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MOÇÃO DE CENSURA. André Ventura diz que a área ardida em 2026 foi “gigantesca”, mas não é isso que mostram os números

Durante o debate da Moção de Censura apresentada pelo Chega ao Governo, André Ventura listou várias razões, não relacionadas com as polémicas envolvendo o ministro, pelas quais Luís Montenegro deveria excluir Luís Neves do seu executivo. Entre elas, a dimensão da área ardida em Portugal ao longo de 2026.
© TIAGO PETINGA/LUSA

Durante o debate da Moção de Censura ao Governo pela permanência de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna (MAI), André Ventura listou várias razões, não relacionadas com as polémicas envolvendo o ministro, pelas quais Luís Montenegro deveria excluir Luís Neves do seu executivo. Entre elas, a dimensão da área ardida em Portugal ao longo de 2026.

“Porque mantém Luís Neves em funções? (…) Se tirarmos tudo isto; a insegurança aumentou 3,1%, a área ardida foi gigantesca em Portugal, o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) foi mal gerido e continua a ser mal gerido e com suspeitas graves sobre si próprio, os crimes com armas aumentaram, o nível de violações é o maior em uma década… Porquê, Sr. Primeiro-Ministro?”

Aquilo que constitui uma área “gigantesca” pode ser discutido, mas a realidade comparativa mostra que a dimensão dos danos causados em Portugal pelos incêndios em 2026 não supera muitos dos valores atingidos na última década.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) publicou a mais recente edição do Relatório Provisório de Incêndios Rurais a 1 de setembro, referente aos primeiros oito meses do ano. O documento revela que, até ao momento, arderam 67.130 hectares de povoamentos (30.123 hectares, equivalentes a 44,87% do total), área agrícola (6.325 ou 9,42%) e matos (30.682 ou 45,71%).

Ora, a última edição do Relatório Provisório de Incêndios Rurais de 2025 contabiliza um total de 269.085 hectares de área ardida no ano passado, um valor quatro vezes superior ao indicado para 2026. Além disso, em 2025, entre janeiro e agosto, já tinham ardido 254.296 hectares, o que sugere que este ano deverá ficar bastante abaixo do último.

Desta forma, 2026 apresenta o quarto valor menos elevado em número de incêndios e o quinto menos elevado de área ardida, desde 2016. É um número que não só é inferior ao registado em 2025, 2024, 2022, 2017 e 2016 como é também inferior à média dos dez anos anteriores (143.274 hectares).

Ou seja, a caracterização feita por André Ventura relativamente aos incêndios em 2026, ainda que subjetiva, ignora por completo a realidade vivida em anos anteriores e, especificamente, durante o ano de 2025, um dos mais violentos em termos de incêndios em toda a Europa, segundo a União Europeia (UE).

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