Quarta semana de confinamento, terceira semana de "estado de emergência", dias que parecem ter muito mais de 24 horas e uma época que grande parte da população só quer que chegue ao fim. Mas o futuro, esse, é ainda incerto. O que é certo, por agora, é que não existe nem vacina, nem tratamento específico para a Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus. Por isto mesmo, a preocupação das autoridades de saúde é conter a pandemia.

Logo no início do surto, a Direção-Geral da Saúde (DGS) garantiu que as únicas formas de evitar a contaminação seriam o distanciamento social, a higiene respiratória - nomeadamente tossir e espirrar para o cotovelo - e tomar especial atenção à lavagem das mãos que deve ser mais cuidada e frequente. Porém, ao longo dos últimos meses, a Internet esforçou-se por encontrar formas alternativas e milagrosas de prevenção, as quais não passaram de uma mão cheia de nada que pode, até, colocar em risco quem se encontra de boa saúde. Destacamos aqui os mitos mais persistentes.

 

Gargarejar com água salgada

Pode aliviar a dor de garganta, uma vez que o sal tem propriedades anti-inflamatórias, mas não serve para nada mais do que isso, muito menos funciona como terapêutica útil para prevenir a infeção pelo novo coronavírus. Várias publicações nas redes sociais tentaram convencer os utilizadores de que gargarejar com água morna, sal ou vinagre eliminaria o microorganismo, pelo facto de este se manter durante quatro dias na garganta, antes de atingir os pulmões. Contudo, é mentira, uma vez que não existem evidências científicas nem de que o sal ou o vinagre inativem o vírus, nem de que ele se aloje na garganta, antes de descer até ao sistema respiratório. Este mito já foi desmentido pelo Polígrafo, em meados de março.

 

Beber lixívia

É provável que a lógica desta teoria tenha sido a seguinte: se desinfeta superfícies e inativa o vírus, deve ter o mesmo efeito se for ingerido. Pois bem, beber lixívia não só não previne contra a Covid-19, como é uma ameaça séria à saúde de quem o faça. Parece patético que se tenha sugerido que o hipoclorito de sódio, a base da lixívia, poderia evitar o vírus. Ainda assim, o mito foi visto por tantos como uma verdade absoluta que a Food and Drug Administration (FDA), a agência de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos da América (EUA), foi obrigada a lançar vários alertas para o perigo de ingerir o detergente que pode causar a falência do fígado. O site de verificação de factos "Politifact" refutou este boato no mês de janeiro.

 

Fumar canábis

Bem, consumir marijuana pode, no limite, fazer esquecer a dramática crise sanitária que o mundo atravessa, mas não previne a infeção por Covid-19. É um facto que a droga, na sua versão medicinal, é utilizada em muitos países, incluindo Portugal, para atenuar alguns tipos de dor crónica, mas não é eficaz para evitar o coronavírus.

 

Consumir cocaína

Inalar esta droga, ou fazê-la penetrar no organismo de outra maneira, estimula o sistema nervoso, vicia, pode levar a distúrbios de movimento (como a doença de Parkinson) e pode causar  problemas respiratórios a longo prazo, pelo que não é plausível que alguma vez seja utilizada como antídoto para o novo coronavírus. O qual afeta, sobretudo, os pulmões. Isto mesmo foi confirmado pelo site de verificação de factos "Boatos.org", do Brasil.

 

 

Tomar shots de vitamina C

O ácido ascórbico, vulgarmente designado como vitamina C, pode ajudar a prevenir doenças comuns, mas não existe qualquer suporte científico de que, mesmo em altas quantidades, possa retardar ou evitar a infeção com o novo coronavírus. A inviabilidade desta mezinha foi sublinhada pela própria diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em declarações ao Polígrafo.

 

Ingerir água morna com limão

A recomendação terá chegado de um professor, presidente do Conselho de Administração do Hospital Militar de Pequim, China. Teria tudo para ser credível, uma vez que se trata de um médico que exerce no país onde a pandemia teve origem e onde até já está, aparentemente, controlada. No entanto, o Polígrafo apurou que a identidade do médico não é confirmada. Existem vários hospitais militares em Pequim, mas a nenhum está associado o nome de Chen Horin. Além disso não há provas de que algum alimento ou vitamina possam prevenir a infeção por Covid-19, uma vez que, em pessoas saudáveis, o sistema imunitário é estável e não precisa de ser estimulado.

 

Evitar o consumo de água e comida demasiado frios

Beber água ou qualquer outra bebida com gelo (isto é, demasiado frias), ou comer gelados, por exemplo, não aumenta a vulnerabilidade à infeção pelo novo coronavírus. Porém, este mito disseminou-se nas redes sociais a uma escala alarmante, de tal forma que teve de ser desmentido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). É uma alegação que não tem qualquer validade científica.

 

Homens com barba devem cortá-la

Este boato foi desmentido pelo Polígrafo há poucos dias. Surgiu, na verdade, de uma recomendação feita pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, em 2017, alertando barbas longas podem anular os efeitos de proteção de máscaras com válvulas respiratórias, pelo facto de o pelo longo longo interferir com a superfície de vedação do equipamento. Mas esta recomendação não foi redigida a propósito da contenção da Covid-19, uma vez que, na altura, o vírus ainda não era conhecido. Foi direcionada a profissionais que utilizam máscara para se protegerem em ambiente de trabalho, por outros motivos. Trabalhadores da saúde ou da construção civil, por exemplo.

 

Evitar desinfetante de mãos

Se fosse verdade, era caso para dizer que seria necessário reaprender tudo. Mas também é um mito infundado. É certo que o desinfetante de mãos não protege contra todos os vírus, mas há evidência científica de que inativa os coronavírus em humanos. Ainda assim, a desinfeção deve ser utilizada como complemento da lavagem frequente das mãos, com água e sabão. Este boato também já foi refutado pelo Polígrafo.

 

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