Em fevereiro passado, a Agence France-Presse classificou como falsa uma história que garantia que um tribunal americano tinha encontrado uma ligação entre a vacina contra o sarampo, rubéola e parotidite, e o autismo. A mesma tinha já sido, dias antes, analisada pelo site de fact-checking americano Politifact, que a caracterizou com o nível máximo de falsidade. “Uma ligação entre o autismo e as vacinas foi refutada por processos judiciais e por vários estudos científicos. A história representa erroneamente a relevância das decisões judiciais, fornecendo exemplos obscuros e escassas evidências”, podia ler-se na conclusão da verificação.

A alegada notícia remetia para o ano 1996, e destacava a figura do médico e investigador Andrew Wakefield, que, por sua vez, garantia ter descoberto uma ligação entre transtornos estomacais, autismo e a vacina supracitada. A descoberta fez com que Wakefield se tornasse, de acordo com o artigo do site Alternative News Network, “vítima de uma campanha de difamação mundial, por parte de empresas farmacêuticas, governos e meios de comunicação”.

Contudo, o artigo dava conta de uma reviravolta: “Em meses recentes, tribunais, governos e fabricantes de vacinas reconheceram discretamente que a vacina contra o sarampo, rubéola e parotidite pode causar autismo e doenças de estômago. Empresas farmacêuticas foram mais longe ainda, ao pagarem grandes recompensas monetárias, totalizadas em milhões, às vítimas, na tentativa de compensar os danos e comprar o respetivo silêncio”.

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O texto, que se auto-caracterizava como uma fonte de “informação livre de propaganda”, divulgava, no entanto, informação falsa, originalmente publicada na página WhiteOutPress, citada por outros sites duvidosos, em 2013, e que já tinha sido desmentida pela Forbes no mesmo ano. A análise da conceituada revista americana terminava com a seguinte ideia: “Nenhuma intervenção médica está livre de riscos, e as vacinas não são exceção. Mas estão entre as intervenções mais seguras, eficientes, e que mais podem salvar vidas de todos os tempos. Deturpar os factos acerca das mesmas não traz quaisquer benefícios, e já teve graves consequências”.

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A reportagem do Alternative News Network teve um alcance de cerca de 395.934 pessoas, em grande parte conseguido através do poder de vitalização das redes sociais, com o Facebook à cabeça. Embora a organização liderada por Mark Zuckerberg tenha dado, recentemente, início a ações no sentido de “diminuir a distribuição de desinformação relacionada com a saúde”, estas falsidades e distorções de informação continua a ser das matérias mais difundidas pelas redes. Naomi Smith, autora do estudo Mapping the anti-vaccination movement on Facebook, concluiu que este tipo de grupos “revela uma comunidade que se sente perseguida e que suspeita da prática médica convencional e dos métodos aprovados pelos governos para prevenir doenças”. E o mais grave? É que estas crenças são partilhadas até à exaustão, carregadas de suposições mascaradas de factos.

A verdade é que os movimentos que, pelo mundo, desencorajam a vacinação, alegando inúmeros perigos para a saúde, não são mais que uma luta contra factos e evidências científicas. Há anos que se prova que a balança pesa mais do lado dos benefícios do que dos perigos e, como tal, toda a informação que leva a crer o contrário é, por si só, uma ameaça à saúde pública.

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