CRESCIMENTO DA ECONOMIA

O QUE COSTA DISSE:

Segundo o Primeiro-Ministro “pela primeira vez desde o início do século a nossa economia cresceu acima da média da União Europeia”.

A análise:

O crescimento da economia tem sido consecutivamente um dos argumentos de António Costa para exemplificar o sucesso da governação socialista.  De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2017, a economia portuguesa cresceu 2,7%, atingindo cerca de 179,2 mil milhões de euros em termos reais e aproximando-se assim do valor que tinha em 2010, antes da crise económica.

As informações disponíveis vão ao encontro do que o líder do Executivo sublinhou na sua comunicação ao país: segundo os dados mais recentes do Eurostat, a economia da zona Euro está a abrandar: no terceiro trimestre de 2018, cresceu apenas 0,2% face ao trimestre anterior – um desempenho inferior ao de Portugal, que cresceu o,3% no mesmo período. O que Costa não disse foi que em termos homólogos Portugal, que cresceu 2,1% face ao terceiro trimestre de 2017, só  tem cinco países com um desempenho inferior ao seu : Itália (0,8%), Alemanha (1,2%), França e Reino Unido, ambos com um crescimento de 1,5% e a Bélgica com 1,7%.

A avaliação: Verdadeiro, mas...

CRIAÇÃO DE EMPREGO

O QUE COSTA DISSE:

Durante o seu período no governo, foram criados 341 mil novos empregos.

A análise:

De acordo com os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE), a população empregada em Portugal passou de 4.495 milhões de pessoas em novembro de 2015 (no início da legislatura) para 4.814 milhões de pessoas em setembro de 2018 (são os dados mais recentes, plasmados nas Estimativas Mensais de Emprego e Desemprego de outubro de 2018). Ou seja, foram criados cerca de 319 mil novos postos de trabalho ao longo da legislatura, ligeiramente abaixo do número evocado por Costa.

Avaliação do Polígrafo:Impreciso

 

saúde

O PROGRESSO NA MEDICINA GERAL E FAMILIAR

O QUE COSTA DISSE:

O Primeiro-Ministro destacou o facto de neste momento existem 93% de portugueses com médico de família atribuído.

A análise:

O número é correto, embora ainda esteja longe do objetivo traçado no início da legislatura: um clínico geral para cada português. O próprio primeiro-ministro reconheceu que ainda falta encontrar uma solução para 680 mil portugueses.

O que António Costa não referiu foi que destes 680 mil, 153 mil são menores – isto depois de ter entrado em vigor legislação que estabelece que nenhuma criança deve ficar privada de médico de família. “Continuam a existir obstáculos à atribuição de médico de família a todos os menores de 18 anos, que são particularmente preocupantes na região de Lisboa e Vale do Tejo, mas também nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira”, refere o relatório “Gerações Mais Saudáveis” recentemente divulgado pelo Conselho Nacional de Saúde.

Avaliação: Verdadeiro, mas...

A REDUÇÃO DO DÉFICE

O QUE ANTÓNIO COSTA DISSE:

Já na segunda metade da sua intervenção, Costa sublinhou a necessidade de continuar a investir na qualidade dos serviços púbicos como o SNS ou os transportes, na modernização das infraestruturas, na melhoria da vida dos pensionistas e das condições de trabalho na administração pública, aumentar a justiça fiscal e as prestações sociais. Isto sem deixar de baixar o défice e a dívida. Mas é verdade que défice e dívida têm vindo a cair?

A análise:

Quanto ao défice, é um dado irrefutável que este Governo tem conseguido resultados positivos. Tudo aponta para que tenhamos este ano um défice próximo de zero - o mais baixo de sempre da democracia portuguesa. Se encararmos em perspetiva o desempenho ao longo da legislatura, é possível notar uma melhoria contínua, que se prevê que se aprofunde em 2019, o derradeiro ano deste Governo.

Em 2016, registou-se um défice público de -2% do PIB, o mais baixo em democracia até então.

Relativamente a 2017, o Executivo defende que este se fixou em-0,9% do PIB, mas o número não é pacífico: se contarmos da injeção de capital (cerca de 4 mil milhões de euros) pelo Estado português na Caixa Geral de Depósitos (CGD) o défice é de -3%. O INE seguiu uma recomendação do Eurostat e incluiu o efeito da CGD no cálculo do défice público em 2017.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro, mas...

banco

Sobre a redução da dívida, também há duas maneiras de analisar o assunto: numa perspetiva bondosa (a preferida do Governo) e numa perspetiva puramente contabilística, que não vai totalmente ao encontro da narrativa de António Costa.

A primeira perspetiva diz-nos que a dívida em percentagem do PIB (Produto Interno Bruto) está efetivamente a descer. Dos 125,7% registados em 2017, o FMI prevê que atinja os 120,8% no final de 2018. Para o próximo ano, a dívida deverá atingir os 117,2%do PIB português. Isto acontece porque a economia portuguesa está a crescer, logo a criar mais riqueza. O PIB nacional fechou 2017 nos 193,1 mil milhões de euros. Para este ano, o FMI espera que o país crie 200,6 mil milhões de euros de riqueza. Para 2019, a expectativa do Fundo é que Portugal atinja um PIB de 207,5 mil milhões de euros.

Se nos fixarmos na contabilidade pura, temos de concluir que desde que António Costa tomou posse que a dívida absoluta aumentou, num total de 17,419 mil milhões de euros. Dos 231,526 mil milhões de euros registados em Novembro de 2015, a dívida continuou a subir desde então. Nos últimos três anos, a dívida subiu 7,5% para um total de 248,955 mil milhões de euros em Setembro de 2018, segundo os dados do Banco de Portugal.

Segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida absoluta vai continuar a aumentar. Dos 242,4 mil milhões esperados para este ano, a dívida portuguesa vai continuar a subir em 2019 e 2020 quando deverá atingir os 246,7 mil milhões de euros. A partir daí, deverá começar a recuar gradualmente até atingir os 241,4 mil milhões de euros em 2023.

A avaliação: Verdadeiro mas...

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