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O mistério dos programas eleitorais do PPM que estarão em parte incerta

Este artigo conta a saga do Polígrafo em busca dos últimos programas eleitorais do PPM, liderado por Gonçalo da Câmara Pereira, que faz parte da nova versão da Aliança Democrática em conjunto com o PSD de Luís Montenegro e o CDS-PP de Nuno Melo. Mais de duas semanas após o primeiro pedido, não há sinal do programa de 2019. Alguns apareceram, ao passo que outros "devem estar" na sede nacional.

Desde o anúncio de que o Partido Popular Monárquico (PPM) iria integrar a Aliança Democrática (AD) até esta sexta-feira, dia 19 de janeiro, passaram mais de duas semanas. E o pedido do Polígrafo feito a Gonçalo da Câmara Pereira era simples: onde estava o último programa eleitoral do partido? No site só se disponibilizava uma “síntese” do programa de 2011 e o objetivo era verificar o mais recente programa, comparando-o com os dos outros partidos que formam a nova AD. Do mais recente nem sinal, pelo que foram então pedidos os anteriores.

O pedido aparentemente simples resultou numa teia de dúvidas sobre onde “deve estar” o mais recente programa eleitoral do PPM. A 4 de janeiro de 2024, logo após o anúncio de que o PPM iria integrar a AD, o Polígrafo contactou Câmara Pereira, questionando-o sobre onde encontrar o programa eleitoral do seu partido.

Demorou apenas alguns segundos a remeter o assunto para Paulo Estêvão, presidente do PPM Açores, que seria a pessoa que tinha “essas coisas”. No mesmo contacto admitiu que tinham o programa de 2019, mas avisou prontamente que o documento “está completamente desatualizado“.

Seguiram-se vários contactos com Paulo Estêvão no sentido de localizar os programas mais recentes. O de 2022 não existia sem ser regional, ou seja, “só existe o que foi elaborado em conjunto com o PSD e CDS-PP na Região Autónoma dos Açores”, explicou. E os anteriores? Num primeiro e-mail de Paulo Estêvão para o Polígrafo foram enviados o manifesto das eleições nacionais de 2022 pelos Açores e a moção de estratégia global de 2019 que antecipava a AD. O mesmo e-mail prometia que ainda hoje” (o “ainda hoje” era dia 4 de janeiro) seria também enviado o programa eleitoral do PPM de 2019.

Mas antes de se chegar a 2019, é preciso explicar que no plano nacional os monárquicos foram impedidos de concorrer às eleições legislativas de 30 de janeiro de 2022 após o Tribunal Constitucional (TC) ter rejeitado a coligação entre o PPM e o Partido Unido dos Reformados e Pensionistas (PURP) e, por isso, não havia programa desse ano. Os dois partidos tinham entregado as listas de candidatos a todos os círculos eleitorais do continente, mas o primeiro pedido foi recusado por não ter sido feito pelos presidentes dos partidos e o segundo por ser entregue fora do horário da secretaria.

Recuemos então a 2019. Onde andava este programa? Câmara Pereira garantiu ao Polígrafo que o tinham, mas de dia 4 a dia 19 de janeiro, nenhum programa eleitoral de 2019 foi disponibilizado. Paulo Estêvão esforçou-se por o encontrar, mandou até um funcionário à ilha do Faial, nos Açores, onde está localizado o arquivo do Grupo Parlamentar do PPM na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA).

Os dias foram passando e do Faial chegaram então, a 15 de janeiro, alguns documentos (mas nenhum correspondia ao de 2019): o programa eleitoral de 2015, um documento com 122 páginas sob o mote “Mudar o regime, reformar Portugal”; o programa legislativo regional de 2020, documento com 94 páginas “em defesa da democracia nos Açores”; a Moção de Estratégia Global 2024; e ainda o programa eleitoral digitalizado do PPM de 1980 e 1990.

Perante a ausência do programa de 2019, o Polígrafo solicitou os programas que estivessem disponíveis. Além dos já referidos, foi ainda enviado o primeiro programa eleitoral do PPM, de abril de 1974, um documento com 63 páginas. E a insistência manteve-se, em busca dos que faltavam.

“Devem estar” na sede nacional

Olhando apenas para este século, onde paravam os programas de 2002, 2005, 2009 ou 2011? Este último aparentava estar disponível no site do PPM, facto que Paulo Estêvão desconhecia. No entanto, ao conferir o documento, este não passa de uma “síntese” do programa original. Referiu depois, a 18 de janeiro, na sequência de várias chamadas trocadas, que os restantes programas em falta deveriam estar na sede nacional do PPM e que apenas Câmara Pereira ou algum outro dirigente do partido os poderia enviar.

O Polígrafo voltou então a contactar Câmara Pereira, mas o líder dos monárquicos não atendeu as chamadas.

Por seu lado, em contacto posterior, Paulo Estêvão referiu que, afinal, o vice-presidente e porta-voz do partido Valdemar Almeida tinha consigo o Programa Eleitoral de 2009 e a Moção de Estratégia Global de 2010. Foram então remetidos esses dois documentos.

O programa de 2009 foi depois enviado juntamente com a moção global de estratégia de 2010. E o de 2005, explicou o presidente do PPM/Açores, não existe, uma vez que o PPM não concorreu sozinho. À data, o PSD comprometeu-se a incluir nas listas dois deputados do PPM em lugar elegível com o estatuto de independentes. Assim, nesse ano, o PPM “colaborou apenas na elaboração do programa do PSD”.

Após duas semanas de insistência e para o puzzle estar completo, ainda faltam os programas de 2002, 2011 e 2019. Estes “devem estar” na sede nacional do partido, mas até ao fecho deste artigo não foi confirmado se tinham sido encontrados.

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