1.

A teoria da conspiração:

Bill Gates previu a pandemia de Covid-19 em 2015.

A verdade:

A previsão terá surgido durante a intervenção do multimilionário numa TED Talk realizada em 2015. Nela, Bill Gates teria garantido que em breve a humanidade seria abalada por um surto com o qual não conseguiria lidar. O Polígrafo verificou o rumor e constatou que de facto Bill Gates fez uma TED Talk em 2015, intitulada"The next outbreak? We're not ready" ("A próxima epidemia? Não estamos preparados"). Nessa palestra, o fundador da Microsoft avisou que se eclodisse um surto epidémico o mundo não estaria preparado para o travar. Problema: em nenhum momento se referiu ao novo coronavírus.

bill gates

"Se alguma coisa matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas, é mais provável que seja um vírus altamente infeccioso e não uma guerra. Não mísseis, mas micróbios. (...) Investimos muito pouco num sistema para impedir uma epidemia. Não estamos prontos", afirmou na altura.

2.

A teoria da conspiração:

Gates afirmou que a vacina para a Covid-19 vai matar 700 mil pessoas em todo o mundo.

A verdade:

A denúncia percorreu o Facebook e o Twitter durante semanas, sobretudo em contas internacionais, mas também em Portugal: “Bill Gates admite que a vacina, sem dúvida, matará 700.000 pessoas. Até agora o vírus matou cerca de 300.000 em todo o mundo. Alguém me pode explicar por que tomaria uma vacina que mata mais pessoas do que o vírus?” Ideia central: não valia a pena investir numa vacina, tendo em conta que ela mataria mais pessoas do que aquelas que salvaria.

Trata-se, porém, de uma falsidade. Na entrevista à CNBC que é mencionada na denúncia, o que o magnata afirmou é substancialmente diferente daquilo que alegam as publicações. Por volta do minuto 11 da entrevista, a jornalista pergunta a Gates se acredita que existirá um fármaco em menos de 18 meses, ou seja, antes do final do ano de 2021. Gates responde que a vacina poderá surgir antes do prazo previsto, contudo é necessário “não criar falsas expectativas”, uma vez que “a vacinação em pessoas idosas é um grande desafio”.

bill gates

O empresário prossegue, sublinhando que “necessitamos de uma vacina que funcione nos grupos etários mais elevados, porque é onde as pessoas correm maiores riscos, e de modo a que as pessoas mais velhas não sofram efeitos secundários. Uma em cada 10 mil pessoas sofre efeitos secundários, e isso implica que mais de 700 mil vão senti-los”. O cálculo feito por Gates tem como base um cenário onde se conseguiriam produzir 7 mil milhões de vacinas, uma por cada habitante do planeta. Posto isto, o filantropo estava a referir-se a números relacionados com os efeitos secundários e não com óbitos na sequência da vacinação.

3.

A teoria da conspiração:

Bill Gates promoveu a esterilização de milhões de mulheres em África e causou uma epidemia de poliomielite que paralisou 500 mil crianças na Índia.

A verdade:

Foram postos a circular nas redes sociais vídeos de uma intervenção da deputada Sara Cunial no Parlamento da Itália, em que esta acusa Bill Gates de "esterilizar milhões de mulheres na África" e de ter causado "uma epidemia de poliomielite que paralisou 500 mil crianças na Índia".

As alegações são falsas.

No que respeita aos supostos 500 mil casos de poliomielite na Índia, trata-se mesmo de uma mentira grosseira. Segundo a Organização Mundial de Saúde, entre 2000 e 2017 foram registados 17 casos de poliomielite derivados da vacinação na Índia.

Bill gates

Quanto aos supostos planos de Bill Gates para reduzir a população mundial, trata-se de mais uma falsidade que circula desde há anos nas redes sociais, tendo aliás já sido desmentida pelo Polígrafo em artigo de verificação de factos publicado no dia 29 de setembro de 2019.

O equívoco tem origem numa apresentação de Bill Gates numa conferência TED realizada em fevereiro de 2010. Durante a palestra - intitulada como “Inovando para zero!” -, o fundador da Microsoft debateu sobre a importância de reduzir as emissões de dióxido de carbono na produção energética, de forma a combater o aquecimento global e melhorar as condições de vida para todos os países, especialmente para os países em desenvolvimento. Ao analisar a quantidade de CO2 libertado por cada cidadão, Bill Gates apelou à necessidade de “fazer alterações para trazer esse número para próximo de zero”.

Quando analisou a variante “Pessoas”, Bill Gates começou por dizer que “há 6,8 mil milhões de pessoas no mundo atualmente e está a encaminhar-se para nove mil milhões”, acrescentando que “se fizermos um ótimo trabalho em novas vacinas, no sistema de saúde, serviços de planeamento familiar, poderíamos diminuir isso, talvez, em 10 a 15%. Mas vemos um aumento de cerca de 1,3%”.

Ou seja, de facto Bill Gates referiu que “se fizermos um ótimo trabalho em novas vacinas, no sistema de saúde, serviços de planeamento familiar, poderíamos diminuir isso, talvez, em 10 a 15%”, como é citado na publicação em análise. No entanto, ao contrário do que se afirma no texto, o filantropo está a referir-se a uma diminuição de “10 a 15%” no crescimento populacional previsto e não no número de pessoas existentes no mundo.

4.

A teoria da conspiração:

Bill Gates financiou instituto que teria patenteado o novo coronavírus.

A verdade:

Num artigo publicado no site “Natural News” – e que rapidamente se tornou viral entre vários blogs e redes sociais, incluindo sites em língua portuguesa – afirmava-se que Bill Gates seria o responsável pela criação do vírus 2019-nCoV uma vez que o criador da Microsoft financia parcialmente o instituto que terá patenteado o vírus em 2014. “Acredite ou não a mutação de coronavírus que atualmente está se espalhando por toda a China e no exterior é um vírus patenteado que pertence a uma entidade chamada The Pirghright Institute, que é parcialmente financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates”, podia ler-se no artigo. A acompanhar o texto surgia uma imagem distorcida que transformava Gates num demónio de olhos vermelhos.

Esta informação é falsa. Porém, à semelhança de muitas fake news, tem algumas passagens verdadeiras. Comecemos pela patente referida: o instituto britânico The Pirbright detém desde 2014 a patente para uma versão adormecida do vírus IBV, que provoca bronquite infeciosa nas aves e, à semelhança do 2019-nCoV, também pertence à família dos coronavírus.

bill gates

Contactado pelo site brasileiro de fact-checking "Aos Fatos", o instituto explicou que a criação deste vírus adormecido constitui um avanço no desenvolvimento de uma vacina. “Muitas vacinas são produzidas desta maneira, da gripe à poliomielite. Não desenvolvemos até o momento uma vacina para o IBV, mas a pesquisa está em andamento”. Ou seja, existe de facto uma patente de um vírus da família corona, mas que em nada tem a ver com o 2019-nCoV, o responsável pela atual epidemia.

Além das investigações para a criação de uma vacina, Pirbright garantiu ainda ao "Aos Fatos" que estão atualmente envolvidos num projeto que ajuda os parceiros na Ásia e em África a isolar, identificar e tratar os casos do Coronavírus Wuhan.

Outra questão verdadeira neste artigo é o financiamento realizado pela Fundação Bill e Melinda Gates – a instituição de solidariedade gerida por Bill Gates e pela mulher – no Instituto The Pirbright. Segundo o site oficial do instituto, a Fundação Bill e Melinda Gates surge como financiadora, à semelhança de outras organizações mundiais como a Comissão Europeia, a Organização Mundial de Saúde (WHO, na sigla inglesa) e a Organização Mundial para a Saúde Animal (OIE, na sigla inglesa).

No entanto, não é possível identificar se o dinheiro investido por Gates foi usado nas pesquisas sobre o IBV ou se foi aplicado noutras investigações. A única parte que é verdade é que existe uma parceria entre ambas as entidades.

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