Imagine que recebe um link com uma notícia explosiva via WhatsApp, difundida num qualquer grupo a que pertence. Imagine ainda que o título que lhe é imediatamente apresentado no ecrã do seu smartphone vai totalmente ao encontro das suas convicções. Sabe qual será, de acordo com variadíssimos estudos científicos, a sua primeira reacção? Acreditar. E sabe qual será a segunda? Partilhar – quase sempre sem ler o corpo da notícia, que, não raras vezes, desmente o título, muitas vezes manipulado com o objectivo expresso de confundir os destinatários.

A partilha é a moeda das redes sociais. É através dela que os utilizadores - os “amigos” - se compensam mutuamente. E é da fusão entre esta rede quase infinita de compensações e a iliteracia mediática das populações que frequentemente crescem os fenómenos da desinformação na sociedade actual.

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créditos: Pixabay

Não tenhamos ilusões: o cidadão médio – e o português em particular – ainda não apreendeu  os instrumentos fundamentais para se defender das fake news. Segundo o Eurobarómetro,  apenas 48% dos portugueses admite conseguir identificar notícias falsas, uma percentagem que Bruxelas classificou como "preocupante" e que está abaixo da média da União Europeia, que se situa nos 58%. “Os portugueses parecem estar menos conscientes da exposição a notícias falsas, menos preparados para identificá-las e menos dispostos a considerá-las um problema no seu país e para o funcionamento das democracias do que o conjunto dos cidadãos dos 28 Estados-membros", pode ler-se no estudo.

Fica, assim, mais difícil a defesa face a mentiras, manipulações e fantasias. Por isso mesmo, a Comissão Europeia já elegeu a promoção da literacia mediática como uma das grandes prioridades para a próxima década – sim, porque este é um trabalho que não dará frutos a curto prazo. De qualquer modo, ficam alguns conselhos úteis para descodificar a informação que lhe chega, antes de decidir partilhá-la:

1.

- A notícia que lhe chega é uma manchete? Desconfie. Por vezes, para inflacionar o valor da informação, os jornais tendem a exagerar nos títulos de primeira página. Vale sempre a pena ler o texto nas páginas interiores para aferir sobre a sua correspondência com a manchete.

2.

- Qual é a data da notícia? É vulgar, nas notícias manipuladas, haver uma data que não corresponde ao período a que elas se referem. Confira sempre este detalhe.

3.

- Conhece a publicação? Se não conhece, pense duas vezes antes de acreditar – e de partilhar. Faça uma pesquisa pela publicação, veja quem são os seus jornalistas e responsáveis editoriais e rapidamente perceberá se se trata de um órgão credível.

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créditos: Pixabay

4.

- Costuma reparar no endereço electrónico (o URL) das notícias que lhe chegam? Não? Então comece a fazê-lo. Há muitos sites que se fazem passar por outros, “roubando-lhes” a aura de credibilidade, alterando apenas um detalhe no URL. Um exemplo: um site de desinformação chamado “O Polígrafo” seria facilmente confundível com o original, que se chama apenas “Polígrafo”. Ter atenção a este tipo de detalhes é fundamental para não ser enganado.

5.

- As imagens que lhe chegaram através do telemóvel são impressionantes? Talvez seja melhor investigá-las antes de as partilhar com algum dos seus amigos. Há várias formas de o fazer, nomeadamente através da sua inserção em motores de busca de imagens como o Google Reverse Image Search ou o TinEye. Esta pesquisa levá-lo-á à origem das imagens, ajudando-o a rastreá-las e a avaliar a sua credibilidade.

6.

- A notícia que recebeu causou-lhe um grande impacto emocional? Esteja alerta: uma boa parte das informações deste cariz apela directamente às emoções. Copie o seu título e coloque-o num motor de pesquisa no sentido de verificar se há outras notícias iguais publicadas em órgãos de referência. Acredite: se a informação for relevante e verdadeira, a possibilidade de ter sido divulgada em publicações credíveis é significativa. Se isso não acontecer, duvide muito do que tem à sua frente.

7.

- A notícia apela, em alguma passagem, para que acredite nela? Então é melhor não acreditar. Uma notícia credível apoia-se em fontes; não em actos de fé.

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