Mais do que um destino turístico aprazível, Lisboa e os concelhos circundantes têm vindo a posicionar-se, desde a década passada, como uma das zonas preferidas para passar a viver de cidadãos de outros países.

Este movimento é diferente daquele que, anteriormente, tipificava a presença de estrangeiros na capital portuguesa. Reflete uma opção, não tanto uma contingência, que é exercida por quem está em idade ativa (laboral). Ou seja, não se trata da emigração clássica – em busca de uma oportunidade profissional que o país de proveniência não proporciona – ou da mudança de pessoas mais velhas, já depois da aposentação, para uma “latitude” em que o clima e o custo de vida sejam mais atrativos.

Assim, Lisboa é hoje escolhida por cidadãos de outros pontos do mundo que estão profissional ou academicamente estruturados, com bons curricula, que pretendem prosseguir (na maior parte dos casos) ou iniciar (em muito menor proporção) uma carreira. Há quem se mantenha na empresa do seu país de origem, quando tal lhe é permitido por via do regime de teletrabalho, agora realizado a partir de Portugal. Porém, o maior contingente arrisca mesmo uma mudança de emprego ou funções, num caminho em que, não raras vezes, é acompanhado pela família.

A classificação de Lisboa em diversos rankings atesta esta realidade e, simultaneamente, é também um importante indicador para quem procura um novo lugar para viver/trabalhar.

Num dos últimos divulgados – em junho de 2021, sob a chancela da revista britânica “Monocle” – Lisboa ocupa a a 7ª posição no índice de qualidade de vida. A ordenação é tanto mais relevante quando é conseguida entre 25 cidades mundiais que, já de si, são selecionadas por serem consideradas como o “top” para se viver. Na lista liderada por Copenhaga, Lisboa merece elogios pela energia gerada por novas pessoas e ideias, numa alusão ao ambiente empresarial, designadamente às startups.

Dois anos antes, numa comparação mais abrangente sobre o mesmo tema, a cidade das sete colinas aparece igualmente bem classificada, embora sem o mesmo relevo. O  “Quality of living city ranking”, da consultora Mercer, atribui a Lisboa o 37º lugar entre 231 cidades. A capital portuguesa é a 27ª cidade da Europa, sendo que é a primeira do sul (à frente de todas as urbes de Espanha, França e Itália).

lisboa

Numa classificação mais específica – ranking das melhores cidades para expatriados -, Lisboa também tem obtido desempenhos promissores. No “Expat City Ranking 2020”, da organização InterNations, figurava no 3º lugar (apenas atrás das espanholas Valência e Alicante).

Na última avaliação realizada (2021), Lisboa passou para a 18ª posição (entre 57 cidades do mundo). Na análise específica de cada item, e segundo o que foi reportado pelos expatriados a trabalhar na capital portuguesa, salienta-se como principal fator positivo a facilidade de ambientação ao local – na categoria “sentir-se em casa”, Lisboa conseguiu a maior taxa de aprovação, com 80 por cento face aos 65 por cento da média das 57 urbes. Qualidade de vida urbana, clima, opções de lazer e segurança também mereceram excelentes referências dos cidadãos estrangeiros que escolheram Lisboa para desenvolver a sua atividade profissional (é esta a maioria), ocupando um lugar acima do 18º geral. Do lado oposto, naquele em que a apreciação é pior, estão as vertentes de remuneração/financeira global e do próprio emprego (incluindo também as oportunidades de carreira).

Apesar do custo de vida da cidade agradar aos expatriados (apenas os cidadãos não nacionais de outras nove cidades emitiram opinião ainda mais favorável sobre o tema), Lisboa cai para o 28º lugar no “índice de finanças e habitação” deste estudo.

A ilustrar a tendência – bem como a do maior poder de compra de boa parte desses cidadãos – está o facto das pessoas estrangeiras gastarem mais do dobro das portuguesas na compra de imóveis na área metropolitana de Lisboa.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), no último trimestre de 2021, o preço médio da habitação adquirida por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro foi de 4.283 euros/m2, em confronto com os 1.858 euros investidos por portugueses no mesmo tipo de operação.

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