A resposta é simples: não. Desde 1995, ano em que Aníbal Cavaco Silva terminou o seu último mandato enquanto primeiro-ministro, nenhum chefe de Governo conseguiu alcançar o feito.

Cavaco Silva foi chefe de Governo durante 10 anos, entre novembro de 1985 e outubro de 1995, com duas maiorias absolutas. Em 1995, o país fez uma viragem e deu a vitória ao PS. António Guterres tornou-se primeiro-ministro mas, a meio do segundo mandato, a 16 de dezembro de 2001, pediu a demissão para "evitar que o país caia num pântano político". Em causa, a derrota nas eleições autárquicas, nas quais o PS foi superado pelo PSD no número de autarquias conquistadas e perdeu câmaras relevantes: em Lisboa, Pedro Santana Lopes venceu a coligação de esquerda no poder desde a vitória de Jorge Sampaio sobre Marcelo Rebelo de Sousa em 1989; no Porto, Rui Rio derrotou Fernando Gomes; e Fernando Seara "tirou" Sintra a Edite Estrela. Além disso, Guterres enfrentava problemas para negociar o Orçamento do Estado, que em 2001 e 2002 apenas passou devido à abstenção do autarca do CDS (e depois independente) Daniel Campelo, o famoso "orçamento do queijo limiano".

Entra em cena José Manuel Durão Barroso, mas por pouco tempo. Depois de dois anos em que justificou a austeridade por ter encontrado o país "de tanga", pela primeira vez na história do país, um chefe de Governo abandonou o cargo para presidir à Comissão Europeia. A saída de Durão Barroso deu entrada a Pedro Santana Lopes que se tornou primeiro-ministro sem a realização de eleições. No entanto, poucos meses depois, o então Presidente da República Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia da República.

  • Apenas um primeiro-ministro foi reeleito em sete dissoluções do Parlamento?

    No dia em que o Orçamento do Estado é chumbado pela primeira vez em 47 anos, o país aguarda agora a dissolução da Assembleia da República e o agendamento de eleições legislativas. O Polígrafo recorda as sete ocasiões em que este cenário se colocou e os governos formados depois da ida às urnas. Será que a História está do lado de António Costa?

Em 2005, o país dava a primeira maioria absoluta ao PS de José Sócrates, mas o segundo mandato não chegou ao fim. Depois do chumbo no Parlamento do quarto Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), Sócrates demite-se enquanto acusa a oposição de ter retirado " todas as condições para o Governo continuar". Em 2011, o senhor que se segue é Pedro Passos Coelho que constituiu Governo em coligação com Paulo Portas. Depois de anos a governar com a "troika" no país, Passos voltou a vencer em 2015 mas, em menos de um mês, o Executivo caiu depois de o programa de Governo ser chumbado no Parlamento.

Sai Passos, entra António Costa e uma solução inédita de um acordo de maioria de esquerda no Parlamento com o PCP e o Bloco de Esquerda, que viria a ser chamado de "geringonça". Costa ganharia as eleições em 2019 para o segundo mandato, mas já sem o apoio por escrito da esquerda. Mandato esse que agora chegou ao fim antes de tempo depois de um também inédito chumbo do Orçamento do Estado. Com novas eleições marcadas para 30 de janeiro de 2022, resta saber se Costa dá a volta à história... ou não.

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