"Ainda há quem nos pergunte se é tão necessário votar no PNR… Nós dizemos que sim!" Esta é a mensagem central de um meme que está a ser difundido nas redes sociais por militantes e apoiantes do Partido Nacional Renovador (PNR), de extrema-direita e anti-imigração. Aliás, foi publicado originalmente na página oficial do PNR na rede social Facebook, ontem à noite.

Baseia-se em dois perfis falsos de supostos apoiantes negros do Bloco de Esquerda (BE), Habib Zunduri e João Varela, que terão proferido mensagens de ódio racial contra os nativos brancos de Portugal. O objetivo é apelar ao voto no PNR, em forma de propaganda enganosa.

O perfil de Habib Zunduri na rede social Facebook ostenta desde logo o símbolo do BE e a seguinte frase de auto-descrição: "Fascista bom é fascista morto". Na parte lateral do meme destaca-se uma suposta conversa entre João Varela e Habib Zunduri (envolvendo uma terceira pessoa, incógnita), repleta de mensagens de ódio racial contra os nativos brancos de Portugal.

"A migração é inevitável. Os países não são vossos. Vamos ser a maioria e recuperar isto para nós", ameaça João Varela. Mais à frente, Habib Zunduri diz que "vocês tugas estão a perder o país para nós, imigrantes, espere até sermos maioria e vais ver quem vai levar o tiro nos cornos".

A intenção subliminar desta falsificação parece ser evidente (e reforçada pelos comentários às publicações que detectámos nas redes sociais): além de atiçar ódio racial contra os negros, em defesa dos nativos brancos, pretende-se fomentar o medo anti-imigração.

Nas publicações que acompanham este meme, os militantes e apoiantes do PNR utilizam este alegado diálogo envolvendo apoiantes do BE para atiçar ódio racial contra os negros, em reação ao ódio racial patente no diálogo. O problema é que os perfis de Habib Zunduri e João Varela não existem, pelo que este diálogo não é real.

Ora, a fotografia disposta no perfil falso de Habib Zunduri, na verdade, é do músico angolano C4 Pedro, tendo sido publicada na respetiva página oficial em 2016.

A intenção subliminar desta falsificação parece ser evidente (e reforçada pelos comentários às publicações que detectámos nas redes sociais): além de atiçar ódio racial contra os negros, em defesa dos nativos brancos, pretende-se fomentar o medo anti-imigração, como que fantasiando um plano de "invasão" e de vingança pelo passado de colonialismo ("Vamos correr com vocês, como fizemos em Angola", teria dito Habib Zunduri, se existisse realmente).

E, no final, o apelo direto ao voto no PNR, com o símbolo do partido bem visível.

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