ghey, uma jovem transexual de 16 anos que foi brutalmente assassinada no Culcheth Linear Park, em Warrington, por dois adolescentes.
De acordo com a BBC, o motivo para o crime foi “o profundo desejo de matar” aliado à repulsa por Brianna ser transexual. Scarlett Jenkinson e Eddie Ratcliffe, os assassinos, tinham 15 anos à data do crime. Foram condenados a prisão perpétua, com mínimo de 2o anos e 22 anos respetivamente.

