• Saúde

O que diz o Governo

Três coisas fundamentais: 1) Que o orçamento da saúde nunca foi tão grande; 2) Que não há cativações no sector; 3) Que o investimento em equipamentos e profissionais tem vindo a subir.

A realidade

De facto, nunca o orçamento para a pasta da saúde foi tão robusto: cerca de 11 mil milhões de euros. Também é verdade que, de acordo com a lei, as cativações estão interditas no sector. E é igualmente verdadeiro que os valores inscritos na rubrica de investimento têm subido todos os anos. Mas...

1) O dinheiro injectado tem servido fundamentalmente para tapar o buraco gigante que a opção pelas 35 horas semanais criaram. Ou seja: há mais profissionais, mas a isso não correspondem mais horas de trabalho e melhores cuidados;

2) Se é verdade que a lei proíbe cativações no sector, também é verdade que o Ministério das Finanças, com uma política de grande austeridade, “asfixia” à partida qualquer tentativa de investimento das unidades de saúde;

A nova lei das 35 horas de trabalho na Função Pública foi aplicada aos médicos?
créditos: Poligrafo

3) Através da análise da verbas orçamentadas para investimento em equipamentos, novas tecnologias, etc., conclui-se que a que foi efectivamente executada é diminuta. O Governo prevê muito, mas executa pouco.

Finalmente, há poucos dias o Observatório Português dos Sistemas de Saúde, no seu relatório de Primavera, concluiu que apesar de o SNS estar “melhor” do que muitos pretendem fazer crer, “pouco fica para memória futura da acção do actual governo”.

  • Finanças

O que diz o Governo

As “contas certas” têm sido um dos maiores argumentos políticos de António Costa. No topo de todos os indicadores, é destacada a diminuição do défice para níveis historicamente baixos e a diminuição da dívida externa.

A realidade

De facto, Portugal, com 0,5% de défice em 2018, atingiu um resultado historicamente baixo. Mas quem tem pagado essa factura? Resposta: os contribuintes. Osdados mais recentes do INE indicam que a carga fiscal aumentou em 2018 face ao ano anterior e atingiu 35,4% do PIB, o valor mais alto desde pelo menos 1995.

Mais: devido aos constrangimentos financeiros impostos pela administração central, a capacidade de resposta dos serviços públicos tem vindo a diminuir – veja-se o caso mais recente das dificuldades para tirar o cartão do cidadão, entretanto resolvidas, ou os problemas crónicos do SNS.

Por outro lado, se é certo que a dívida pública em relação ao PIB tem descido desde 2015, também é verdade que subiu em termos absolutos: 250,4 mil milhões de euros no 1º trimestre de 2019 contra 231,5 mil milhões em 2015.

Emprego

O que diz o Governo

Que o desemprego é o mais baixo em décadas e que Portugal tem uma elevada taxa de empregabilidade entre jovens licenciados.

A realidade

Uma vez mais, confirma-se: a taxa de desemprego caiu para 6,8% no primeiro trimestre de 2019. Era de 12,4% em 2015. Problema: a maior parte dos novos empregos é pouco qualificada. Apesar de a remuneração dos novos contratos ter subido, impulsionada pelo incremento do salário mínimo, ainda se situa nos 660 euros mensais.

Vieira da Silva
MIGUEL A. LOPES / LUSA

Se falarmos de emprego qualificado as notícias não são muito diferentes: há mais postos de trabalho (85,9% dos novos licenciados arranja emprego, um valor acima da média na UE), mas é mal remunerado - um relatório da OCDE concluiu que a probabilidade de os recém-licenciados portugueses terem salários baixos é das mais elevadas entre os 32 membros daquela organização.

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