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Os salários médios anuais na UE

Eurostat comparou, pela primeira vez sob o mesmo critério, a remuneração bruta média anual dos seus países. Portugal no pelotão mais pobre e longe da média europeia.

Com 19.301 euros brutos anuais, Portugal tem o 17º maior salário médio da União Europeia (UE), o que equivale por dizer, tendo em conta que o universo analisado era composto por 26 nações (a Holanda ficou de fora), que Portugal é o 9º país da UE onde se paga pior o trabalho principal e dependente, o clássico “emprego”. Os dados são do Eurostat, relativos aos salários auferidos em 2021, e foram publicados no final do ano passado.

Distribuído este montante praticado em Portugal pelos “14 meses” (subsídio de Natal e subsídio de férias), são 1.378,64 euros médios brutos. Aplicados os descontos obrigatórios (contribuição para a segurança social e retenção na fonte de IRS) não incluídos neste ranking, o salário médio situar-se-á, segundo as contas do Polígrafo, entre os 1.010 e os 1.125 euros, conforme o número de dependentes.

A média da remuneração anual bruta por trabalho dependente dos países da UE é de 33.511 euros (2.393,64 euros mensais, se aplicada a mesma fórmula de cálculo, divindindo por 14 prestações pecuniárias). Em Portugal, a remuneração é, assim, 42,4 por cento mais baixa (1.105 euros) do que na média das 26 nações objeto de análise.

Ricos e pobres

É precisamente a média europeia que marca a linha divisória entre os dois grandes pelotões de países, quanto aos seus rendimentos. Acima dos 33.511 euros, estão nove nações, que constituem, de forma muito clara – por contraponto com as restantes – a elite salarial europeia, todos com valores anuais superiores a 40 mil euros: Luxemburgo, Dinamarca, Irlanda, Bélgica, Áustria, Suécia, Alemanha, Finlândia e França (por ordem descrescente de rendimento).

Neste grupo, destacam-se claramente o Luxemburgo (72.247 euros) e a Dinamarca (63.261 euros), surgindo depois os demais sete países, em “escadinha”, que vai dos 50.347 (Irlanda) aos 40.135 (França).

 

O top 5

Lugar País Salário médio anual bruto
Luxemburgo 72.247
Dinamarca 63.261
Irlanda 50.347
Bélgica 48.722
Áustria 48.317

O segundo pelotão integra os 17 países com montantes inferiores à média dos 26. A diferença entre a melhor remunerada das nações deste grupo (Itália – 29.551 euros) e a pior do primeiro pelotão (França – 40.135) é reveladora do enorme fosse entre os dois contingentes: 10.584 euros/26,4 por cento inferior).

Neste segundo grupo, há quatro países relativamente próximos da média europeia (Itália, Eslovénia, Espanha e Malta), com rendimentos entre os 29.551 e os 27.334 euros. Seguem-se 13 muito mais longe deste valor referencial, no qual se encontra Portugal: os montantes variam entre os 22.734 euros do Chipre e os apenas 10.345 da Bulgária.

Refira-se que, abaixo dos 15.000 euros, há ainda quatro países: Polónia (14.431), Roménia (13.000), Hungria (12.618) e Bulgária (10.345).

Passagem do 1º para o 2º pelotão e Portugal

Lugar País Salário médio anual bruto
Finlândia 43.193
França 40.135
10º Itália 29.951
11º Espanha 28.765
17º Portugal 19.301

Down 5

Lugar País Salário médio anual bruto
22º Grécia 15.879
23º Polónia 14.431
24º Roménia 13.000
25º Hungria 12.618
26º Bulgária 10.345

Todos estes valores referem-se à média anual de rendimento bruto do trabalho dependente e principal (considerado full-time), portanto, não ponderando os descontos correspondentes às contribuições obrigatórias do trabalhador (proteção social e imposto sobre o rendimento).

Este foi o primeiro ranking efetuado nestes exatos moldes pelo União Europeia e, segundo o comunicado do seu gabinete de estatísticas (Eurostat) aquando da publicação dos resultados, decorre da diretiva “Blue Card”, que “prescreve a utilização deste indicador para determinar o salário anual bruto médio de cada Estado-Membro da UE e conceder autorizações de trabalho a trabalhadores altamente qualificados”.

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