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O peso das empresas estrangeiras em Portugal

Estudo da OCDE analisa o Investimento Direto Estrangeiro  (IDE) em Portugal: dados absolutos e relativos, comparação de remunerações e até as mudanças que são pedidas pelos empresários.

São apenas 2% do total das empresas em Portugal, mas o peso estatístico efetivo do IDE e a sua influência no tecido empresarial e económico são muito superiores a este magro contingente. Desde logo, na vertente emprego, já que as empresas estrangeiras garantem 18% do total dos postos de trabalho em Portugal (9 vezes mais que a força do respetivo número absoluto). No valor acrescentado gerado, esta força relativa sobe ainda mais, até aos 28%. Finalmente, quando são analisadas as exportações, que têm sido decisivas para a recuperação da economia portuguesa, o contributo das empresas estrangeiras atinge quase metade (46%) do contingente total.

Os números são da OCDE e foram publicados em março deste ano no seu relatório “Impacto do Quadro Regulatório no Investimento Estrangeiro em Portugal”. O mesmo documento, que trabalha sobre dados relativos a 2020, mede ainda outros indicadores e compara “o quadro regulatório para o investimento em Portugal com um grupo de economias europeias homólogas”.

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Num dos temas hoje mais relevantes na gestão das organizações, o contributo das empresas estrangeiras é igualmente desproporcional (porque maior que a sua representação absoluta). Dos investimentos em I&D em Portugal, 25% têm origem nas empresas resultantes do IDE. Já na formação de trabalhadores em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), o contraste é evidente entre as empresas nacionais (36%) e as estrangeiras cá instaladas (62%).

Do ponto de vista salarial, registam-se igualmente diferenças, para melhor, nestas empresas que se instalaram em Portugal, salientadas pelo relatório em dois segmentos: feminino (+22,1%) e trabalhadores altamente qualificados (+7,3%).

Apesar de considerarem que Portugal tem registado uma evolução positiva nos últimos anos, os investidores estrangeiros identificam alguns problemas que entendem ser urgente resolver: os atrasos administrativos e a burocracia (75% dos inquiridos identificam-nos); a própria administração fiscal (47%); a duração dos processos judiciais (50%) e o regime de vistos e autorizações de residência para estrangeiros (60%).

Para os mitigar, as empresas e a OCDE defende uma melhor prestação de serviços públicos (simplificação dos procedimentos de licenciamento e autorização, simplificação da tributação e racionalização dos incentivos fiscais ao investimento); uma melhor regulação da atividade empresarial e um sistema judicial mais eficiente (reduzindo a sua duração) e, finalmente, medidas políticas para assegurar que o mercado de trabalho continue a ser atrativo para o investimento (incentivar a formação dos trabalhadores, aumentar a eficiência da autoridade responsável pela imigração de modo a facilitar a contratação fora do Espaço Económico Europeu e aproximar os contratos de duração indeterminada e os contratos temporários).

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