O episódio de alegada violência policial contra uma mulher de 42 anos na Amadora esta a gerar um verdadeiro “tsunami” no Facebook. Até às 15h30 de hoje, terça-feira, os vários vídeos que foram postos a circular desde domingo, o dia em que o incidente ocorreu, já contabilizavam mais de um milhão de visualizações na maior rede social do mundo.

As caixas de comentários que acompanham os vídeos e fotografias entretanto tornados virais transformaram-se em autênticas trincheiras de uma luta carregada de discursos de ódio e racismo. De um lado, os que defendem que Cláudia Simões, angolana, que se fazia acompanhar pela sua filha na chegada à paragem de autocarros no Bairro do Bosque quando foi abordada pelo agente da Polícia de Segurança Pública (PSP), foi vítima de uma agressão racista. Do outro lado da trincheira encontram-se os que consideram que pessoas como Cláudia estão a mais em Portugal.

Alguns dos comentários são elucidativos:

- "O ser humano é complicado ya estão sempre a ser tratados tipo cães ainda assim correm para ir a Portugal.

- "Filho da puta do Branco de merda."

- "Por isso que nós ciganos e pretos não gostamos desses brancos racistas de merda .. devíamos era rebentar com Portugal.. não sobrar um filho da puta desses brancos . Tudo que acontece ou é preto ou cigano.. esses brancos de merda filhos da puta."

- "Palhaçada ... O que ela fiz para estar nesta situação??!? Espera aí... Ela só ia na vida dele apanha o autocarro e o senhor agente mauzão foi lhe bater do nada ... Porra mauzao esse polícia."

- "O que foi que ela fez para ele ter essa atitude??? Espera já sei a resposta o Polícia lhe bateu só porque lhe apeteceu.

Cláudia fez à TVI o relato do que terá acontecido na noite de domingo. Segundo a angolana as agressões ocorreram depois de Cláudia Simões de ter sido detida numa paragem de autocarro, após um desentendimento com o motorista, que estaria inconformado com o facto de a filha de Cláudia não apresentar o passe social. O polícia terá pedido a identificação à mulher, que terá recusado, tendo de seguida sido detida à força. "Ele estava a sufocar-me, estava a apertar-me as goelas, tive de o morder porque se não morria. Não estaria aqui para contar a minha história", descreveu Cláudia Simões, referindo-se ao momento da detenção.

O relato continua com a descrição do que terá acontecido já dentro do carro-patrulha: "O polícia fechou os vidros, meteu música e o polícia, com quem briguei, começou a bater-me. Eu tinha as mãos algemadas atrás das costas e ele começou a bater-me com muita força. Aquela mão que ele tem ferida foi porque estava a tentar tirar-me os dentes que tenho na boca. Só me dava socos na cara. Depois, desmaiei", revelou.

A versão da polícia não podia ser mais diferente. Em comunicado, a PSP desmentiu a maioria das alegações, esclarecendo que um agente da polícia “que se encontrava devidamente uniformizado" a circular na via pública por volta das 20h30, terá sido abordado pelo motorista de autocarro de transporte público, que lhe solicitou auxílio face à recusa da cidadã em pagar o bilhete do transporte da sua filha, mas também pelo facto de ter sido "ameaçado e injuriado”.

Depois de perceber o que se passava, o agente da PSP, sublinha a organização, “dirigiu-se à cidadã” que, “de imediato e sem que nada o fizesse prever, se mostrou "agressiva perante a iniciativa do polícia em tentar dialogar, tendo por diversas vezes empurrado o Polícia com violência, motivo pelo qual lhe foi dada voz de detenção”.

A partir de então, a confusão ter-se-á instalado. Diz o comunicado que outros cidadãos que se encontravam no autocarro “tentaram impedir a ação policial, pontapeando e empurrando o polícia”. Este, encontrando-se “sozinho”, e “para fazer cessar as agressões da cidadã detida, procedeu à algemagem da mesma, utilizando a força estritamente necessária para o efeito face à sua resistência”. De acordo com a PSP, e depois do ocorrido, o referido polícia terá sido levado para o hospital “com a mão e o braço direitos com marcas de mordidelas”.

Entretanto, a PSP já fez saber que abriu um inquérito para apurar as circunstâncias exatas da ocorrência.

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