Muitas das publicações que nos chegam diariamente através do Facebook têm um objetivo e é cada vez mais importante estar atento à origem e à intenção que motiva uma partilha. No caso das páginas a questão vai mais longe. Uma vez que “qualquer pessoa pode criar uma”, explica o centro de Ajuda do Facebook – exceto quando se trata de uma página de negócios, marcas e figuras públicas em que “apenas os representantes oficiais” têm autoridade para a criar –  há cada vez mais comunidades criadas em torno de crenças, ideologias ou simplesmente gostos comum.

E se descobrisse que as páginas que segue regularmente foram criadas especificamente para o atrair e promover ideologias xenófobas? Numa investigação desenvolvida pela plataforma de fact-checking norte-americana Snopes, foram identificadas 24 páginas de Facebook – um número que pode ser ainda mais elevado – que pertenciam a um grupo evangélico radical dos Estados Unidos e que utilizavam nomes falsos para poder chegar às mais vastas comunidades.

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créditos: Pixabay

“Negros a favor de Trump”, “Judeus e Cristãos pela América”, “Mulheres a favor de Trump” eram alguns dos exemplos de páginas que recorrentemente publicavam conteúdos islamofóbicos. A gerir estas páginas estava o ativista evangélico radical Kelly Monroe Kullberg que, como reforça o Snopes, não era nem negro, nem judeu, nem mulher. Ou seja, as páginas criadas por Kullberg tinham como objetivo desenvolver o sentimento de identificação entre os utilizadores do Facebook e disseminar as suas ideologias radicais.

As páginas partilhavam a ideologia de um pequeno grupo radical como se fossem representativas da comunidade que afirmavam ser.

Esta prática vai contra os princípios do Facebook, que proibiu os comportamentos inautênticos coordenados, ou seja “quando grupos de páginas ou pessoas trabalham em conjunto para enganar os outros sobre quem são e o que estão a fazer”. Nathaniel Gleicher, diretor do departamento de Políticas de Cibersegurança do Facebook, explicou ao Snopes que este comportamento não é “exclusivo do Facebook” e existe há centenas de anos. Porém, depois da polémica sobre a influência da propaganda russa nas eleições dos Estados Unidos, a plataforma tem vindo a reforçar o combate desta prática. “Quando eliminamos uma destas redes é por causa do comportamento enganador, não é por causa do conteúdo que partilham. As publicações podem não ser falsas e ir contra os padrões das nossas comunidades”, acrescenta.

No  último ano foram fechadas centenas de contas por comportamentos inautênticos coordenados. Numa operação realizada em outubro de 2018 foram fechadas de uma só vez 559 páginas e 251 contas, anunciou o Facebook.

Há diversas motivações para esta prática: ideológica, financeira ou simplesmente para partilhar links de spam e vírus. Os riscos que acarretam são ainda mais perigosos. No caso concreto da comunidade investigada pelo Snopes, as páginas partilhavam a ideologia de um pequeno grupo radical como se estas se fossem representativas da comunidade que afirmavam ser, o que pode motivar discursos de ódio entre os diferentes grupos. As estratégias de desinformação acabam também por atrair apoio financeiro – neste caso, William Mills, do Partido Republicano, que esteve também ligada à candidatura de Ben Carson financiou e explorou a rede criada por Kullberg. Através destas páginas os partidos políticos podem disfarçar a origem dos anúncios políticos no Facebook.

facebook
créditos: Pixabay

Apesar de a plataforma de Mark Zuckerberg não se ter pronunciado sobre este caso concreto, sabe-se que durante o último ano foram fechadas centenas de contas por comportamentos inautênticos coordenados. Numa operação realizada em outubro de 2018 foram fechadas de uma só vez 559 páginas e 251 contas, anunciou o Facebook.

A finalizar, um conselho: se encontrar publicações sucessivas que não estão em conformidade com a descrição apresentada na página, pode apresentar uma denúncia ao Facebook. Recorde-se que atrás de um computador qualquer pessoa pode afirmar ser algo que na verdade não é.

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