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Descarrilamento do Elevador da Glória é a maior tragédia em Lisboa no século XXI. Há 16 mortos e 21 feridos

Desceu desenfreado, tombou, embateu com uma "força brutal" contra um prédio e "desfez-se como uma caixa de cartão". O alerta para o descarrilamento do ascensor, que liga os Restauradores ao Príncipe Real, foi dado por volta das 18h00 desta quarta-feira e pouco mais de duas horas depois chegou o primeiro balanço oficial: 15 mortos. Hoje, o número foi atualizado para os 16. É preciso recuar até 1963 para encontrar um acidente na capital portuguesa com mais vítimas mortais.

O descarrilamento do Elevador da Glória, um ícone turístico da cidade que transporta anualmente cerca de três milhões de passageiros, resultou na morte de pelo menos 16 pessoas. O acidente, registado esta quarta-feira e do qual também resultaram 21 feridos – sete em estado grave – é já considerado um dos piores da história da capital e mesmo o mais grave deste século. O Governo e a Câmara Municipal de Lisboa decretaram um e três dias de luto nacional, respetivamente.

Ontem, ao reagir ao sucedido, João Ferreira, vereador do PCP na Câmara Municipal de Lisboa, afirmou que “não há memória de um acidente destes em Lisboa”. Talvez seja por isso que, para além da comoção geral no país, a tragédia tenha tido eco a nível internacional, ganhando destaque na imprensa estrangeira e motivando reações de líderes políticos, que lamentaram o sucedido e expressaram as suas condolências.

Contexto histórico

A verdade é que cidade não registava um acidente desta magnitude há muitos anos, sendo necessário recuar até à década de 60 para encontrar encontrar tragédias com mais vítimas mortais.

A 28 de maio de 1963, o desabamento da cobertura dos alpendres na estação de comboios do Cais do Sodré, em plena luz do dia, fez 49 mortos e 69 feridos.

Em 1967, entre a noite de 25 e a madrugada de 26 de novembro, uma depressão fria com características subtropicais levou Lisboa a ser afetada por fortes chuvas que tiraram a vida a pelo menos 462 pessoas. Algumas versões apontam para um número de mortos superior, abafado pelo regime salazarista.

De acordo com relatos de testemunhas, o elevador, que descia desenfreado e sem travões, tombou numa curva e acabou por embater “com uma força brutal” contra um prédio. “Desfez-se como uma caixa de cartão (…). Embateu com uma força muito grande, uma coisa impressionante. Não tinha qualquer tipo de travão”, relatou Teresa D’Avó.

Ao “Observador”, fonte dos Bombeiros Sapadores de Lisboa indicou que o acidente foi causado por “um cabo que se soltou” na estrutura do ascensor.

Nas redes sociais circulam as imagens do Elevador totalmente destruído, com as vítimas ainda encarceradas. Entre o momento em que foi dado o alerta e as primeiras atualizações da comunicação social sobre as operações no local passaram pouco mais de duas horas, até se confirmar o desfecho do acidente. A primeira vítima mortal a ser conhecida foi André Marques, o guarda-freio do elevador.

Face à gravidade do acidente, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, mandou suspender “de imediato” as operações dos ascensores da Bica e do Lavra e do Funicular da Graça para os equipamentos serem inspecionados.

A Carris, empresa responsável pelo funcionamento do funicular, revelou que abriu “de imediato” um inquérito para apurar “as reais causas do acidente”. Já garantiu, no entanto, que “têm sido escrupulosamente cumpridos os programas de manutenção mensal, semanal e a inspeção diária” e que o Elevador da Glória tinha realizado a última manutenção geral em 2022 e a reparação intercalar em 2024.

O Ministério Público também anunciou uma investigação ao caso e a Autoridade de Mobilidade e Transportes uma ação de supervisão ao descarrilamento.

Para já, a Polícia Judiciária classifica o incidente como um “cenário de exceção” e diz que não há indícios de ação criminosa.

Em 2018, o famoso ascensor já tinha descarrilado. O acidente não provocou vítimas, mas obrigou a que o mesmo ficasse inoperacional durante cerca de um mês.

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