Não é a primeira vez que circula via e-mail e Facebook, mas ressurgiu nas últimas semanas em nova vaga de milhares de reencaminhamentos e partilhas. Vários leitores do Polígrafo depararam com este “Aviso da PSP” e pediram para verificar se é fidedigno.

A mensagem começa por avisar: “Não vá sozinho, cuidado!” E passa a descrever um suposto exemplo-padrão de ataque criminoso: “Está nos seus amigos num restaurante-bar (ou noutro sítio qualquer), a divertir-se. De repente, chega um indivíduo e pergunta: ‘De quem é o carro tal, cor tal, matrícula tal, estacionado ali na rua?’ Pedem que o (a) dono (a) dê um pulinho lá fora para manobrar o carro, que está a dificultar a saída de um outro. Bastante solícito (a) vai e, ao chegar ao seu carro, anunciam-lhe o assalto. Levam o veículo, os pertences e ainda tem sorte se não levar um tiro”.

No final, sublinha-se que “numa mesma noite, a polícia atendeu três pessoas feridas, todas envolvendo a mesma história”. E apela-se: “Divulgue esta notícia para alertar os seus amigos”.

Trata-se supostamente de uma mensagem do Departamento de Polícia e Fiscalização da Câmara Municipal de Cascais, assinada por José António Silva, alegado “Encarregado Operacional”. O problema é que não existe um Departamento de Polícia e Fiscalização da Câmara Municipal de Cascais, nem há registo de um “Encarregado Operacional” que dê pelo nome de José António Silva e trabalhe na Câmara Municipal de Cascais, ou na respetiva Polícia Municipal.

Outro problema reside no cabeçalho da mensagem, com a referência ao Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, o qual só existiu (nestes moldes, ou com esta denominação e respetivas pastas) entre 2011 e 2013, liderado então por Assunção Cristas, no Governo de coligação entre o PSD e o CDS-PP. Ao lado surge uma referência adicional à Autoridade Florestal Nacional (não se entende porquê). Sendo que a Polícia de Segurança Pública (PSP), à qual é atribuída a autoria do aviso, estava e continua a estar na estrutura orgânica do Ministério da Administração Interna.

Também não se percebe qual seria a relação entre o referido Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, e a autarquia de Cascais, com a PSP pelo meio. Ao que acresce o facto de o telefone e o endereço de e-mail indicados no final da mensagem serem igualmente falsos.

Para dissipar quaisquer dúvidas que ainda restassem quanto à falsidade deste aviso, partilhado ainda assim por milhares de pessoas, o Polígrafo contactou o subintendente Paulo Ornelas Flor, porta-voz da PSP, questionando-o sobre a veracidade desta mensagem atribuída à PSP. “Essa mensagem é falsa e não tem qualquer correspondência com o que se passa em Portugal”, respondeu, sucintamente, Ornelas Flor.

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