A Polícia de Segurança Pública (PSP) denunciou as páginas de Facebook “Carro de Patrulha 1” e “Carro de Patrulha 2”, bem como o perfil intitulado “Charlie Papa”. A decisão foi tomada na sequência da notícia publicada ontem pelo Polígrafo, segundo a qual, a propósito do caso do bairro da Jamaica, nestas 3 plataformas há dezenas de polícias, ex-polícias e agentes de outras forças de segurança que “postam” comentários em que incitam ao ódio racial, à xenofobia e à violência.

Fonte oficial da PSP revelou à revista Sábado que as páginas em causa foram denunciadas à administração do Facebook “através da página oficial da PSP” e que vai abrir processos disciplinares e comunicá-los ao Ministério Público nos casos em que se conclua que os agentes tiveram “comportamentos violadores da lei, de natureza racista, ou de discurso de ódio”.

Os confrontos no Bairro da Jamaica tem sido um dos temas mais abordados nas redes sociais - muitas vezes com ódio racial, ameaças e xenofobia contra os bloquistas Mamadou Ba e Joana Mortágua. À Sábado, a Polícia de Segurança Pública (PSP) garantiu que vai abrir processos disciplinares, e comunicá-los ao Ministério Público, a todos os agentes que tenham "comportamentos violadores da lei, de natureza racista, ou de discurso de ódio e incitadores à violência" no Facebook.

“Cortar o Rendimento Social de Inserção a esta gente e entravam na linha”; “Corda nova, pedra velha e pendurado na ponte Oliveira Salazar”; “Pois bem, este indivíduo [Mamadou Ba, dirigente do movimento SOS Racismo e assessor do Bloco de Esquerda (BE)] por mim era o primeiro a levar no focinho”; “Porco” ; “Tiro no centro da testa”; “Esse verme que vá para a terra dele”. “Essa javarda [Joana Mortágua, deputada do BE e vereadora da Câmara Municipal de Almada] quer é votos dessa gente miserável, carga neles!"; “Esta gaja devia era de levar nos cornos”. Estes são alguns dos comentários que constam das páginas agora denunciadas.

Na sequência da polémica intervenção policial no bairro da Jamaica a defesa dos agentes policiais ganhou força na internet. A agressividade latente dos textos e dos comentários tornou-se mais explícita, entrando claramente no discurso de ódio, com os desenvolvimentos do caso: as reações de Mamadou Ba e de Joana Mortágua; a manifestação de segunda-feira na Avenida da Liberdade, em Lisboa, por residentes do bairro da Jamaica, culminando em nova intervenção policial; e os automóveis incendiados e esquadras da PSP apedrejadas, entre outros estragos, na madrugada de terça-feira, em várias localidades do distrito de Lisboa.

mamadou

Mamadou Ba foi o mais visado nas publicações das três páginas, tendo sido inclusivamente protagonista de memes agressivos, claramente fabricados para serem partilhados pela comunidade. “Ninguém consegue entender quem está por trás destes movimentos, que há muito temos vindo a avisar que existem, de oradores que nas redes sociais, fazem apologia ao crime, manipulando as cabeças fracas destes delinquentes, que acreditam nestes falsos profetas, moralistas sem moral. Este é apenas o mais mediático, mas outros mais existem, muitos deles nem em Portugal residem, mas de fora incentivam ao ódio e à violência, usando a desculpa do racismo como mote. Hoje este activista que vive à custa do erário público, deu-se ao desplante de partilhar fotos de perfis de Agentes da PSP, logo por isso, tomamos também a liberdade de partilhar uma foto do Excelentíssimo”, lê-se num texto publicado por “Charlie Papa”, acompanhando um meme com a imagem de Mamadu Ba e responsabilizando-o pela manifestação de segunda-feira, que classifica como um “Arrastão” (embora não haja registo de quaisquer assaltos durante a mesma).

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