A pergunta:

Miguel Sousa Tavares, caçador confesso e fervoroso adepto de touradas, afirmou na TVI, ao comentar o resultado positivo do partido Pessoas Animais e Natureza (PAN), que “o PAN é um partido que não recolhe votos nos meios rurais. Nos meios rurais toda a gente detesta o PAN. Toda a gente detesta o PAN! O PAN não tem um voto nos meios rurais.” Isso é verdade?

A resposta:

Na realidade não é exatamente assim. Se é certo que o PAN obteve bons resultados em áreas urbanas como Lisboa (6,8%), Porto (5,6%) e Setúbal (6,6%), todos acima do 5,1% do total nacional, também é inegável que a sua capacidade para angariar votos se alarga a todos os concelhos do país – meios rurais incluídos. Em Santarém obteve 3,9%. Em Faro, garantiu 6,2 pontos acima do CDS, que teve 4,7% - só na vila de Aljezur, que não é propriamente um ambiente urbano, o partido liderado por André Silva registou 7,8%. Também em Leiria, outro distrito rural, obteve 4,7%, um resultado acima daquilo que o PCP conseguiu (4,5%). Os exemplos de bons resultados sucedem-se por todo o território nacional.

Avaliação do Polígrafo: falso

antónio costa
NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA créditos: © 2019 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

A pergunta:

No seu discurso de vitória, António Costa afirmou: “É muito claro que o Partido Socialista e os partidos que, com o PS, viabilizaram a atual solução governativa há três anos e meio, não tiveram uma derrota; pelo contrário, tiveram uma vitória na noite de hoje.” É verdade?

A resposta: 

Se em relação ao  partido liderado por Catarina Martins não há dúvidas de que obteve um excelente resultado, duplicando a sua representação no Parlamento Europeu, deverá haver ainda há menos hesitações na hora de concluir que o PCP é um dos grandes derrotados na noite. Os números são inequívocos: nas últimas eleições europeias, o partido de Jerónimo de Sousa obteve 12,6%, correspondentes a 410.517 votos. Agora conseguiu 6,8%, equivalentes a 224.572 votos – uma perda muito significativa.

Avaliação do Polígrafo: Impreciso

Na verdade, em relação ao score de 2014, que levou António Costa a colocar a liderança de António José Seguro em causa com o argumento de que estávamos perante um resultado “poucochinho”, o PS só sobe 1,9 pontos percentuais - 33,4% agora contra 31,5% há cinco anos.

A pergunta:

Vários dirigentes do PS classificaram a vitória socialista como tendo sido muito expressiva, pelo facto de o partido ter obtido mais 11,4 pontos percentuais do que o seu adversário direto, o PSD, que garantiu 22%. Mas será que se trata de uma vitória assim tão destacada?

A resposta: 

Tem de ser negativa. Na verdade, em relação ao score de 2014, que levou António Costa a colocar a liderança de António José Seguro em causa com o argumento de que estávamos perante um resultado “poucochinho”, o PS só sobe 1,9 pontos - 33,4% agora contra 31,5% há cinco anos. Em número de votos, o reforço é somente de cerca de 70 mil. Mais: se somarmos a votação do PSD e do CDS (que em 2014 concorreram coligados), dá um total de 28,2% dos votos – menos 5,2 pontos do que o PS. E o que aconteceu em 2014? A diferença cifrou-se em 3,7 pontos. Ou seja, em relação ao PSD e CDS juntos, Costa obteve apenas mais 1,5% do que Seguro conseguiu em 2014. Poucochinho, portanto.

Avaliação do Polígrafo: Falso

Marques Mendes critica Governo por só ter decretado serviços mínimos para Lisboa e Porto na greve dos motoristas. Verdade ou mentira?
créditos: Poligrafo

A pergunta:

Na SIC, Marques Mendes afirmou que o PSD nunca tinha obtido um resultado abaixo dos 30%, sendo este o pior score da sua história. Verdadeiro ou falso?

A resposta: 

Até ontem, o pior resultado do PSD em europeias registara-se nas eleições de 1999, quando o cabeça de lista do partido foi Pacheco Pereira. Nessa altura, obteve 31,1%, correspondentes a cerca de um milhão de votos. Agora contabilizou 22%, equivalentes a 725 mil votos.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

Catarina Martins
créditos: Poligrafo

A pergunta:

No seu discurso de fecho da noite, Catarina Martins afirmou que o Bloco de Esquerda "cresceu em percentagem, em votos e em todo o território". É mesmo assim?

A resposta: 

Os dados confirmam as palavras de Catarina Martins em toda a linha. Em percentagem, o BE saltou de 4,6% em 2014 para 9,8%. Em número de votos, viu aumentar o seu resultado de 148.771 para 323.813. Finalmente, não houve um único distrito em que o BE não tenha crescido eleitoralmente.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

Notificações

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.