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Portugal nos rankings de (não) discriminação da mulher

Este artigo tem mais de um ano
A paridade de género é avaliada por classificações de prestigiados organismos internacionais. Os resultados de dois dos principais estudos – do Fórum Económico Mundial e do Instituto Europeu da Igualdade de Género – confirmam que Portugal ainda não está na vanguarda do desempenho, designadamente quando comparado com outros países do mesmo continente.

Portugal ainda está longe de pertencer à elite em matéria de igualdade de género. Se o 29º lugar entre 146 países do mundo já deixa perceber essa distância (embora no primeiro quinto das nações), o 15º lugar entre os 27 países da União Europeia dissipa qualquer dúvida quanto à não inclusão de Portugal nos territórios que menos discriminam as mulheres.

No primeiro destes rankings, elaborado pelo Fórum Económico Mundial, divulgado em julho de 2022, é comparado o estado atual e percebida a evolução da paridade de género (isto porque o Relatório Global de Diferença de Género é realizado anualmente desde 2006) sob quatro perspetivas: participação económica e oportunidade, sucesso educacional, saúde e sobrevivência e participação política.

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Portugal aparece no 29º lugar global, sendo 41º na economia, 75º na educação, 67º na saúde e 33º na esfera política. Apesar desta última ser palco do melhor desempenho em termos de paridade, foi também, em grande medida, devido a ela que Portugal desceu 7 lugares relativamente ao Global Gender Gap Index de 2021, mais propriamente ao menor número de deputadas eleitas (nas legislativas de 2022).

No Gender Equality Index 2022, Portugal figura apenas na 15ª posição entre os 27 estados-membros da União Europeia

A classificação mundial é liderada pela Islândia (com 90,8 por cento de score), seguida da Finlândia e Noruega. Nos dez primeiros lugares, figuram 6 países europeus. Quanto a Portugal (76,6 por cento), é o 19º melhor país da Europa.

Ainda no que diz respeito aos resultados divulgados pelo relatório do Fórum Económico Mundial, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género realça três dados relativos a Portugal: o diferencial de remuneração é desfavorável em 11,72 por cento; a presença de apenas 31 por cento de mulheres nos conselhos de administração (apesar de apenas 8 por cento estar em lugares de topo) e a prevalência significativa (19 por cento) da violência de género ao longo da vida.

Na segunda metade da Europa

O segundo ranking foi elaborado à escala continental pelo Instituto Europeu da Igualdade de Género (EIGE). No Gender Equality Index 2022, Portugal figura apenas na 15ª posição entre os 27 estados-membros da União Europeia. A classificação geral de Portugal corresponde aos 62,8 pontos obtidos, 5,8 pontos abaixo da média da União Europeia. O podium é ocupado pela Suécia (83,9 pontos), Dinamarca (77,8) e Holanda (77,3).

Os domínios analisados foram o trabalho/emprego; dinheiro/rendimento; conhecimento; tempo; poder; saúde e violência.

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Os desempenhos mais positivos de Portugal são registados nos domínios do trabalho/emprego e da violência, os únicos em que apresenta melhores resultados do que a média dos 27. Nos outros cinco vetores, está abaixo da performance global, em especial no tempo (24º lugar) e saúde (22º lugar).

Já quanto à evolução desde 2010, Portugal é um dos países que revela melhor evolução: crescimento de 9,1 pontos, somente superado por 4 países (Áustria, Malta, Itália e Luxemburgo).

Dos resultados revelados, em outubro, pelo Gender Equality Index 2022, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género faz um sublinhado para o facto de, entre 2010 e 2020, “o gap” entre mulheres e homens na taxa de emprego a tempo integral (ETI) ter diminuído 4 pontos. Em contraponto, esta organização governamental realça o “retrocesso ou estagnação” no tempo, saúde e taxas de pobreza e alerta, ainda, para a desigualdade, durante a pandemia, no tempo dedicado para cuidar dos filhos (dos 0 aos 11 anos): 49 por cento das mulheres dedicaram-lhes 4 ou mais horas do dia, enquanto no caso dos homens essa cifra não ultrapassa os 20 por cento.

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