Sobre a questão das pensões:

A informação, tornada viral, é baseada numa noticia publicada pelo Correio da Manhã, segundo a qual Manuel Alegre recebe duas pensões do Estado: uma da RDP, onde foi funcionário; outra pela sua atividade como deputado na Assembleia da República, onde esteve 34 anos, após os quais requereu a subvenção vitalícia a que então tinha direito (o Governo de José Sócrates anulou a legislação em causa).

Como funcionário da RDP, Alegre recebe 3219 euros mensais de reforma. A subvenção estatal a que tem direito é superior a 2 mil euros. Tudo junto, o ex-deputado facturaria, segundo as informações colocadas a circular, mais de 5 mil euros em pensões por mês. Será verdade?

“As pessoas deviam preocupar-se com aqueles que recebem milhares. Não aqueles que lutaram contra o fascismo, que estiveram nas cadeias, no exílio e depois fizeram a democracia”, afirma Manuel Alegre ao Polígrafo.

A resposta de Alegre:

Ao Polígrafo, Manuel Alegre confirmou receber as duas reformas, acrescentando que a subvenção vitalícia foi suspensa e é agora “residual”. O histórico socialista nega que o valor seja o avançado pelo Correio da Manhã e, por isso decidiu agir judicialmente contra o jornal, acusando o diário de difamação.

Atualmente a lista de subvenções mensais vitalícias não é disponibilizada publicamente pela Caixa Geral de Aposentações (CGA): “A publicação da lista dos beneficiários de subvenção mensais vitalícias, suspensa por efeito do Regulamento Geral da Proteção de Dados, será retomada com a entrada em vigor de legislação específica que o preveja expressamente”, pode ler-se na página da CGA. No entanto, Alegre avançou ao Polígrafo que o valor que recebe situa-se “à volta de 600 euros” por mês.

“As pessoas deviam preocupar-se com aqueles que recebem milhares. Não aqueles que lutaram contra o fascismo, que estiveram nas cadeias, no exílio e depois fizeram a democracia”, afirma Manuel Alegre, que acrescenta que “deviam preocupar-se com aqueles que se serviram da democracia e daquilo que nós fizemos para hoje terem ordenados que ultrapassam em muito o do primeiro-ministro e do Presidente da República. Além daqueles que fizeram coisas como o BPN, e outras que tais, e ainda andam à solta”.

Em resumo, é verdade que Alegre acumula duas pensões, mas nada há de ilegal no seu caso, uma vez que o seu recebimento está legalmente enquadrado.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro, mas...

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O blogue em que Manuel Alegre foi acusado de traição

Sobre a sua alegada “traição da pátria”:

Vários textos publicados em blogues – e assinados por diferentes autores –acusam o socialista de, durante o seu exílio em Argel (Argélia), ter passado informações aos inimigos sobre a posição das tropas portuguesas, contribuindo para que os soldados caíssem em emboscadas.

As acusações surgiram em 2010, quando Manuel Alegre se apresentou como candidato à Presidência da República, e voltaram a ganhar vida recentemente.

Contactado pelo Polígrafo, Manuel Alegre considera que ambas as acusações são “calúnias e mentiras”, reforçando que “os tribunais já se pronunciaram, as pessoas que fizeram isso foram condenadas e tiveram de pagar uma indemnização”.

O tenente-coronel Brandão Ferreira foi levado a tribunal por difamação, tendo sido ilibado na primeira instância. Porém, o Tribunal da Relação de Lisboa condenou-o a pagar uma indemnização a Alegre no valor de 25 mil euros e uma multa de 1.800 euros.

O histórico militante do PS refere-se ao tenente-coronel Brandão Ferreira, autor de diversos textos sobre a experiência militar e revolucionária de Alegre. Num dos textos, publicado no seu blogue pessoal, Brandão Ferreira acusa-o de ter ajudado a “emboscar as tropas” portuguesas. “O cidadão MA [Manuel Alegre] quando foi para Argel não se limitou a combater o regime, consubstanciado nos órgãos do Estado, mas a ajudar objetivamente as forças políticas que nos emboscavam as tropas”, escreveu o tenente-coronel.

Manuel Alegre nega todas acusações: “Isso era impossível, como foi demonstrado em tribunal”.  Em causa estão os anos em que o poeta trabalhou com a rádio “Voz da Liberdade”, sediada em Argel, e que se assumia como emissora da frente patriótica da libertação nacional. “A Voz da Liberdade não podia, a não sei quantos milhares de quilómetros de distância, dar informações dessa natureza. Era física e humanamente impossível”, afirma o antigo deputado.

O tenente-coronel Brandão Ferreira foi levado a tribunal por difamação, tendo sido ilibado na primeira instância. Porém, o Tribunal da Relação de Lisboa condenou-o a pagar uma indemnização a Alegre no valor de 25 mil euros e uma multa de 1.800 euros. (Pode ler o acórdão aqui).

Avaliação do Polígrafo: Falso

O “desertor” que foi passado a disponibilidade

A outra acusação de que é alvo Manuel Alegre é de ter desertado da guerra do Ultramar, onde serviu entre 1961 e 1963. O histórico socialista volta a negar a acusação e recorda que esteve na guerra “embora discordasse dela”. A declaração de Alegre é verdadeira: o socialista não desertou, uma vez que foi passado à disponibilidade por parte do Exército, um ano antes de se exilar.

Avaliação do Polígrafo: Falso:

 

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