No passado mês de fevereiro, a Google, proprietária do YouTube, deu ordem para que se retirassem os anúncios de todos os vídeos que promovem ideias anti-vacinação. Ou seja, atualmente, quem quiser fazer tráfego - e, com ele, negócio - com a difusão deste tipo de informação altamente partilhável, já não tem a garantia de que a ele corresponderá um ganho financeiro.

Outras plataformas como o Facebook ou o Pinterest estão também a desenvolver esforços no sentido de diminuir drasticamente a circulação de informação deste género, que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como uma das 10 maiores ameaças atuais à saúde pública, numa lista em que figuram vírus mortais como o ébola, o HIV ou o dengue.

São muitos os mitos e rumores colocados a circular nas redes sociais sobre as vacinas, os seus males e perigos para a saúde. Tudo sem base científica. Tudo para favorecer interesses económicos fortíssimos que se alimentam da descredibilização da eficácia da vacinação tradicional.

Exemplos de rumores que se tornaram virais, com disseminação de carácter mundial:

1.

  • O rumor: Bill Gates não vacina os filhos e afirma que vacinas matam milhares de pessoas em todo o mundo: a acusação ao multimilionário teria sido feita pelo seu antigo médico e foi publicada num site norte-americano, entretanto encerrado. O dono da Microsoft também teria afirmado que as vacinas são uma medida de controlo populacional. A sua utilização mataria milhares de pessoas todos os anos, contribuindo “positivamente” para limitar o crescimento da população mundial.
  • A verdadeBill Gates é um grande defensor da vacinação. A sua fundação – a Bill and Melinda Gates Fundation - já investiu milhares de milhões de dólares em investigação de vacinas. Num tweet publicado no seu perfil pessoal, o bilionário classificou as vacinas como “um milagre”.

2.

  • O rumor: vacina contra o sarampo e a rubéola provoca autismo: num artigo publicado em 1997 no prestigiado jornal médico The Lancet, o cirurgião britânico Andrew Wakefield argumentava que a vacina contra sarampo e a rubéola estaria na origem do aumento de casos de autismo entre crianças britânicas. Os seus argumentos foram “adoptados” pelo adeptos da não vacinação, e ainda hoje, mais de 20 aos depois são utilizados.
  • A verdade: uma série de estudos publicados desde então tem refutado a existência de uma relação de causa e efeito entre a vacina e o autismo. O The Lancet retirou mesmo o estudo dos seus arquivos e em 2010 foi retirada a Wakefield a licença  para exercer medicina no Reino Unido. Actualmente vive nos EUA, onde é uma das principais figuras do movimento anti-vacinas.

3.

  • O rumor: quem mais adoece é quem foi vacinado: segundo esta tese, a maioria das pessoas que adoece foi vacinada. Alegadamente, as vacinas provocam dados irreparáveis no sistema imunitário..
  • A verdade: nenhuma vacina é 100% eficaz. Porém, a OMS afirma que a maioria das rotinas de imunização infantil funciona em 85% a 95% dos casos. Cada pessoa reage de uma forma particular à sua administração, o que significa que nem todos entre os que foram vacinados desenvolverão imunidade à doença. A verdade científica diz-nos que pessoas não vacinadas adoecem com maior frequência.
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créditos: Pixabay

4.

  •  O rumor: o sistema imunológico das crianças não suporta tantas vacinas como as que lhes estão a ministrar: há pelo menos 11 vacinas recomendadas a bebés e crianças até aos 2 anos de idade. Segundo um boato tornado viral, o sistema imunológico das crianças não suporta tantas vacinas. Alguns pais temem que a imunização na primeira infância sobrecarregue o sistema imunológico dos filhos.
  • A verdade: uma preocupação recorrente é o facto de muitas vacinas funcionarem inoculando vírus ou bactérias causadoras de doenças no corpo, ainda que atenuadas. Contudo, os fabricantes utilizam versões modificadas dos micro-organismos para que eles não consigam desencadear os efeitos da doença no organismo – pelo contrário, preparam-no para reagir quando em contacto com o agente patogénico. Num dos mais reconhecidos artigos científicos sobre a relação entre múltiplas vacinas e o sistema imunológico de crianças, o pediatra americano Paul A. Offit sublinha que "recém-nascidos desenvolvem a capacidade de responder a estas substâncias ainda antes de virem ao mundo. Com apenas algumas horas de vida, eles são capazes de estruturar uma resposta imunológica às vacinas."

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