1. A Via Verde vai passar a cobrar serviços extra portagens?

“Um assalto” e “um abuso”. Estas são as palavras escolhidas por vários utilizadores da Via Verde que se dizem surpreendidos com as alterações na oferta de serviços da empresa. Segundo os internautas, a Via Verde vai passar a cobrar uma mensalidade adicional de 50 cêntimos aos clientes com assinatura por todos os serviços extra portagens de autoestrada, que eram até agora gratuitos.

“Quando comprei a Via Verde, não era este o contrato e podem ter a certeza que a vou devolver.”, escreve um dos utilizadores do serviço.

Mas estas alterações vão mesmo acontecer? A Via Verde vai passar a cobrar serviços extra portagens?

Sim, e a informação é confirmada ao Polígrafo pelo departamento de comunicação da Via Verde. De acordo com a empresa, os utilizadores da Via Verde receberam, nos últimos dias, uma mensagem de correio eletrónico a dar conta de uma série de alterações que entram em vigor no início do próximo ano.

A partir do dia 5 de janeiro, os serviços serão divididos em duas modalidades principais: a Via Verde Autoestrada e a Via Verde Mobilidade. Os clientes que optarem pela primeira modalidade vão continuar a pagar o mesmo que pagavam até agora, mas podem usar o serviço apenas para as portagens. Já se os utilizadores quiserem ter acesso a outros serviços - como é o caso do pagamento do estacionamento - terão de pagar mais 50 cêntimos por mês à Via Verde.

De acordo com a empresa, o objetivo destas alterações é “simplificar” e criar uma maior clareza sobre a oferta, “para o cliente poder escolher no seu melhor interesse”.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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2. Os clientes antigos vão ser transferidos automaticamente para as novas modalidades?

Sim, e os clientes já estão a ser informados por correio eletrónico. Os utilizadores estão a ser transferidos automaticamente para a nova modalidade Viva Verde Mobilidade mas, se quiserem optar pela modalidade que inclui apenas o valor das portagens, basta que informem a empresa por escrito no prazo de dez dias úteis a contar da receção do e-mail.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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3. A Via Verde vai ficar mais cara já a partir de janeiro para os clientes atuais?

Não. Em declarações ao Polígrafo, o departamento de comunicação da Via Verde esclarece que os atuais clientes terão direito a experimentar a nova modalidade de 5 de janeiro a 31 de março de 2022 sem pagar mais por isso. O porta-voz da Via Verde explica ao Polígrafo que durante o período experimental “não há nenhuma alteração” nos serviços prestados aos clientes.

No entanto, a partir de 1 de abril, os novos aderentes terão de optar entre a Via Verde Autoestrada, a Via Verde Mobilidade e uma terceira modalidade - a Via Verde Mobilidade Leve - destinada a quem utiliza estes serviços de forma ocasional, pagando apenas nos meses em que deles usufrui. Assim, os preços das novas modalidades entram em vigor a partir de 1 de abril de 2022 e aplicam-se aos novos clientes da Via Verde a partir dessa data.

“Aos clientes antigos só será aplicada a nova tabela de preços depois da renovação da sua subscrição que ocorra após 1 de abril de 2022”, esclarece o gabinete de comunicação da Via Verde.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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4. Quem comprou identificadores é obrigado a aderir às novas modalidades?

Não. A empresa garante que as novas modalidades aplicam-se apenas a quem tinha uma assinatura Via Verde, sendo que quem apenas comprou o identificador Via Verde “pode continuar a utilizá-lo como sempre utilizou”.

No entanto, a partir de 2022, vai deixar de ser possível comprar um identificador. Por isso, quando os identificadores deixarem de funcionar, os clientes terão de aceder às novas modalidades.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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5. Clientes vão ter acesso a novos serviços?

Sim, pelo menos é o que a empresa garante em resposta ao Polígrafo. O gabinete de comunicação da empresa recorda que nos últimos dez anos houve um investimento de dez milhões de euros no desenvolvimento de novos serviços e acrescenta que “no segundo semestre de 2022 vão ser lançados outros serviços adicionais”.

O responsável pela comunicação da empresa detida pela Brisa lembra ainda que a Via Verde surgiu “para facilitar a vida às pessoas” e sublinha que, até agora, os clientes tiveram acesso a novos serviços “sem nenhum acréscimo” nas mensalidades.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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Estas alterações mereceram críticas negativas dos internautas, mas também da Deco Proteste que, numa publicação na sua página na Internet, repudia “a prática comercial anunciada pela empresa, que sujeita os clientes a aumentos que chegam aos 50%, muito acima dos 3% previstos para a inflação, para manterem o acesso aos serviços que já tinham contratado com o operador”.

A Deco Proteste acusa a Via Verde de mascarar “agora o novo tarifário numa suposta reestruturação da oferta” e sublinha que “a Via Verde não acrescentou, afinal, qualquer serviço àquilo que já oferecia antes de 5 de janeiro”, o que, na perspetiva da organização, “apenas conduzirá os consumidores a pagarem muito mais caro pelo mesmo conjunto de serviços de que já dispunham”.

“Criticamos ainda a decisão da Via Verde em descontinuar a venda de identificadores, obrigando potenciais clientes a vincularem-se a assinaturas que não desejam e que, em muitos casos, acabam por ser mais dispendiosas para os utilizadores de autoestradas”, pode ler-se na nota da Deco Proteste.

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