Nem sempre uma imagem vale por mil palavras, aliás, neste caso, sem as palavras as imagens não teriam qualquer significado. Um vídeo publicado em plataformas como o Facebook, o Twitter e o YouTube mostra um conjunto de pessoas, muitas com traços fisionómicos asiáticos, a levantar o dedo indicador e a repetir palavras ditas por um palestrante.

É natural que, quem assista ao vídeo, que já foi visto dezenas de milhares de vezes nas últimas semanas, associe os gestos a qualquer espécie de culto religioso, porém o ritual só se torna claro através da legenda do clip, escrita em língua indonésia na publicação original: «Notícia de última hora, emitida por um canal chinês. Vinte milhões de chineses convertem-se ao islamismo depois de estar provado que o coronavírus não afeta islâmicos. Deus é grande, louvado seja Deus pela bênção ao Islão. O Islão é uma verdade.»

Apesar de a legenda do vídeo se encontrar em indonésio, foram publicadas outras versões em inglês e em malaio, o que ajudou as imagens a tornarem-se virais, numa altura em que o COVID-19 é assunto e preocupação em todas as partes do mundo.

Porém, o enviesamento religioso da publicação é evidente e fator de desconfiança sobre a verdade das palavras, isto porque têm sido dados a conhecer como factos verdadeiros o alcance do novo coronavírus, que já chegou a pelo menos 80 países e parece não escolher as vítimas de acordo com a religião. Aliás, o Irão, uma das nações mais afetadas pelo surto, é um país oficialmente islâmico.

Assim sendo, não é difícil concluir que a mensagem passada no vídeo, de que os islâmicos são imunes ao novo coronavírus, é falsa. Isto mesmo confirma o site de verificação de notícias da Agence France-Presse, que revela que as imagens são reais, mas não correspondem à legenda queé apresentada.

O enviesamento religioso da publicação é evidente e fator de desconfiança sobre a verdade das palavras, isto porque têm sido dados a conhecer como factos verdadeiros o alcance do novo coronavírus, que já chegou a pelo menos 80 países e parece não escolher as vítimas de acordo com a religião. Aliás, o Irão, uma das nações mais afetadas pelo surto, é um país oficialmente islâmico.

De facto, o vídeo mostra uma conversão à religião islâmica, mas em maio de 2019, praticamente um ano antes do surto de COVID-19, e feita exclusivamente por motivos religiosos. O momento foi, na altura, publicado no Facebook e mostra o grupo de pessoas a recitar uma declaração de fé ao Islão, condição essencial para a entrada no novo credo.

Além disso, por detrás da multidão é possível ver um cartaz, que surgiu mais de perto em outras fotografias nas redes sociais, também na mesma altura do ano passado. A faixa diz «Projeto Iftar na cidade industrial de Jeddah». Iftar é o ritual de quebrar o jejum ao pôr do sol durante o Ramadão, portanto não estava em causa qualquer ritual de conversão para prevenir doenças.

Avaliação do Polígrafo:

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