O vídeo que mostra George Floyd, um norte-americano negro, a ser morto por Derek Chauvin, um polícia branco, está na origem de uma série de protestos violentos pela igualdade de direitos e pelo fim da violência policial e racial. Da mesma forma que as imagens correram o mundo através das redes sociais, também várias publicações falsas estão a ser partilhadas todos os dias. Reunimos alguns fact checks sobre o caso de George Floyd e os protestos que se seguiram.

  • A morte de George Floyd foi encenada?

Poucos dias depois de George Floyd ter sido morto, começou a circular nas redes sociais um texto onde se afirmava que o vídeo – que, na altura, já circulava pela internet – era um “momento encenado”. “Eu acredito que existe pelo menos uma pequena ‘possibilidade’ de isto ser uma execução pública de um homem negro por um polícia branco filmada com o propósito de criar tensões raciais e impulsionar um sentimento crescente de anti-Estado profundo nas pessoas comum, que já têm sido traumatizadas psicologicamente com os medos da Covid-19”, pode ler-se na publicação que começou a ser partilhada no dia 28 de maio.

Esta informação é falsa. Não existe qualquer evidência que a morte de George Floyd tenha sido encenada. Por outro lado, os quatro polícias envolvidos neste episódio foram despedidos e Derek Chauvin, o oficial que se ajoelhou sobre o pescoço da vítima até que este deixasse de respirar, foi detido e acusado de homicídio em terceiro grau. Também o FBI e o Departamento Judicial norte-americano estão a investigar a possibilidade de ter existido violação da lei federal dos direitos humanos, segundo a plataforma de fact checking norte-americana Politifact.

Avaliação do Polígrafo: Pimenta na Língua

  • Os tumultos foram incitados por um polícia?

Numa publicação surgem, lado a lado, duas imagens: à esquerda um polícia em uniforme, à direita um homem com uma máscara. No texto, que acompanha ambas as fotografias, é afirmado que se trata da mesma pessoa. “Este é o agente da polícia de St. Paul Jacob Pederson. Ele destruiu a janela do Auto Zone. Ele é o provocador que ajudou a começar os roubos. Parem de culpar os manifestantes e comecem a culpar a polícia”, pode ler-se.

O departamento da polícia referido já reagiu, através de uma publicação do Twitter [LINK6], tendo desmentido a história que estava a ser partilhada. “Nós estamos ao corrente da publicação nas redes sociais que erroneamente identifica um dos nossos agentes como a pessoa captada em vídeo a partir janelas em Minneapolis. Nós vimos isso. Nós analisámos isso. E é falso.” No entanto, segundo o Politifact, a identidade do indivíduo que aparece no vídeo ainda não foi confirmada.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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  • A loja Target foi vandalizada porque se recusou a vender leite aos manifestantes?

Está a ser apontado nas redes sociais que a verdadeira razão por detrás dos saques à loja Target foi o apoio dos empregados à polícia. Esta informação foi propagada numa publicação onde se pode ler que “a razão para eles terem saqueado aquela Target em Minneapolis é porque estava a apoiar a polícia de Minneapolis e recusava-se a vender leite aos manifestantes atingidos com gás lacrimogénio” – o leite é muitas vezes utilizado para reduzir o efeito do gás lacrimogénio nos olhos.

A verdadeira razão para o início dos tumultos é pouco clara. No entanto, a CNN reportou que a polícia disparou gás lacrimogénio depois de os manifestantes tentarem agredir o corpo policial. O Star Tribune, por seu lado, avançou que os manifestantes roubaram televisões, roupas e produtos de mercearia.

No dia 28 de maio, a Targets emitiu um comunicado onde se afirmava “de coração partido pela morte de George Floyd e pela dor que isso causou” à comunidade onde estão inseridos. Várias lojas da cadeia foram encerradas.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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  • Fotografia mostra a polícia de Minnesota a atuar de forma diferente em manifestantes brancos? 

Duas imagens com duas realidades distintas, ambas identificadas como dizendo respeito a “Minnesota maio 2020”, surgem numa publicação  partilhada nas redes sociais desde dia 27 de maio. Por cima “pessoas brancas armadas a protestar contra a quarentena de Covid-19, sem gás lacrimogénio”, em baixo “pessoas negras desarmadas a protestar pelo homicídio de George Floyd por polícias brancos e levam com gás lacrimogénio”.

A utilização das duas fotos tem um propósito claro: mostrar a diferença das mesmas autoridades policiais quando são pessoas brancas a manifestar-se e quando são pessoas negras. No entanto, a premissa principal da publicação está errada. As fotografias não foram tiradas no “mesmo estado”, nem no “mesmo mês”, como surge na descrição da imagem.

A fotografia de cima foi captada por Jeff Kowalsky, fotógrafo da AFP, no dia 15 de abril , na cidade de Lansing, no estado do Michigan, e a imagem de baixo  corresponde ao primeiro dia de protestos em Minneapolis e foi captada no dia 26 de maio, o dia a seguir à morte de George Floyd.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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