Valor médio da prestação de RSI cifra-se em 800 euros?

Em publicação no Facebook alega-se que é preferível receber "os 800 euros em média do RSI [Rendimento Social de Inserção] e tomar o pequeno-almoço nas pastelarias" do que "ganhar o salário mínimo" a trabalhar "oito horas por dia".

De acordo com os dados oficiais do Instituto de Segurança Social (ISS), no final do mês de janeiro de 2019 estavam registadas 219.194 pessoas a receber essa prestação social. O valor médio de RSI por beneficiário foi de 116,93 euros, enquanto por agregado familiar cifrou-se em 263,25 euros.

Consultando as tabelas do ISS verifica-se que, ao longo de 2019, o valor médio processado de prestação de RSI por beneficiário variou entre um mínimo de 116,92 euros euros em outubro e um máximo de 117,45 euros em abril. Quase sete vezes menos do que o valor indicado na publicação em análise.

Falso

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Giovani Rodrigues foi assassinado em Bragança por "um grupo de rapazes ciganos"?

Espalharam-se nas redes sociais múltiplas publicações denunciando que Giovani Rodrigues foi assassinado por "um grupo de rapazes ciganos".

No dia 17 de janeiro de 2020, cinco homens foram detidos por suspeita de estarem envolvidos na morte do estudante cabo-verdiano em Bragança. "Na sequência desta ação operacional, envolvendo investigadores e peritos da Polícia Judiciária, foram detidos cinco homens, com idades entre os 22 e os 35 anos, tendo sido apreendidos elementos probatórios relevantes", informou a Polícia Judiciária, através de um comunicado.

Em conferência de imprensa, Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária, declarou que "isto não se trata de um crime entre nacionais de um país ou de outro, entre raças, não se trata de nada disso. Trata-se de um crime que ocorreu cometido por gente violenta, num determinado contexto que foi aquele que já referi e, portanto, algumas das notícias que foram veiculadas, de uma forma minoritária, não têm qualquer consistência".

Falso

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Governo de Portugal tem 70 membros enquanto o da Finlândia tem apenas 15 membros?

Circula nas redes sociais uma publicação baseada em duas imagens, em forma de comparação entre o número de membros que compõem os atuais governos de Portugal (total de 70 membros) e da Finlândia (total de 15 membros).

No que respeita ao Governo de Portugal, confirma-se que tem 70 membros - englobando 20 ministros (incluindo o primeiro-ministro) e 50 secretários de Estado.

No que respeita ao Governo da Finlândia, porém, apesar de a imagem ser autêntica, estão atualmente em funções 19 ministros (incluindo a primeira-ministra) e 20 secretários de Estado, perfazendo um total de 39 membros (pode conferir aqui).

É verdade que o atual Governo de Portugal tem mais ministros e secretários de Estado do que o atual Governo da Finlândia, mas a diferença não é tão significativa (70-39 e não 70-15) como se sugere na publicação, apresentado uma fotografia incompleta do Governo da Finlândia em que nem sequer estão presentes todos os 19 ministros que o compõem.

Falso

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Os 10 países que entraram na UE em 2004 estão "prestes a ultrapassar Portugal no PIB per capita"?

De acordo com uma publicação nas redes sociais, "os 10 países que entraram na União Europeia em 2004 cresceram de tal forma nos últimos 15 anos que estão prestes a ultrapassar Portugal no PIB per capita, avisa a Comissão Europeia".

A publicação em causa limita-se a destacar uma notícia do "Jornal de Negócios" que, por sua vez, baseia-se no relatório de análise económica a Portugal (pode consultar aqui) divulgado ontem, dia 26 de fevereiro de 2020, pela Comissão Europeia.

Consultando a fonte primária, isto é, o relatório da Comissão Europeia, confirmamos a informação de que "o rendimento médio per capita em paridade de poder de compra para os 10 países que entraram na União Europeia em 2004 já está ao mesmo nível de Portugal, superando uma diferença de cerca de 17 pontos percentuais em 15 anos".

Estes números também podem ser conferidos na base de dados Pordata, tendo em atenção que os 10 países que entraram na União Europeia em 2004 foram os seguintes: República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia, Eslovénia (perfazendo oito da Europa de Leste), Malta e Chipre (perfazendo dois do Mediterrâneo).

É notória a evolução negativa de Portugal, em contraste com a evolução positiva dos referidos 10 países, isto em termos relativos.

Verdadeiro

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A gripe de Inverno é tão ou mais letal do que o novo coronavírus?

Circulam nas redes sociais várias publicações indicando que a taxa de letalidade associada ao Covid-19 é igual ou menor à da banal gripe de Inverno (ou sazonal). Esta ideia tem sido também veiculada em artigos de opinião nos jornais e comentários nas estações de televisão.

Até ao momento [artigo publicado no dia 2 de março de 2020], um dos estudos mais consistentes sobre o novo coronavírus (denominado como Covid-19analisou dados sobre o desenvolvimento da epidemia na China até ao dia 11 de fevereiro e aponta para uma taxa de letalidade de 2,3% (1.023 mortes em 44.672 casos confirmados).

Ou seja, é uma taxa de letalidade mais de 20 vezes superior à da gripe de Inverno (ou sazonal) ao nível mundial.

De acordo com o mesmo estudo, a taxa de letalidade entre os infetados com mais de 80 anos de idade é de 14,8% (208 mortes em 1.408 casos confirmados), baixando para 8% na faixa etária entre os 70 e os 79 anos de idade (312 mortes em 3.918 casos confirmados). No que concerne aos "casos críticos", em que a infeção se torna grave, a taxa de letalidade é de 49% (1.023 mortes em 2.087 casos confirmados).

Importa porém ressalvar que a grande maioria, ou mais especificamente 81% dos casos confirmados de Covid-19 na China, até ao dia 11 de fevereiro, foram moderados. Isto é, não se desenvolveram até à situação mais grave de pneumonia. Aliás, os respetivos sintomas podem ser tão leves que se confundem com os de uma gripe de Inverno.

Falso

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Estado dá 800 euros a "um refugiado" e 300 euros a "um reformado que trabalhou 40 anos"?

"Racismo é darem 800 euros mensais a um refugiado e 300 euros a um reformado que trabalhou 40 anos", denuncia-se em publicação que se propagou nas redes sociais, partilhada por centenas de pessoas.

De acordo com as normas em vigor, "à pensão de velhice no regime geral, a partir de 1 de janeiro de 2019, são garantidos os seguintes valores mínimos de acordo com a carreira contributiva do pensionista: menos de 15 anos, 273,79 euros; 15 a 20 anos, 286,78 euros; 21 a 30 anos, 316,45 euros; 31 e mais anos, 395,57 euros".

Quanto aos 800 euros por mês que alegadamente recebe um refugiado, segundo esclareceu Mónica Frechaut, vice-presidente da Assembleia Geral do Conselho Português para os Refugiados, "um refugiado reinstalado, ou seja, aqueles que vêm no âmbito de um programa específico do Estado português, têm direito a um apoio pecuniário de 150 euros por pessoa. Quanto maior o agregado familiar, maior o apoio. Pode haver pessoas a receber 900 euros, mas aí estamos a falar de agregados muito grandes. Importa ressalvar que este programa tem uma duração de 18 meses".

Como tal, um refugiado, sozinho, não recebe 800 euros por mês. Seria necessário que se tratasse de um agregado familiar de cinco pessoas para que o montante se cifrasse em 750 euros (150 x 5) por mês, ou de seis pessoas para chegar aos 900 euros.

Falso

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Peso do setor do Turismo no PIB de Portugal é um dos mais elevados do mundo?

Publicação nas redes sociais apresenta um gráfico com o peso do setor do Turismo no PIB de vários países, com Portugal em destaque no topo da escala, acima de 12%. No gráfico, Portugal está no topo da escala, acima de 12% do PIB, seguindo-se a Espanha, México, França, Suécia, Áustria, Indonésia, Alemanha, África do Sul, Estados Unidos da América, Canadá, Dinamarca e Japão, estes três últimos com apenas 2%.

Entre os 36 países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), de facto, Portugal é o que apresenta uma maior percentagem do PIB resultante do setor do Turismo, mais concretamente 12,5% em 2016, de acordo com os dados mais recentes compilados pela OCDE.

Na tabela da OCDE seguem-se a Croácia com 11,4%, a Espanha com 11,3% (ou 11,7% em 2019), o México com 8,5% e as Filipinas também com 8,5%.

O peso do setor do Turismo no PIB de Portugal entretanto continuou a aumentar, tendo alcançado 13,7% em 2017, de acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) que ainda não estão na base de dados da OCDE.

Verdadeiro

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O novo coronavírus "não se propaga no ar" e "qualquer máscara impede a sua entrada no organismo"?

Espalhou-se pelas redes sociais e também através de correio eletrónico um suposto "comunicado da UNICEF" sobre o novo coronavírus, indicando que "é maior do que o normal" e por isso "qualquer máscara impede a sua entrada no organismo", "não se propaga no ar" e "só vive nas mãos durante 10 minutos", entre outras alegações erradas, imprecisas ou enganadoras.

"O coronavírus é maior do que o normal; o diâmetro da célula é de 400 a 500 microns e, por esse motivo, qualquer máscara impede a sua entrada no organismo", começa por se salientar no "comunicado da UNICEF". O Polígrafo confirmou junto da Direção-Geral da Saúde (DGS) que esta alegação é completamente falsa.

"O vírus não se propaga no ar", garante-se logo a seguir. De acordo com a DGS, porém, o vírus propaga-se através de gotículas ou secreções emitidas por pessoas doentesquando se espirra ou tosse, ou por contacto direto com secreções contaminadas (boca, nariz e olhos).

"A água que esteja exposta ao Sol poderá ser consumida sem qualquer perigo", indica-se a seguir. Ao que a DGS responde que é falso. Só pode ser consumida água potável. A exposição solar não é um meio de desinfecção da água.

"Evitar comer gelados ou pratos frios; os alimentos quentes são mais seguros, visto que o calor elimina o vírus", recomenda-se. É falso, não tem qualquer relação. Tal como "gargarejar com água morna ou salgada mata os vírus que se alojem nas amígdalas e evita que passem para os pulmões", uma vez que, segundo a DGS, a infedção pulmonar ocorre após inalação de gotículas contendo o vírus.

"Estas medidas são suficientes para evitar a ocorrência e propagação do vírus em qualquer parte do mundo", conclui-se. Falso, sinaliza a DGS, aconselhando a seguir as recomendações oficiais divulgadas através do seu portal.

Falso

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Os deputados de Portugal são "40 vezes mais caros" do que os deputados de Espanha?

É uma publicação de meados de 2018, mas entretanto voltou a espalhar-se nas redes sociais, partilhada por centenas de pessoas. "Deputado português 40 vezes mais caro do que um deputado espanhol", denuncia-se no respetivo título.

No que respeita à Assembleia da República, em Portugal, no respetivo orçamento para 2018 programou um gasto total de 104,9 milhões de euros, tal como se indica na publicação.

Quanto às Cortes Gerais, em Espanha, para 2018 programou um gasto total de 54 milhões de euros, tal como é referido na publicação. Contudo, além do orçamento das Cortes Gerais, há mais dois orçamentos para cada uma das câmaras (alta e baixa) que compõem as Cortes Gerais. O Congresso dos Deputados (câmara baixa) teve um orçamento de cerca de 39 milhões de euros em 2o18, ao passo que o Senado (câmara alta) teve um orçamento de cerca de 54,1 milhões de euros no mesmo ano.

Ou seja, no total, as Cortes Gerais de Espanha gastaram mais de 147 milhões de euros em 2018, enquanto a Assembleia da República de Portugal despendeu cerca de 105 milhões de euros. No caso de Espanha, acrescem as 17 comunidades autónomas e respetivos parlamentos (em Portugal há apenas duas assembleias regionais das regiões autónomas da Madeira e dos Açores).

E em 2020? Este ano, o orçamento das Cortes Gerais tem uma despesa prevista de cerca de 55,6 milhões de euros, ao passo que o Congresso dos Deputados programa gastos de cerca de 86,9 milhões de euros e o Senado aponta para 54,1 milhões de euros. Ou seja, no total, as Cortes Gerais de Espanha deverão gastar mais de 196,6 milhões de euros em 2020.

Por seu lado, a Assembleia da República, em Portugal, tem orçamentada para 2020 uma despesa total de cerca de 88,1 milhões de euros.

Falso

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As despesas do Estado na Saúde em percentagem do PIB diminuíram nos últimos anos?

Surgiu nas redes sociais um gráfico com a suposta evolução decrescente das despesas do Estado na Saúde, em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), entre 2015 e 2018.

De facto, no que concerne às despesas do Estado na Saúde, a execução orçamental em percentagem do PIB tem vindo a decrescer ano após ano desde 2012 (pode consultar aqui os dados compilados na Pordata).

No ano de 2012, em pleno período de resgate da troika, as despesas do Estado na Saúde atingiram um pico de 6,2% do PIB, caindo para 4,7% do PIB em 2015, no final da legislatura em que exerceu funções o Governo liderado por Pedro Passos Coelho.

Em 2016, no primeiro ano completo do anterior Governo liderado por António Costa, as despesas do Estado na Saúde mantiveram-se no mesmo nível de 4,7% do PIB, atendendo à execução orçamental. No entanto, viriam a baixar para 4,5% do PIB em 2015 e 4,4% do PIB em 2018.

Ou seja, a publicação sob análise difunde informação verdadeira. Confirma-se que as despesas do Estado na Saúde diminuíram ao longo dos últimos anos, em termos de execução orçamental em percentagem do PIB. Por outro lado, importa salientar que o PIB tem vindo a aumentar ano após ano desde 2013, na sequência de uma queda abrupta em 2011 e 2012.

Verdadeiro, Mas...

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Coronavírus: Imagem viral de praça repleta de caixões em Itália é autêntica?

Publicação com mais de 8,3 mil partilhas mostra uma praça repleta de caixões em Itália, supostamente com vítimas da pandemia de Covid-19. O autor da publicação questiona: "Será que se nós partilharmos esta imagem de Itália as pessoas mudam de comportamento?" E mais de 8,3 mil utilizadores do Facebook já o fizeram, tornando-se uma imagem viral.

A imagem em causa está a ser partilhada como tendo sido captada recentemente na Itália, mostrando uma praça repleta de caixões, supostamente com vítimas mortais de Covid-19. Mas através de uma pesquisa na aplicação TinEye verificamos que a fotografia é antiga, tendo sido captada na cidade de L'Aquila, a capital da região de Abruzzo, Itália, em abril de 2009.

A fotografia é da autoria do fotojornalista Carlo Ferraro, da European Pressphoto Agency (pode conferir aqui), não tendo qualquer relação com a atual pandemia de Covid-19.

Na verdade retrata um conjunto de 205 caixões, alinhados no pátio de uma academia de polícia em L'Aquila, com vítimas mortais do sismo ocorrido naquela região, na madrugada de 6 de abril de 2009. O sismo provocou a morte de 309 pessoas, além de 1.600 feridos.

Falso

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A hidroxicloroquina "cura a Covid-19" mas há uma conspiração de Gates e Fauci para a proibir?

"Hidroxicloroquina, o medicamento que não estava nos planos da Ordem Mundial", destaca-se no título de uma publicação que circula nas redes sociais. No texto descreve-se uma conspiração da "Cabala Escura", supostamente liderada por Bill Gates e Anthony Fauci, contra o medicamento que é barato e "cura a Covid-19". Objetivo? "Vender a sua vacina 'chipada', cheia de químicos prejudiciais à saúde humana".

Mas não se confirma que o novo coronavírus tenha sido criado artificialmente em laboratório, ao contrário do que alegam múltiplas teorias de conspiração nas redes sociais. No dia 17 de março de 2020, aliás, foi publicado um estudo científico que demonstra a origem natural do SARS-CoV-2, o novo coronavírus que provocou a pandemia de Covid-19 à escala global.

"As nossas análises demonstram claramente que o SARS-CoV-2 não é uma construção em laboratório nem um vírus propositadamente manipulado", garantem os autores do estudo.

Quanto à hidroxicloroquina, a Direção-Geral da Saúde (DGS) informa que esse medicamento, a par do Remdesivir e do Lopinavir/Ritonavir, "são terapêuticas antivirais experimentais, porque ainda não têm evidência científica para esta indicação terapêutica específica (Covid-19)".

Falso

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Francisco Louçã tem "um tacho" remunerado no Banco de Portugal?

Espalharam-se pelas redes sociais várias publicações denunciando que Francisco Louçã, um dos fundadores e antigo líder do Bloco de Esquerda (BE), tem "um tacho" (isto é, um cargo remunerado) no Banco de Portugal.

De facto, no dia 23 de fevereiro de 2017, o Conselho de Ministros aprovou quatro novos nomespropostos pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal (BdP), entre os quais o ex-deputado Francisco Louçã.

Ao contrário do que se alega nas publicações sob análise, porém, as funções de Louçã no Conselho Consultivo do BdP não são remuneradas. Tal como o próprio, aliás, já sublinhou em mensagem publicada no dia 17 de junho de 2019, a partir da qual extraímos o desmentido: "Sou membro do Conselho Consultivo do Banco, o que implica participar duas vezes por ano numa reunião para discutir as contas da instituição. Não recebo um cêntimo por isso. Não tenho gabinete. Não tenho acesso a serviços do BdP".

Outro dos artigos mais lidos do Polígrafo em 2020 também envolveu Louçã, nesse caso a alegação (igualmente falsa) de que se teria reformado aos 55 anos de idade e receberia subvenção vitalícia de 3.500 euros mensais por ser ex-político.

Falso

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Portugal recebeu "meio milhão de refugiados" enquanto há "600 mil portugueses inscritos no Banco Alimentar"?

Em publicação que está a espalhar-se nas redes sociais, partilhada por centenas de pessoas, difunde-se a seguinte mensagem: "Meio milhão de refugiados importados pelo PS a receberem cama, mesa e roupa lavada; 600.000 portugueses inscritos no Banco Alimentar".

Quanto ao número de refugiados acolhidos em Portugal, de acordo com um comunicado conjunto do ministro da Administração Interna e da ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, emitido no dia 19 de junho de 2019, o Estado português tinha acolhido até então, no âmbito de vários programas e desde 2015, um total de 1.870 refugiados.

Ou seja, entre o número real (1.870) e o número evocado na publicação sob análise (500.000) verifica-se uma diferença de 498.130 pessoas.

Este documento foi emitido há um ano, mas o número de refugiados acolhidos desde então não aumentou substancialmente. De acordo com os dados mais recentes do CPR - Conselho Português para os Refugiados, essa organização acolheu um total de 2.856 refugiados nos últimos cinco anos.

No que concerne aos inscritos no Banco Alimentar, no dia 30 de abril de 2020, a Agência Lusa informou que "os 12.060 pedidos que já chegaram ao Banco Alimentar desde o início da pandemia de Covid-19 abrangem cerca de 58 mil pessoas", de acordo com Isabel Jonet, presidente dessa instituição particular de solidariedade social.

Ou seja, entre o número real (58.000) e o número evocado na publicação sob análise (600.000) verifica-se uma diferença de 542.000 pessoas.

Falso

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Governo prometeu acelerar pagamentos do Estado aos fornecedores mas essa dívida aumentou durante a pandemia?

Em publicação nas redes sociais denuncia-se que "o Governo mentiu e aumentou mesmo a dívida a fornecedores em 64 milhões de euros, entre março e abril, não cumprindo a promessa para que as empresas tivessem mais liquidez neste tempo de crise".

A publicação em causa baseia-se na manchete da edição de 13 de junho do "Jornal de Notícias", com o seguinte título: "Governo quebra promessa e aumenta dívida a fornecedores".

"Em plena pandemia, com muitas empresas a denunciar falta de dinheiro em caixa, o Estado aumentou a dívida aos fornecedores, contrariando uma promessa feita pelo Governo no dia 13 de março. A execução orçamental mostra que o stock de dívida cresceu 64 milhões entre março e abril, totalizando 1.624 milhões de euros. Dentro deste bolo, as dívidas a mais de 90 dias eram de 477 milhões em abril, mais 44 milhões do que no mês anterior. Reunir recursos para libertar liquidez para as empresas tem sido possível, já que o Estado vai gastar, por exemplo, 1.100 milhões de euros em 2020 só com o lay-off", informa-se na referida notícia.

De facto, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, tinha prometido acelerar os pagamentos do Estado às empresas fornecedoras, no dia 13 de março.

"Foram igualmente decididas medidas de aceleração de pagamentos às empresas pela Administração Pública, e pelo Portugal 2020, que praticará o pagamento de incentivos no prazo de 30 dias, prorrogará o prazo de reembolso de créditos concedidos no âmbito do QREN ou do PT 2020, e permitirá a elegibilidade de despesas suportadas com eventos internacionais anulados", garantiu-se no comunicado do Conselho de Ministros emitido nesse mesmo dia.

Verdadeiro

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Na cerimónia do 25 de abril no Parlamento não foram cumpridas regras de distanciamento físico?

Difundiu-se nas redes sociais uma publicação que mostra uma suposta imagem da última sessão solene comemorativa do 25 de abril na Assembleia da República, com os deputados, governantes e convidados a desrespeitarem, aparentemente, as regras de distanciamento físico aplicadas no âmbito da pandemia de Covid-19 em curso.

De facto, a imagem em destaque não foi captada no dia 25 de abril de 2020. Basta atentar na tribuna ocupada pelos membros do Governo, onde ainda estão presentes a então ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa - que se demitiu em outubro de 2017 -, ou o então ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes - que se demitiu em outubro de 2018. Ou seja, desde há 2/3 anos que já não são membros do Governo.

Apesar da pandemia de Covid-19, a sessão solene comemorativa do 25 de abril não deixou de se realizar na Assembleia da República, mas em versão reduzida: apenas 46 deputados, 16 convidados e quatro membros do Governo.

Ao contrário do que se sugere com a exibição da imagem mais antiga, os participantes na cerimónia deste ano cumpriram as regras de distanciamento físico. Há várias imagens captadas por fotojornalistas - além de reportagens televisivas - que comprovam esse facto.

Falso

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Imagem viral de gesto obsceno da ministra da Cultura é autêntica?

Espalhou-se pelas redes sociais uma imagem em que a ministra da Cultura, Graça Fonseca, parece estar a fazer um gesto obsceno, durante um evento oficial não especificado.

Confirma-se que a imagem é autêntica? Não. Trata-se de uma manipulação grosseira.

Através de pesquisas em aplicações como a TinEye identificámos a origem da imagem falsificada em artigos do "Jornal Económico" sobre a ministra da Cultura.

A fotografia original é da autoria da fotojornalista Cristina Bernardo e foi captada no decurso de um almoço-debate do International Club of Portugal, realizado no dia 31 de julho de 2019.

Falso

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Ana Gomes usufrui de subvenção vitalícia e por isso não diz sequer "uma palavra" contra tal privilégio?

O anúncio da candidatura de Ana Gomes à Presidência da República originou múltiplas publicações nas redes sociais, entre as quais uma mensagem em que se critica a ex-eurodeputada por "usufruir de um rendimento dourado" e não proferir "nem uma palavra sobre acabar com subvenções".

No entanto, consultando a lista oficial dos atuais beneficiários de subvenção mensal vitalícia, divulgada na página da Caixa Geral de Aposentações, verificamos que há um nome parecido, o de Ana Carolina Gomes Silva, mas sem qualquer relação com Ana Maria Rosa Martins Gomes, candidata à Presidência da República.

A similitude do nome próprio e de um dos apelidos terá originado o aparente equívoco de se alegar que Ana Maria Rosa Martins Gomes usufrui de subvenção mensal vitalícia. É uma alegação claramente falsa.

Quanto a Ana Carolina Gomes Silva, trata-se de uma antiga deputada à Assembleia Legislativa Regional dos Açores, eleita nas listas do PSD. A subvenção mensal vitalícia de 999,51 euros foi-lhe atribuída em 2001, encontrando-se atualmente "suspensa", de acordo com o "regime legal aplicável".

Falso

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Marcelo Rebelo de Sousa disse que a pandemia "é uma invenção" e serve para "controlar" os cidadãos?

Está a propagar-se nas redes sociais um vídeo em que o Presidente da República surge a afirmar que "não há peste, é uma invenção! Não há peste nenhuma! As pandemias têm uma coisa que é a seguinte: as medidas são fundamentais para conter, para controlar". Trata-se de um vídeo manipulado ou adulterado a partir da mais recente entrevista de Rebelo de Sousa à RTP, utilizando a sua voz (autêntica) e frases descontextualizadas para enganar.

"Não há peste! Veja bem como isto a História se repete… Não há peste, é uma invenção! Não há peste nenhuma! As pandemias têm uma coisa que é a seguinte: as medidas são fundamentais para conter, para controlar. E as grandes potências do mundo, nomeadamente democráticas que é mais difícil controlar em democracia, é mais fácil em ditaduras", afirma Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, no vídeo em causa. A voz parece ser autêntica.

A partir das imagens de fundo do vídeo e também da voz do interlocutor - a saber, António José Teixeira, jornalista e diretor de informação da RTP - verifica-se que foi extraído a partir da mais recente entrevista que Rebelo de Sousa concedeu à RTP, no dia 2 de novembro de 2020.

Ora, analisando os gestos do entrevistado, além de uma breve interjeição do jornalista pelo meio, conseguimos verificar que o vídeo foi manipulado ou adulterado a partir de um momento específico da entrevista original.

Ou seja, Rebelo de Sousa não disse que a pandemia "é uma invenção" e serve para "controlar" os cidadãos. Pelo contrário, alertou para o problema das "posições negacionistas" que estão a afetar a coesão da sociedade, no decurso de uma pandemia em que "estão todos no mesmo barco".

Manipulado

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Fim-de-semana prolongado: Costa e Marcelo estiveram de Férias na Comporta e no Algarve?

Espalharam-se pelas redes sociais múltiplas publicações denunciando que o primeiro-ministro António Costa e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, terão estado de Férias na Comporta e no Algarve, respetivamente, no fim-de-semana prolongado (com tolerância de ponto na segunda-feira e feriado na terça-feira) em que estava em vigor o recolher obrigatório entre as 13h e as 5h, além da proibição de deslocações entre concelhos.

Questionado pelo Polígrafo, o gabinete do primeiro-ministro António Costa garantiu que não é verdade. "Desmente-se categoricamente essa informação. O primeiro-ministro não está de Férias e neste período tem estado sempre no concelho da sua área de residência, pelo que a informação veiculada é absolutamente falsa", respondeu.

Por sua vez, o gabinete do Presidente da República assegurou que tal alegação "é mentira", uma vez que Marcelo Rebelo de Sousa "esteve em Belém" durante os dias em causa.

Concluímos assim que este rumor viral nas redes sociais é completamente falso. Nem Costa esteve de Férias na Comporta, nem Rebelo de Sousa esteve de Férias no Algarve, durante o fim-de-semana prolongado entre os dias 28 de novembro e 1 de dezembro.

Falso

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