Em janeiro de 2020 assumiu-se, pela primeira vez, como conservadora de direita. Começou a apoiar o partido Chega e a andar lado a lado com o respetivo líder, André Ventura. Agora é uma das caras mais conhecidas do partido, tendo até sido eleita deputada à Assembleia Municipal de Cascais, nas autárquicas de 2021.

Maria Vieira é uma das militantes mais ativas nas redes sociais, onde recentemente apelidou o ativista Mamadou Ba de "senegalês insuportável", "criatura absolutamente inenarrável" e "comensal de dinheiro público", numa publicação entretanto denunciada e retirada do Facebook. Mas foi também no Facebook que ex-colegas atores de Maria Vieira expuseram aquilo que alegam ser o seu passado ligado à APU e ao PCP.

"Quando a Maria Vieira, do 'Chaga', pertencia a uma coligação cujo presidente era Álvaro Cunhal. Naquele momento em que o passado volta para nos dar uma lição histórica", lê-se numa das várias publicações feitas nesse sentido.

Na imagem que correu as redes sociais, Maria Vieira surge ao lado de figuras como Helena Isabel, Ivone Silva, Diamantino, Armando Aldegalega e Ana Bela Chaves, por baixo do carimbo "Nós votamos APU".

Contactada pelo Polígrafo, no entanto, a atriz garante não ter "memória desse recorte de jornal, até porque devem existir milhares de recortes de jornais que ao longo dos meus 40 anos de carreira fazem referência à minha pessoa das mais variadas formas, sejam elas factuais ou fictícias".

De qualquer modo, continua Maria Vieira, "nunca votei na APU, apesar de na minha juventude mais remota ter sido militante do PCP durante um curto período de tempo". Apesar disso, a agora filiada no Chega refere que na juventude se cometem "muitos erros e fazem-se imensos disparates", sendo que "ter acreditado no maldito comunismo terá sido um dos meus maiores erros que corrigi rapidamente, saindo do partido assim que me apercebi do lamaçal de corrupção e de mentiras em que o mesmo sempre esteve enterrado".

Filha de pai anti-fascista e militante do PCP, Maria Vieira esteve poucos anos ligada aos comunistas e referiu até, em entrevista ao jornal "Correio da Manhã" (outubro de 2017), que existem "parecenças [do PCP] com o antigo regime [Estado Novo]. Enquanto o outro era fascismo de direita, este era fascismo de esquerda".

Em declarações ao Polígrafo, a atual deputada à Assembleia Municipal de Cascais pelo Chega considera mesmo que "o comunismo deveria ser proibido no mundo inteiro, à semelhança do nazismo".

Nesse sentido realça que "o maldito comunismo foi responsável por mais de 100 milhões de mortos, conseguindo dessa forma superar o maldito nazismo que em comparação matou cerca de seis milhões".

Esta alegação, tal como a plataforma de fact-checking brasileira "Aos Fatos" já verificou (partindo de uma frase similar de Eduardo Bolsonaro, filho do atual presidente do Brasil), é factualmente incorreta. "Em relação ao regime nazi, se tivermos em conta os militares e os civis alemães e estrangeiros mortos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os números podem chegar a aproximadamente 45 milhões. Esta é a estimativa utilizada pelo Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos da América", destacou.

No entanto,"historiadores de várias nacionalidades e idades apontam para divergências que vão dos 40 milhões aos 70 milhões de mortes, incluindo militares, civis e atrocidades decorrentes da guerra, como a fome e a devastação".

Olhando unicamente para o número referido, seis milhões de mortos, este corresponde apenas às mortes de judeus dentro dos campos de concentração, segundo o historiador judeu-francês Leon Poliakov. "Este número também é aceite e utilizado pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos da América e pelo Museu Yad Vashem, em Israel", sustenta.

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