A dúvida:

Constâncio mentiu no Parlamento, como já insinuaram alguns deputados?

A resposta:

Não é possível concluir de forma inequívoca que Constâncio tenha mentido na Comissão de Inquérito à CGD, mas é seguro dizer que omitiu factos muito relevantes no que respeita ao seu conhecimento sobre o empréstimo de 350 milhões que em 2017 a CGD fez à Fundação Berardo para que esta aumentasse a sua participação na estrutura acionista do BCP.

Quando foi inquirido na comissão parlamentar, o ex-governador do Banco de Portugal (BP) foi evasivo e alegou problemas de memória em várias ocasiões – e em nenhuma mencionou o facto de a administração do Banco de Portugal ter realizado uma reunião nessa altura em que decidiu “não se opor” às intenções “expansionistas” de Joe Berardo no BCP.

Ao Polígrafo, Cecília Meireles, deputada do CDS, sublinhou que “seria natural, desejável e expectável” que Vítor Constâncio tivesse mencionado no Parlamento a questão da autorização do Banco de Portugal ao reforço de Berardo no BCP, “mas optou por não o fazer por razões que o próprio saberá.”

O ex-Governador defende-se dizendo que nenhum deputado o interrogou sobre a questão particular da aprovação pelo BP do reforço da posição da Fundação Berardo no BCP. Em entrevista à RTP, afirmou: “Se tivessem perguntado... Não veio o assunto da não objeção [a que Berardo reforçasse no BCP] na audição. Não omiti nada, também não menti nada.”

Ora, os deputados não poderiam fazer-lhe qualquer pergunta sobre o assunto tendo em conta que, ao contrário de Constâncio, não possuíam essa informação. Ao Polígrafo, Cecília Meireles, deputada do CDS, sublinhou que “seria natural, desejável e expectável” que Vítor Constâncio a tivesse mencionado na Assembleia da República, “mas optou por não o fazer por razões que o próprio saberá.”

créditos: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Amanhã terá oportunidade para as especificar.

Avaliação do Polígrafo: Impreciso

A dúvida:

Vítor Constâncio autorizou ou não o empréstimo de 350 milhões de euros da CGD a Joe Berardo para entrar no BCP?

A resposta:

Não. O que o Banco de Portugal – e não Vítor Constâncio pessoalmente - autorizou foi que a Fundação Berardo aumentasse a sua participação no capital do BCP para uma quota qualificada superior a 5% e inferior a 10%. Quando a reunião que formalizou esta aprovação foi realizada o crédito da CGD já estava decido.

Avaliação do Polígrafo: Falso

créditos: © 2019 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

A dúvida:

Vítor Constâncio participou ou não na reunião em que se decidiu a não oposição ao aumento da participação da Fundação Berardo no capital do BCP?

A resposta:

Não. No dia da reunião, realizada a 21 de agosto de 2007, Constâncio não esteve presente, como o comprova uma acta do Banco de Portugal entretanto tornada pública. O então Governador terá sido informado à posteriori. De qualquer modo, há algo que é ainda mais incontestável de que uma acta de uma reunião: o governador do Banco de Portugal, pela natureza das suas funções, é co-responsável por todas as decisões tomadas pelo conselho de administração a que preside.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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