Festa do nascimento de Cristo teve origem numa celebração romana chamada Saturnália?

O Natal é uma das celebrações católicas mais festejadas, mas sabia que os primeiros cristãos não sabiam qual a data em que Jesus tinha nascido? A origem dos festejos durante o mês de dezembro, mais precisamente no dia 25, remonta ao século II D.C. e está, em parte, relacionada com uma festa pagã que os romanos celebravam.

Em dezembro, os romanos festejavam o renascimento do Sol Invicto, uma festa que começava no dia 17 e podia durar entre três e sete dias. Estas celebrações coincidiam com o solstício de inverno, a data a partir da qual as noites começam a diminuir e os dias a crescer. Com o nome de Saturnália, os festejos tradicionais incluíam banquetes e troca prendas. Havia ainda o costume de decorar as casas com vegetação e luzes.

Associada ao significado que o solstício de inverno tem – a luz do dia que vence as trevas da noite – a Igreja de Roma começou a celebrar o Natal a 25 de dezembro, representando Jesus como a luz do Mundo. A data dos festejos terá sido definida no ano 336 D.C., altura quem governava o império romano era Constantino – o imperador que tornou o cristianismo a religião oficial de Roma.

A data não foi aceite de forma universal: a zona leste do império preferia celebrar a 6 de janeiro, dia em que atualmente se festeja a chegada dos Reis Magos. O dia 25 de dezembro só se tornou Natal para a maioria dos cristãos vários séculos depois.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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A Bíblia diz que existiam animais no presépio?

Desde as peças de presépio aos cartões de Natal, os animais estão sempre presentes quando se menciona o nascimento de Jesus Cristo. Contudo, de acordo com a Bíblia, não havia um único animal nesta história. e o Papa Bento XVI, no seu livro “A Infância de Jesus”, escreve que “nos Evangelhos não há menção a animais”, mas que as referências ao boi e ao burro noutras partes da Bíblia podem ter inspirado os cristãos a incluí-los nos seus presépios. Afinal, de onde surgiu a tradição?

Apenas duas partes da Bíblia é mencionado o nascimento de Jesus – os Evangelhos de Lucas e Mateus – e todas as imagens de estábulos e manjedouras estão no primeiro. O animal que poderíamos esperar encontrar logo no início é o burro, que terá carregado Maria grávida, mas isso aparentemente não aconteceu. Nos outros Evangelhos está escrito que Maria andou sempre a pé, sem nenhuma menção ao transporte.

E as ovelhas? “Enquanto os pastores observavam os seus rebanhos durante a noite”, escreveu-se. Contudo, esta passagem é de um cântico, pois o texto bíblico não diz que os pastores levaram qualquer ovelha quando foram à procura de Maria, José e de Jesus. Os pastores vão a Belém e encontram, como diz Lucas, “Maria e José e a criança deitada na manjedoura”.

A versão de Lucas é a que terá conquistado a imaginação de muitos dos primeiros escritores cristãos. Uma dessas histórias, conhecida como o “Proto-Evangelho de Tiago”, descreve ao pormenor a viagem de José e Maria e refere o burro que supostamente carregou Maria. Num texto posterior em Latim, chamado o “Evangelho de Pseudo-Mateus”, diz-se que Maria leva o bebé para um estábulo e surgem então o boi (ou a vaca) e o burro, que se curvam para adorar Jesus. Ambas as histórias não foram incluídas no texto bíblico.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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O Pai Natal foi inventado pela Coca-Cola?

A resposta é não. A Coca-Cola contribuiu para popularizar o Pai Natal, mas a figura icónica do velho de barbas brancas que distribui presentes de casa em casa foi sendo desenvolvida ao longo dos anos.

A história do Pai Natal tem origem em São Nicolau, uma figura religiosa da região da atual Turquia, que ficou conhecido por ajudar os mais pobres e colocar moedas nos sapatos das pessoas, que na altura eram deixados à porta de casa.

Muitos foram os contributos para que São Nicolau se viesse a transformar no Pai Natal como hoje o conhecemos. Em 1863, começou a ganhar forma pelas mãos do ilustrador Thomas Nast através dos cartoons publicados na "Harper’s Weekly". Ao longo dos anos, o ilustrador foi publicando variações da imagem de um velho de barbas brancas que transmitia alegria aos soldados que estavam longe de casa. De amarelo, de verde e de azul, as cores do Pai Natal foram mudando, até que, em 1881, Thomas Nast desenha uma figura que se aproxima à imagem que hoje conhecemos.

Das ilustrações de Thomas Nast até ao Pai Natal da Coca-Cola foi preciso chegar à década de 1920, quando surgiram os primeiros anúncios de Natal da marca no "The Saturday Evening Post" para incentivar ao consumo da bebida durante o inverno. Em 1930, o cartoonista Haddon Sundblom inspira-se no poema de Clement Clark Moore “Uma visita de São Nicolau” e cria os míticos anúncios da marca.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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Membro dos Spandau Ballet foi figurante no vídeo de "Last Christmas" dos Wham?

A ceia de Natal de ambiente festivo – com um bolo com fogos de artifício, além das serpentinas e outros adereços carnavalescos – é uma das imagens de marca do videoclip de "Last Christmas", a canção dos Wham! que é um dos maiores sucessos de Natal de sempre.

Entre os 14 convivas à volta da mesa, como simples figurante, estava Martin Kemp, baixista da igualmente muito conhecida banda inglesa Spandau Ballet, responsável por êxitos como "True" ou "Gold".

Kemp era namorado de Shirlie Holliman (casados desde 1988), que foi contratada com uma das duas cantoras de apoio para "Last Christmas". Como ambos eram amigos de George Michael, em novembro de 1984, o vocalista dos Spandau Ballet acompanhou Shirlie à Suíça, a um chalé em Saas-Fee, e acabou por participar na gravação do vídeo (aparecendo no jantar e também nas cenas passadas na neve).

O videoclip tinha ainda outra ligação entre um figurante e músicos com notoriedade: Kathy Hill, a modelo que origina o flashback de George Michael através da jóia que usa na lapela durante o jantar, era na altura – e na vida real – namorada do compositor grego Vangelis, o autor de "1492", a música que deu nome ao filme.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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"Jingle Bells" foi a primeira música a tocar no Espaço?

“Jingle bells, jingle bells / Jingle all the way / Oh! What fun it is to ride / In a one-horse open sleigh”. A letra e a música ficam sempre no ouvido e curiosamente nada tem a ver com o Natal, apesar de se ter tornado uma das canções mais ouvidas desta época.

Escrita por James Lord Pierpont, quando foi registada em 1857, em Savannah, nos Estados Unidos, chamava-se “One Horse Open Sleigh”. Ao lermos a letra com atenção, não encontramos qualquer referência ao Natal nem sequer ao mês de dezembro.

Curiosamente, em 1965, nove dias antes do dia de Natal, "Jingle Bells" foi escolhida para ser a primeira música a tocar do espaço. A bordo da nave Gemini 6, os astronautas Walter M. "Wally" Schirra Jr. e Thomas P. Stafford reportaram que estavam a ver um ovni (objeto voador não identificado) comandando por um piloto vestido de vermelho. Quando terminaram o relato, os astronautas começaram a tocar "Jingle Bells" com a ajuda de uma harmónica e de sinos que tinham levado para a viagem.

Pode ouvir a gravação aqui, mas se quiser ver a harmónica e os sinos ao vivo, terá de visitar o Museu Nacional do Ar e Espaço (Smithsonian National Air and Space Museum), em Washington, nos Estados Unidos.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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A árvore de Natal tem apenas origem em tradições cristãs?

São muitos os mitos sobre as origens daquele que é um dos maiores símbolos da época natalícia: a árvore de Natal.

Na verdade, o uso de árvores perenes e grinaldas para simbolizar a vida eterna era um costume dos antigos egípcios, chineses e hebreus. A adoração de árvores era também comum entre os europeus pagãos. Os povos escandinavos tinham o costume de decorar as casas e celeiros com plantas frescas no ano novo para espantar o diabo e de armar uma árvore para os pássaros durante o Natal. A tradição consolidou-se na Alemanha, onde se colocava uma árvore de Yule na entrada ou dentro de casa durante as festas do solstício de inverno.

A árvore de Natal moderna, com mais semelhanças à que conhecemos, tem origens no oeste da Alemanha e no protestantismo. O principal objeto de uma peça medieval popular sobre Adão e Eva era uma “árvore do paraíso”, um pinheiro coberto de maçãs, que representava o Jardim do Éden. Assim, os alemães começaram a erguer esta árvore em cada casa, no dia 24 de dezembro, dia da festa religiosa de Adão e Eva.

Só mais tarde, começaram a pendurar-se nas árvores hóstias, que simbolizavam a redenção de cristo. Também as velas, símbolo da luz de cristo, começaram a ser adicionadas à decoração.

Acredita-se que o mercado de árvores de Natal mais antigo do mundo ocorreu em Estrasburgo, na Alemanha (que na época fazia parte da Renânia, atualmente França), onde árvores de Natal sem adornos eram vendidas durante o século XVII. De acordo com a historiadora Judith Flanders, autora do livro: "Christmas: A Biography", existem registos da primeira árvore de interior decorada, que remonta ao ano 1605, em Estrasburgo, decorada com rosas, maçãs, bolachas e outros doces.

 Avaliação do Polígrafo: Falso

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A Coca-Cola anunciou que vai passar a utilizar um Pai-Natal "mais relevante" negro?

Circula nas redes sociais aquilo que parece ser um tweet da CNN a descrever um anúncio da Coca-Cola. A publicação diz que a marca estaria a alterar a imagem do Pai Natal, com o objetivo de o tornar "mais relevante para os nossos tempos". Esta alteração significaria substituir o homem usualmente caucasiano para um afro-americano.

De facto, em 2020, a Coca-Cola colaborou com um canal de televisão brasileiro para produzir uma novela ficcional, na qual um negro idoso tenta representar o Pai Natal. Mas não é verdade que esta seja uma alteração permanente da marca.

O suposto tweet da CNN continha ainda uma imagem que consistia num Pai Natal representado por um homem negro que segurava uma garrafa de Coca-Cola. O slogan: "Juntos, a magia acontece". As partilhas multiplicaram-se rapidamente, mas a alegação foi desmontada por várias plataformas de fact-checking.

De acordo com a "Snopes", não foi encontrado nenhum registo da CNN que remetesse para aquele tweet, muito menos um anúncio feito pela Coca-Cola ou declarações de James Quincey - o verdadeiro CEO da empresa.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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