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Seis verdades e uma mentira: o fact-check a André Ventura na SIC Notícias

Na antevisão da rentreé do Chega, que acontece hoje em Santarém, André Ventura esteve ontem à noite na SIC Notícias para mais uma entrevista em período de descanso parlamentar. Desta vez, e quase sempre sem olhar para as cábulas, o líder da oposição acertou em quase todos os dados que mencionou.

André Ventura: “José Luís Carneiro disse que só falava no Orçamento do Estado em setembro mas falou antes”

A 29 de junho de 2026, à chegada a Lisboa numa viagem de comboio a propósito das jornadas parlamentares do PS, José Luís Carneiro recusou comentar o Orçamento do Estado para 2027: ““Eu não quero falar do Orçamento agora. O Orçamento será apresentado em outubro. Falar do Orçamento agora serve os propósitos do Governo.” Nem um mês depois, o socialista quebrou a sua garantia e, em entrevista ao “Público”/Rádio Renascença, definiu como prioridades para o debate do Orçamento do Estado a “salvaguarda dos valores constitucionais”, a “segurança das pensões” e os “projectos que estão em execução ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência”.

Mais recentemente, a 16 de agosto, no discurso de rentrée do PS em Olhão, Carneiro deixou quatro condições para a negociação do Orçamento: revisão constitucional, pensões, PRR e resposta às tempestades do inverno passado. Ou seja, voltou a falar no documento.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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André Ventura: “Para mais de 55% do eleitorado, o Chega é o líder da oposição”

De facto, um barómetro da Aximage para o Diário de Notícias, cujos resultados foram divulgados em maio deste ano, mostra que André Ventura continua a ser, de longe, a figura mais identificada pelos portugueses como principal rosto da oposição: 55% dos inquiridos atribuem-lhe esse papel, mais do dobro dos 22% obtidos por José Luís Carneiro. Mais recentemente, de acordo com uma sondagem da Intercampus realizada para o Negócios, CM, CMTV e NOW, aproximadamente 60% dos entrevistados consideravam André Ventura o principal líder da oposição. Apenas 27,6% dos inquiridos entregavam esse papel a José Luís Carneiro.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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André Ventura: “[O preço da] habitação aumentou 17,6% em 2025”

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 23 de março de 2026, em 2025 o Índice de Preços da Habitação aumentou 17,6%, mais 8,5 pontos percentuais do que em 2024. O aumento não foi uniforme entre tipologias: as casas já existentes no mercado subiram 18,9% em média, ultrapassando o ritmo de crescimento das casas novas, que aumentaram 14,2%. Este aumento de preços ocorreu num contexto de forte procura: em 2025 foram transacionadas 169.812 habitações, totalizando 41,2 mil milhões de euros.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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André Ventura: “A criminalidade em 2025 aumentou 3,1% e o número de violações atingiu o valor mais alto da década”

Os dados oficiais do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) do último ano confirmam estes dois números. Segundo o documento oficial do Governo, a criminalidade violenta e grave participada diminuiu 1,6%, enquanto a criminalidade geral participada registou um aumento de 3,1%. Em termos absolutos, a criminalidade geral totalizou 365.802 participações criminais. O relatório atribui este aumento sobretudo a uma maior ação policial: “Este crescimento resulta, sobretudo, de tipologias de crime associadas ao maior reforço de fiscalização das autoridades e a uma maior proatividade policial, em áreas como a criminalidade rodoviária, detenção de armas proibidas, desobediência, entre outras.

Quanto às violações, o relatório confirma também a segunda parte da afirmação de Ventura: o crime de violação (+6,4%) manteve a tendência de crescimento, com “o valor mais elevado da última década”. Este crime insere-se na categoria da criminalidade violenta e grave que, no cômputo geral, desceu 1,6%.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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André Ventura: “Independentemente do valor da energia, mais de 34% do valor da fatura é impostos”

A análise é da ERSE com base nos dados do Eurostat relativos a 2025: cerca de 34% do preço final da eletricidade pago pelas famílias portuguesas no último ano correspondia a impostos e taxas. A afirmação de André Ventura está, portanto, alinhada com o dado oficial. Em 2024 os impostos pesavam 31%, uma variação “que se deve principalmente aos CIEG (Custos de Interesse Económico Geral)”, justifica a ERSE.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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André Ventura: “Ajustado ao poder de compra, o nosso gás é o segundo mais caro da Europa”

Segundo dados do Eurostat, Portugal tinha, no 2.º semestre de 2025, o 2.º preço mais elevado da UE para o gás natural doméstico quando ajustado ao poder de compra, medido em PPS. Portugal registava 17,04 PPS por 100 kWh, apenas atrás da Suécia (17,16 PPS), enquanto a média da UE era 11,96 PPS.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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André Ventura: “No último ano, o nosso Índice de Preços do Consumidor aumentou 3%. Um dos maiores, comparativamente”

Segundo o INE, em 2025 o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma variação média anual de 2,3%, e não de 3%. Em dezembro de 2025, a variação homóloga foi de 2,2%.

Se a comparação for feita através do IHPC, que é o indicador harmonizado utilizado pelo Eurostat para comparar os países da UE, Portugal terminou 2025 com uma inflação homóloga de 2,4%, enquanto a média da UE foi 2,3%.

Ou seja, Portugal estava ligeiramente acima da média da UE, mas não entre os países com inflação mais elevada. No final de 2025, por exemplo, a Roménia registava 8,6%, a Hungria 3,3%, a Bulgária 3,5% e a Lituânia 3,2%.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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