"No seguimento das explicações dadas pela TAP, que levaram o ministro das Infraestruturas e da Habitação e o ministro das Finanças a enviar o processo à consideração da CMVM e da IGF, o secretário de Estado das Infraestruturas entendeu, face às circunstâncias, apresentar a sua demissão. Face à perceção pública e ao sentimento coletivo gerados em torno deste caso, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, entende, neste contexto, assumir a responsabilidade política e apresentou a sua demissão ao primeiro-ministro", justificou Pedro Nuno Santos, através de comunicado emitido às 0h16 de 29 de dezembro.

Quase à mesma hora tardia (altura em que os jornais já estão a caminho das rotativas), 23h41 de 27 de dezembro, também o Ministério das Finanças emitiu um comunicado para anunciar a demissão da secretária de Estado do Tesouro, Alexandra Reis, que durou apenas 25 dias no cargo.

Foi membro do Conselho de Administração da TAP entre outubro de 2020 e fevereiro de 2022, tendo saltado para a Presidência do Conselho de Administração da NAV Portugal - Navegação Aérea em julho deste ano. O caminho foi curto - as sedes da TAP e da NAV distam cerca de 200 metros -, mas Reis não prescindiu de uma avultada indemnização da TAP no valor de 500 mil euros. Embora por diferentes motivos (e níveis de responsabilidade política) foi esse o gatilho que resultou nesta última vaga de três demissões que ainda poderá apanhar mais governantes.

"Solicitei hoje mesmo [dia 27 de dezembro] à engenheira Alexandra Reis que apresentasse o seu pedido de demissão como secretária de Estado do Tesouro, o que foi por esta prontamente aceite. Tomei esta decisão no sentido de preservar a autoridade política do Ministério das Finanças num momento particularmente sensível na vida de milhões de portugueses", justificou o ministro das Finanças, Fernando Medina, no referido comunicado.

E vão 10 demissões no Governo liderado pelo primeiro-ministro António Costa, em apenas oito meses, desde a tomada de posse a 30 de março. Equivale a cerca de 18,2% do total de 55 governantes - 17 ministros e 38 secretários de Estado - que tomaram posse sob o manto de uma maioria absoluta parlamentar que, por seu lado, permanece incólume - 120 deputados do PS no total.

A série de demissões arrancou logo no dia 2 de maio, por motivos imponderáveis de saúde. A secretária de Estado da Igualdade e das Migrações, Sara Abrantes Guerreiro, abandonou o Governo e foi prontamente substituída por Isabel Almeida Rodrigues, até então deputada do PS, eleita pelo círculo dos Açores.

Seguiu-se uma remodelação total da pasta da Saúde. A ministra Marta Temido não resistiu ao período de rescaldo da pandemia de Covid-19 marcado pela denominada "crise das urgências" e apresentou a demissão ao primeiro-ministro no dia 30 de agosto, sendo acompanhada na saída por dois secretários de Estado: António Lacerda Sales e Maria de Fátima Fonseca.

As outras três demissões ocorreram todas em novembro. Primeiro foi Miguel Alves que tinha sido nomeado como novo secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro (um cargo que deixara de existir na orgânica do novo Governo) no dia 16 de setembro e, menos de dois meses depois, caiu na sequência de uma acusação de prevaricação pelo Ministério Público.

Duas semanas mais tarde foi a vez de João Neves, secretário de Estado da Economia, e Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, demitidos pelo ministro da Economia, António Costa Silva, por terem discordado publicamente da posição do ministro sobre a redução da taxa de IRC.

Pelo meio realizaram-se mais trocas de lugares, mas a contabilidade das demissões é simples: uma dezena em apenas oito meses. Até ao momento.

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