Um dos esquemas detectados pela investigação passava por uma loja de medalhas na baixa lisboeta?

Sim. Alguns dos clientes da rede usavam os serviços de Francisco Canas, dono de uma loja de medalhas que em tempos fora uma agência de câmbios, situada na Rua do Ouro. Foi a ele que foram entregues muitos milhões de euros em malas de dinheiro vivo por várias figuras conhecidas da sociedade portuguesa. O seu papel era fazer “desaparecer” esse dinheiro, sobretudo rumo a bancos suíços. Por cada operação, Francisco Canas, também conhecido por "Zé das Medalhas", cobrava 1% do dinheiro que branqueava.

Duarte Lima
MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

Um dos seus clientes mais conhecidos era Duarte Lima, actualmente a cumprir pena de prisão no âmbito do caso Homeland. Também Ricardo Salgado foi envolvido na teia, tendo sido mesmo detido na sua casa no Estoril para prestar declarações como arguido no processo.

Avaliação do Polígrafo SIC: Verdadeiro

É ou não verdade que o Estado português aproveitou para encher os cofres com a Operação Monte Branco?

Sem dúvida. Assim que, em maio de 2012, foi noticiada publicamente, a operação desencadeou uma corrida às regularizações extraordinárias de impostos por parte dos milionários que colocaram as suas fortunas longe do alcance do fisco português e que assim passaram a poder trazê-las de volta, pagando uma pequena percentagem e obtendo a garantia de não serem importunados pela justiça sobre esses crimes fiscais.

Operação Fizz: Juiz Carlos Alexandre após audição no Campus de Justiça
JOÃO RELVAS/LUSA

Segundo dados das Finanças, foram declarados 3,4 mil milhões de euros, taxados a 7,5%, o que permitiu ao fisco arrecadar 258,4 milhões de euros. Esta prática é altamente criticada por alguns sectores da magistratura. Carlos Alexandre, o conhecido juiz de instrução do Processo Marquês (em cima, na foto), é um dos mais cáusticos - para o magistrado uma multa não pode nem deve anular a prática de um crime.

Avaliação do Polígrafo SIC: Verdadeiro

Este caso tem alguma relação com a Operação Marquês?

A relação entre os processos Monte Branco e Marquês é muito clara. O impulso inicial do caso Sócrates ocorreu devido aos registos das movimentações financeiras e aos contactos telefónicos da família Pinto de Sousa interceptados no Monte Branco.

José Sócrates
créditos: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Foi a partir do circuito das transferências detetadas no caso Monte Branco e da identificação das sociedades offshore utilizadas que o Ministério Público chegou a Carlos Santos Silva, o alegado testa-de-ferro de José Sócrates. Mais tarde, toda a prova do Monte Branco foi transmitida à Operação Marquês.

Avaliação do Polígrafo SIC: Verdadeiro

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