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Constança Urbano de Sousa pede desculpa à Comunidade Israelita de Lisboa na sequência de fact-check do Polígrafo

Este artigo tem mais de um ano
O Polígrafo concluiu que Constança Urbano de Sousa errou quando disse, a propósito da capacidade de multiplicação da comunidade judaica em Portugal, que uma pessoa com dois filhos teria um milhão de descendentes em 250 anos. Ontem foi obrigada a desculpar-se no Parlamento perante os representantes da comunidade, que foram ouvidos em comissão parlamentar.

A deputada do Partido Socialista e coordenadora do grupo de trabalho sobre a Lei da Nacionalidade, Constança Urbano de Sousa, deputada do PS,  pediu desculpa à Comunidade Israelita de Lisboa pelo facto de no passado dia 16 de Junho, quando o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, foi à Assembleia da República responder às questões dos deputados sobre a revisão à Lei da Nacionalidade, ter comparado o crescimento da descendência da comunidade à pandemia do novo coronavírus, bem como por ter apresentado números errados relativos à quantidade de descendentes que alguém pode ter.

Na ocasião, Constança Urbano de Sousa, que abandonou a parta da Administração Interna do Governo de António Costa na sequência dos fogos de Pedrógão Grande, falou sobre a questão das empresas que vendem a nacionalidade portuguesa como uma passagem certa para os Estados Unidos. Para explicitar o alcance deste fenómeno, afirmou o que se segue: “A descendência é exponencial. E se nós não sabíamos o que era o crescimento exponencial acho que depois da Covid qualquer português consegue perceber o que é que é um crescimento exponencial. Um casal, sei lá, eu por exemplo, com os meus dois filhos, daqui a 250 anos, sou responsável por cerca de um milhão de descendentes. Dentro daquilo que são os critérios, portanto, com dois filhos.”

judeu
José Ruah, representante da Comunidade Israelita de Lisboa, durante a audição no Parlamento

O Polígrafo fez um  fact-check às declarações da ex-ministra e concluiu que Constança Urbano de Sousa se enganou – e muito – nas contas. Em vez do milhão de descendentes em 250 anos, a socialista devia ter dito que seriam 2046 descendentes.

Constança Urbano de Sousa fez questão de pedir desculpa pela comparação: “Fui infeliz, peço desculpa, não devia ter feito essa associação.” Já relativo aos números dos descendentes, a deputada do PS afirma que os milhões que apontou eram “apenas estimativas”, pelo que a própria não sabe “ao certo” quantos são os descendentes de judeus sefarditas.

Ontem, dia 25, o representante da Comunidade Israelita de Lisboa, José Ruah, participou na sessão do grupo de trabalho realizada na Assembleia da República, onde citou o fact-check do Polígrafo para sublinhar as más contas da ex-governante. “Sobre o anúncio do perigo da multiplicação dos descendentes de judeus ouvimos com muita atenção, mas com ainda maior perplexidade, as declarações da senhora doutora no decurso de uma audição ao ministro dos Negócios Estrangeiros. Afirmou: ‘a descendência é exponencial e se nós não sabíamos o que era crescimento exponencial, depois do COVID o povo português consegue perceber o que é crescimento exponencial’. Senhora deputada, não compare por favor a descendência de judeus a um vírus. Esta descendência não é exponencial, é uma progressão geométrica é uma coisa distinta e matemática,” afirmou José Ruah.

Em resposta às declarações de José Ruah, Constança Urbano de Sousa fez questão de pedir desculpa pela comparação: “Fui infeliz, peço desculpa, não devia ter feito essa associação.” Já relativo aos números dos descendentes, a deputada do PS afirma que os milhões que apontou eram “apenas estimativas”, pelo que a própria não sabe “ao certo” quantos são os descendentes de judeus sefarditas.

 

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