O primeiro jornal português
de Fact-Checking

O estado da compensação em Portugal

Mais postos de trabalho, aumentos salariais, incrementos e benefícios. O raio x à compensação em Portugal para 2023 e 2024, da consultora Mercer, não revela sinais de crise.

Os salários deverão aumentar 4,2%, em média, nos anos de 2023 e 2024, no conjunto das 570 empresas inquiridas no Total Compensation 2023. O estudo, da consultora Mercer, analisou cerca de 170.000 postos de trabalho de diversos setores de atividade (serviços gerais/não financeiros, indústrias várias, high-tech e telecomunicações, bens de consumo e ciências médicas).

Não há variações significativas nos aumentos entre funções ou anos, ainda assim há um ligeiro maior aumento em 2024 do que em 2023, em especial nos cargos de “Direção Geral/Administração” (3,7% em 2023 e 4,1% em 2024). Os “Operários” são aqueles que irão ver os seus vencimentos mais reforçados (4,2%). A confirmarem-se estas subidas, os trabalhadores terão maior poder de compra, já que o crescimento do salário será, ao que tudo indica, superior à inflação esperada, seja na perspetiva mais otimista do Governo (2,9%), seja na do Banco de Portugal (3,6%).

Aumentos salariais (2023 e 2024)

LACS

Os incrementos salariais também merecem a atenção das empresas inquiridas, em especial os de curto prazo, já que 87% atribuem um bónus variável, de caráter predominantemente anual. Apenas 28% concedem incentivos de longo prazo. Os três fatores mais frequentes para a atribuição de incrementos são o desempenho individual, o posicionamento na grelha salarial e a performance coletiva (resultados da empresa).

Outro dado revelador de um clima económico que, nestas quase seis centenas de empresas, não acompanha o pessimismo que a elevada inflação e a guerra trouxeram às previsões macroeconómicas é a contratação: 35% prevê alargar os seus quadros de colaboradores em 2023 e 27% em 2024, ao passo que somente 4% contam fazer o inverso em 2023 e 1% em 2024.

Nas empresas objeto de análise no Total Compensation 2023 (64% multinacionais e 34% exclusivamente portuguesas), o salário base anual médio dos recém-licenciados está no intervalo entre os 16.825 e 19.833 (o que representa, respetivamente, valores mensais na ordem dos 1200 e 1415 euros).

No campo dos benefícios concedidos aos colaboradores, destacam-se o “plano médico” (93% das empresas); o suporte às despesas próprias de educação, através de uma percentagem comparticipada ou de um teto (64%) e os dias de férias extra (61%). Existem ainda, embora de forma menos expressiva, os complementos de subsídio de doença; os seguros de acidentes pessoais e de vida; o plano de pensões, os empréstimos/adiantamentos e a atribuição de automóvel.

Por outro lado, os programas de benefícios flexíveis estão a começar a fazer o seu percurso de conquista de espaço na rubrica das remunerações das empresas, e nesta amostra são já 19% as que disponibilizam este tipo de compensação extra.

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Em destaque