A mentira sobre as férias de António Costa durante os incêndios

No último dia da campanha eleitoral, o primeiro-ministro foi confrontado na rua, em Lisboa, por um cidadão que o acusou de estar de férias quando ocorreu o incêndio de Pedrógão Grande em 2017. O Polígrafo já tinha desmentido essa falsidade que circula nas redes sociais através de memes e outras publicações.

O incêndio de Pedrógão Grande ocorreu entre os dias 17 e 24 de junho de 2017 e, durante esse período de tempo, António Costa estava em funções como primeiro-ministro. Só posteriormente é que foi de férias, de facto, na primeira quinzena de julho de 2017.

Consultando as notícias de jornais e reportagens nas estações de televisão durante esse período temporal verificámos, aliás, que o primeiro-ministro esteve presente em Pedrógão Grande logo no dia 18 de junho de 2017. Na altura das férias de Costa, mais do que o incêndio de Pedrógão Grande, o que causou uma maior controvérsia foi a proximidade temporal com o furto de material de guerra na base militar de Tancos, detectado no dia 28 de junho.

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A difamação contra Joacine Katar Moreira por causa da gaguez

Na última semana da campanha eleitoral propagaram-se nas redes sociais diversos vídeos mostrando Joacine Katar Moreira, cabeça-de-lista do Livre no distrito de Lisboa, a discursar mais fluidamente e quase sem gaguez. Nas mensagens que acompanham essas publicações insinua-se ou acusa-se explicitamente a candidata de fingir ou exagerar a gaguez durante a campanha por motivos eleitoralistas.

O Polígrafo analisou vídeos mais antigos de Joacine Katar Moreira e comprovou que a gaguez não é recente nem fingida. Por outro lado, também confirmou junto de duas terapeutas da fala que o grau de gaguez de uma pessoa pode variar mediante diferentes momentos e contextos. As publicações em causa (e importa salientar que tiveram origem em páginas ligadas a apoiantes/militantes de outros partidos) foram partilhadas por milhares de pessoas nas redes sociais, difundindo assim uma falsidade e desinformando a opinião pública.

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O suposto "perdão para violadores sexuais" no programa do PAN

Publicação na página "Portugal - Liberdade em Democracia" denunciou que o "PAN propõe perdão para violadores sexuais", concluindo que "pretende assim desculpabilizar violadores e agressores sexuais que cometem um dos crimes mais chocantes e cujas vitimas por vezes são menores e crianças de tenra idade".

O Polígrafo verificou que essa publicação deturpa os factos e difunde uma falsidade. A proposta em causa do programa do PAN foi alterada, depois de ter sido alvo de críticas públicas, mas mesmo a proposta original não consistia em "perdão para violadores sexuais". Na redação original da polémica "medida 1081" não se fazia qualquer referência a "perdoar" ou sequer "desculpabilizar".

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A falsa proposta bloquista de aumentar "o RSI para ciganos e migrantes"

É uma publicação com mais 7.500 partilhas acumuladas na rede social Facebook, baseando-se na difusão em massa da seguinte mensagem: "750 euros de RSI, para ciganos, migrantes e outros, quer a senhora Catarina. Quem trabalha no duro, 650 euros… Boa camarada! E somos racistas".

Há uma série de publicações com mensagens mais ou menos similares - variando por vezes os valores e os destinatários da suposta iniciativa de Catarina Martins, líder do BE - que continuam a propagar-se nas redes sociais, embora o Polígrafo já tenha sinalizado algumas dessas publicações como falsas.

Ora, não há registo público de que Catarina Martins tenha proferido tal declaração, ou que o BE tenha proposto tal medida. O valor do Rendimento Social de Inserção (RSI) tem sido atualizado todos os anos, mas o limite máximo permanece muito distante dos referidos 750 euros mensais. A Portaria 22/2019 fixou o valor do RSI em 2019 com um limite máximo de 189,66 euros (em 2018 era de 186,68 euros e, no ano anterior, de 183,84 euros).

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O logro do aumento da idade da reforma decidido pelo Governo

Em 2015, quando era candidato a primeiro-ministro, Costa prometeu que “a idade da reforma não é para mexer”. Em 2018, já como primeiro-ministro, decidiu que “a idade da reforma sobe para 66 anos e cinco meses em 2019”. Esta aparente contradição deu origem a uma publicação na página "PSD Europa" acusando o primeiro-ministro de ser "um grande mentiroso".

O Polígrafo verificou que o aumento em um mês da idade da reforma advém do aumento da esperança média de vida, um elemento integrado no fator de sustentabilidade. O fator de sustentabilidade é um mecanismo de cálculo, criado em 2008, com o objetivo de fazer refletir o aumento da esperança média de vida na idade de acesso à reforma sem penalizações.

Em suma, não se deveu a uma alteração da lei por parte do atual Governo liderado por António Costa. É uma atualização como que automática, prevista na lei.

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