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Fogo próximo? Como proteger a saúde do fumo dos incêndios

Irritação nos olhos, agravamento de problemas respiratórios e desmaios são alguns dos possíveis efeitos negativos da exposição ao fumo dos incêndios florestais. Conheça os cuidados a ter para evitar ou minimizar estes impactos.

O cenário repete-se todos os anos. Em agosto, os incêndios florestais ocupam os principais espaços noticiosos na televisão, na rádio, nos jornais e online. A cada hora, dá-se nota do número de hectares ardidos, de casas em risco e de operacionais no terreno. Mas há outras contas a fazer: as dos potenciais impactos do fumo dos incêndios na saúde da população. Que riscos são esses? E como pode proteger-se caso viva numa zona próxima de um incêndio?

Quais os efeitos negativos do fumo dos incêndios na saúde?

Dos pulmões ao coração, são vários os órgãos que podem ser afetados quando estamos expostos ao fumo dos incêndios.

Num guia explicativo publicado no balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24), explica-se que “a exposição e inalação do fumo de incêndios florestais pode provocar alterações respiratórias, cardíacas, neurológicas e oftalmológicas”.

Estas alterações, adianta-se no mesmo texto, “podem ocorrer devido ao calor (queimaduras) ou à irritação/toxicidade causada pelos componentes químicos do fumo”.

Algumas das complicações que podem surgir pela exposição ao fumo dos incêndios passam, por exemplo, por: “irritação dos olhos, do nariz e da garganta”, “aumento das secreções/expectoração” e “tosse persistente”.

Este cenário pode também provocar “inflamação e estreitamento das vias respiratórias (edema)” e “doenças respiratórias, como a bronquite” ou levar ao “agravamento de doenças do coração e respiratórias”.

Além disso, podem ocorrer “alterações do estado de consciência”, como “fraqueza, sonolência ou desmaio”.

Os riscos da exposição ao fumo dos incêndios dependem de vários fatores – “como o nível e a duração da exposição, a idade da pessoa e a suscetibilidade individual” – e podem afetar qualquer pessoa.

Ainda assim, existem grupos da população com maior risco de desenvolver complicações: “idosos”, “crianças”, “grávidas” e “pessoas com história de doenças cardiovasculares ou respiratórias”.

Como proteger a saúde do fumo dos incêndios?

Como em tudo o que diz respeito à saúde, os principais cuidados a ter passam pela prevenção. Isto é, antes de mais, é necessário evitar ao máximo a exposição ao fumo dos incêndios.

Para tal, recomenda-se no guia explicativo do SNS 24, quem vive numa zona de risco elevado de incêndio ou faz parte de um grupo vulnerável deve “ter alguns produtos em stock” – como “alimentos que não precisem de refrigeração”, a sua “medicação habitual” e algumas “máscaras de proteção N95” – para “evitar saídas desnecessárias”.

Além disso, é importante “garantir um bom isolamento das portas e janelas de acesso ao exterior”.

O SNS 24 aconselha ainda que, “caso tenha ar condicionado, garanta um ambiente fresco, de preferência com modo de recirculação de ar” dentro da habitação.

Outra medida preventiva a adotar é “definir um plano de evacuação em caso de agravamento da situação e partilhá-lo com as pessoas com quem vive”.

Ao mesmo tempo, deve manter-se “atento aos meios de comunicação e informar-se das notícias locais”.

É também recomendado “evitar a utilização de fontes de combustão dentro de casa, tais como, aparelhos a gás ou lenha, tabaco, velas e incenso”.

Na secção do site dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América (CDC) dedicada aos efeitos do fumo dos fogos florestais na saúde, sublinha-se que as máscaras para pó  – à venda, por exemplo, em lojas de ferramentas – “não protegem os pulmões do fumo”.

Por isso, caso não consiga evitar a exposição ao fumo, o ideal é utilizar uma “máscara N95”, tal como se aconselha na página do SNS 24.

Por fim, há três linhas telefónicas que podem ser úteis nesta situação, cada uma com a sua função.

Caso precise de mais informações gerais, deve ligar para o SNS 24 (808 24 24 24). Se precisar de esclarecimentos no caso de intoxicação, deve ligar para o CIAV – Centro de Informação Antivenenos (800 250 250). Em caso de emergência, o número a contactar é o do INEM (112).

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