1. Em que é que a nova variante se diferencia das já conhecidas?

Questionado pelo Polígrafo, Paulo Paixão, virologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia (SPV), explica que "o processo de mutação e de desenvolvimento de novas estirpes de um vírus é um processo esperado e normal, uma vez que, à medida que o vírus se dissemina, vai sofrendo alterações no seu código genético".

Mas existe, de facto, uma diferença nesta mutação em relação a outras? Segundo o virologista, "o que esta estirpe tem de diferente, ao que já se sabe, é que acumula várias mutações numa zona sensível, a famosa Proteína S. Ao que tudo indica, estas alterações fazem com que a ligação do vírus às células seja mais forte, podendo aumentar a infecciosidade do vírus".

Segundo anunciou o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, esta nova variante do coronavírus, já designada por VUI-202012/01, pode ser 70% mais transmissível do que a sua versão original, sendo responsável pelo aumento exponencial do número de infetados. Na prática, segundo o Governo britânico, os epidemiologistas acreditam que pode aumentar o fator de transmissibilidade R em 0,4 pontos.

Segundo anunciou Boris Johnson, esta nova variante do coronavírus, já designada por VUI-202012/01,  pode ser 70% mais transmissível do que a sua versão original, sendo responsável pelo aumento exponencial do número de infetados.

2. O facto de a mutação ser mais infecciosa quer dizer que é também mais perigosa?

Segundo Paulo Paixão, "tendo em conta a informação que nos chega do Reino Unido, para já, pode dizer-se que a gravidade da doença não aumenta, uma vez que esta nova variante não fez com que aumentassem o número de mortos e o número de internados, apesar de haver mais casos".

"Esta nova variante não é, à partida, mais perigosa do ponto de vista individual. Ou seja, uma pessoa infetada com ela não terá uma infeção de maior gravidade comparativamente a uma pessoa infetada por outra estirpe", esclarece o presidente da SPV.

No entanto, o virologista alerta para o facto de a estirpe ser mais contagiosa, o que fará com que "ao aumentarem o número de casos exista, proporcionalmente, uma maior probabilidade de existirem pessoas com casos mais graves".

3. A nova estirpe já foi identificada em Portugal?

Não. Há quem tenha alegado nas redes sociais que a nova variante é semelhante à que foi identificada em Ovar, mas isso não corresponde à verdade.

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge já  confirmou, em declarações à Agência Lusa, que não foi identificada em Portugal, até ao momento, a nova estirpe do SARS-CoV-2 que apareceu no Reino Unido.

Segundo o jornal The Guardian já foram detetados 11 novos casos da estirpe em pelo menos três países: nove casos foram reportados pela Dinamarca, um pelos Países Baixos e outro pela Austrália, de acordo com informação da OMS.

Em Itália também o ministro da Saúde confirmou que foi encontrado um doente com a mesma mutação do vírus, que viajou do Reino Unido para Roma. O Centro Europeu para Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC) aponta também para a existência de casos da nova estirpe na Bélgica que não foram ainda oficialmente confirmados.

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge já  confirmou, em declarações à Agência Lusa, que não foi identificada, até ao momento, a nova estirpe do SARS-CoV-2 que apareceu no Reino Unido.

4. As vacinas já aprovadas ou as que ainda estão em desenvolvimento podem ser ineficazes na resposta a esta nova estirpe?

Ao Polígrafo, João Gonçalves, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e diretor do Instituto de Investigação do Medicamento, afirma que "não há evidência de que isso possa acontecer". Mas deixa um alerta: "Se deixarmos disseminar esta nova estirpe, ela poderá acumular outras mutações que podem fazer com que a vacina não tenha a eficácia que inicialmente se previa ter".

Pelo que, segundo o professor, " a urgência de fazer estas contenções mais musculadas em termos da circulação de e para o Reino Unido".

5. Esta nova variante torna ainda mais urgente a vacinação?

Sim. "As vacinas foram desenvolvidas para criar uma grande quantidade de anticorpos capazes de neutralizar o vírus e, portanto, torna-se ainda mais premente sermos vacinados antes que o vírus comece a gerar mais mutações", afirma João Gonçalves.

O diretor do Instituto de Investigação do Medicamento adverte ainda para a importância de as pessoas assumirem "a responsabilidade cívica de se vacinarem". Caso contrário vai gerar-se a "possibilidade de o vírus se disseminar e gerar mais mutações, diminuindo a proteção de todos".

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