Mais casos, menos internamentos. Esta parece ser a principal conclusão que se pode retirar a partir de uma análise comparativa dos números da pandemia - em Portugal - entre junho de 2021 e junho de 2020.

No dia 12 de junho de 2021 (de acordo com o relatório da Direção-Geral da Saúde com dados referentes ao dia anterior) foram registados 789 novos casos de infeção por Covid-19, quase três vezes mais do que no dia 12 de junho do ano passado, em que foram registados 271 novos casos, mas o número de internamentos é menor (300 vs. 440).

Desde o dia 1 de junho de 2021, o número de novos casos diários em Portugal variou entre um mínimo de 388 e um máximo de 910, enquanto no período homólogo (primeiros 12 dias de junho de 2020) estava a um nível bastante inferior: mínimo de 193 e máximo de 423 novos casos. A diferença tem variado entre o dobro e o triplo de novos casos em junho de 2021, mas não está a ter repercussão ao nível dos internamentos hospitalares com Covid-19.

Ou pelo menos não proporcionalmente. Enquanto o número de novos casos diários tem variado entre o dobro e o triplo em comparação com o período homólogo, o número de internamentos é agora inferior, ainda que o número de internamentos em unidades de cuidados intensivos seja ligeiramente superior (77 em 12 de junho de 2021, 73 em 12 de junho de 2020).

No dia 1 de junho de 2021 estavam 268 pessoas internadas com Covid-19, das quais 50 em unidades de cuidados intensivos. Ao passo que no dia 1 de junho de 2020 estavam 471 pessoas internadas com Covid-19, das quais 64 em unidades de cuidados intensivos. Ou seja, a diferença é significativa, apesar das tendências opostas: os números estavam a diminuir em junho de 2020 e agora estão a aumentar em junho de 2021.

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Quanto à mortalidade por Covid-19, em junho de 2021 está praticamente ao mesmo nível (residual) do período homólogo. No dia 12 de junho de 2021 registou-se apenas uma morte, tal como no dia 12 de junho de 2020. Nos primeiros 12 dias de junho de 2021, o número de mortes variou entre 0 e 6, enquanto no período homólogo variou entre 5 e 14. Verifica-se uma ligeira diminuição na mortalidade, mas os números são tão residuais que não parece ser significativa.

De qualquer forma, proporcionalmente ao número de infeções ativas, registam-se menos mortes.

Estes dados indiciam a eficácia das vacinas na prevenção da gravidade dos casos, mas não ao nível dos contágios. Há menos internamentos numa altura em que se regista o dobro ou o triplo de novos casos diários.

Relativamente à mortalidade, a eficácia das vacinas só poderá ser realmente testada ou comprovada a partir de outubro, na medida em que foi a partir de outubro de 2020 que o número de mortes diárias começou a escalar até atingir o pico das centenas em janeiro e fevereiro de 2021.

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