João Patrocínio, Secretário-Geral do Partido Nacional Renovador (PNR), garantiu ao Polígrafo que o militante que foi responsável pela inserção de uma imagem falsa de Catarina Martins no Facebook está "sob alçada disciplinar" na organização. "Aquilo foi um excesso", afirma o dirigente do partido de extrema-direita, que garante que o PNR não quer ser um agente de divisão de desinformação.

"Não somos um partido que veicule fake news seja sobre quem for", diz. Então porque não investigaram a autenticidade da imagem? Resposta: "porque pareceu ao meu colega que ela fazia sentido."

Na imagem em causa, Catarina Martins surge como autora da seguinte frase, alegadamente proferida ao jornal Expresso no dia 15/02/2017: “A verdade é que considero que a cultura islâmica é superior à portuguesa e apenas com a aceitação de mais refugiados é que este país pode progredir”.

A acompanhar a publicação - que em poucas horas teve quase 200 partilhas por parte dos seguidores da página - estava o texto que se segue, este da autoria dos gestores da página do partido de extrema-direita: “A ser verdade, cumpre-nos informar. Não há culturas superiores e inferiores, pelo simples facto de que não há “métrica” para as medir.

As culturas são só diferentes umas das outras. Esta declaração é profundamente xenófoba porque discrimina culturas.

Só podia vir de uma esquerdista 'pseudo-encartada' e ignorante.”

A publicação gerou imediata reação por parte da comunidade: poucas horas depois da divulgação, ao final da tarde de hoje, já tinha centenas de partilhas  e mais de cem comentários. Entre um ou outro leitor a questionar a autenticidade da imagem, sucederam-se palavras de profundo desprezo pela dirigente do BE. Alguns exemplos:

  • Ricardo Rodrigues: “Será que alguém lhe contou que as leis islâmicas proíbem o consumo de álcool, drogas , homossexualidade e quase tudo aquilo que o partifo dela parece defender?”
  • Norberto Franco: “Uma tristeza de mulher (...) é de uma hipocrisia, estupidez e ignorância nunca visto (...) NACIONALISMO JÁ.”
  • Leonel Sobral Correia: “A falta que o movimento skin faz.”
Catarina Martins

O Polígrafo analisou a autenticidade da declaração e concluiu que é falsa. No dia 15/02 de 2017 o Expresso não foi para as bancas. No mês de Fevereiro de 2017 as quatro edições semanais foram publicadas nos dias 4, 11, 18 e 25. Analisada a imagem em questão através do instrumento de pesquisa de imagens da Google, este remete-nos para o endereço picsnaper.com, um site de manipulação de imagens com texto. No caso concreto de Catarina Martins, a pesquisa leva-nos a uma imagem com formatação semelhante, o que leva a crer que terá sido aquele o template escolhido para “emoldurar” a foto e a frase falsa da dirigente bloquista, que ontem foi reconduzida na liderança do partido.