Alerta total na União Europeia (UE): a partir do próximo dia 1 de janeiro, e pelo menos até às eleições para o Parlamento Europeu, que se realizarão em maio de 2019, as grandes plataformas da internet terão de reportar mensalmente a Bruxelas os resultados dos seus esforços no combate à proliferação de notícias falsas e de desinformação nas respectivas redes.  Dados como o número de contas falsas que foram encerradas, os bots identificados e respetiva forma de funcionamento, estão entre aqueles que o Parlamento Europeu pretende monitorizar de perto, de modo a evitar uma “hecatombe” provocada pela proliferação de fake news antes e durante o período eleitoral.

Entre as empresas obrigadas a fazer esse relato estão o Facebook, a Google, o YouTube e o Twitter, que em outubro passado assinaram um código de conduta voluntário com a UE, no qual se comprometeram a intensificar os seus esforços no combate às notícias falsas.

A verificação mensal detalhada faz parte do plano de ação contra a desinformação aprovado pela Comissão Europeia, cujo objetivo principal é prevenir que as mais de 50 eleições previstas nos países da UE para os próximos 24 meses sejam condicionadas por factores externos aos atos eleitorais. Só em Portugal realizar-se-ão dois: as europeias, já em Maio de 2019, e as legislativas, em outubro do mesmo ano.

Para propagar a desinformação, revelou Andrus Ansip, comissário europeu, a Rússia investe cerca de 1,1 bilião de euros anuais.

O plano da Comissão considera que as campanhas de desinformação contra as instituições da UE e contra a UE em geral "provavelmente aumentarão na reta final em direção às eleições de maio de 2019". A finalidade é óbvia: desacreditar as instituições e os seus representantes, de modo a abalar o “projeto europeu”.

O documento descreve ainda as notícias falsas como uma das armas da guerra de informação alegadamente em curso entre várias potências, acusando explicitamente a Rússia de ser um dos principais agressores.

"Há muitas evidências que apontam para a Rússia como uma das principais fontes de desinformação na Europa", disse o vice-presidente da Comissão e comissário titular da pasta do Mercado Único Digital, Andrus Ansip, durante a apresentação do plano em Bruxelas. "A desinformação é parte da doutrina militar da Rússia e sua estratégia é enfraquecer e dividir o Ocidente". Para propagar a desinformação, concluiu aquele responsável, a Rússia investe cerca mil milhões de euros anuais.