1.

O que disse Marcelo: 

“A minha posição tem sido cá dentro [em Portugal] sempre a mesma: quando há um processo criminal em curso, não falo dele publicamente e em privado não tenho contacto com vítimas”.

A análise:

Logo no início da entrevista, o candidato a um segundo mandato em Belém foi confrontado com o seu silêncio em relação ao caso do cidadão ucraniano morto nas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Justificação de Marcelo: com o seu silêncio estava a ser coerente com o que sempre teria sido a sua atuação em casos que estivessem sob investigação criminal.

Marcelo Rebelo de Sousa

Ora, isso não é verdade, como sublinhou o jornalista Ricardo Costa, que, juntamente com Bernardo Ferrão, conduziu a entrevista. Em junho de 2020, Marcelo Rebelo de Sousa pronunciou-se sobre o processo de apuramento de responsabilidades nos incêndios de 2017 em Pedrógão Grande quando este ainda estava a decorrer. "É bom que a investigação seja levada até ao fim, apurando o que se passou, se há dúvidas sobre aquilo que se passou", disse, em declarações ao "Observador".

Na mesma ocasião, o Presidente da República afirmou ainda: "Até o próprio facto de o apuramento das responsabilidades, que acaba por abarcar de uma forma ou de outra responsáveis locais, sem que se possa dizer em homenagem ao Estado de Direito que alguém possa ser condenado antes de um trânsito definitivo de uma decisão judicial sobre a matéria, se houver decisão judicial sobre a matéria, se houver matéria para isso, tudo isso também complica uma mudança que seria sempre difícil e que desejaríamos mas mais rápida”.

Antes, a 8 de dezembro de 2018, Marcelo não só falou publicamente do episódio do deslizamento de terras em Borba como se reuniu com os familiares das vítimas do acidente que ocorreu na estrada nacional 255.

Nessa altura, o Ministério Público já tinha  instaurado o inquérito e aberto as investigações ao colapso da estrada municipal do qual resultaram cinco vítimas mortais - o que foi anunciado a 2o de novembro desse ano.

Ou seja, o processo já se encontrava a decorrer quando o Presidente da República se pronunciou da seguinte forma: “Estou convencido de que, terminado o prazo do inquérito determinado pelo Governo, o senhor primeiro-ministro e o Governo, na sua humanidade, rapidamente encontrarão uma forma de não fazer esperar muito aqueles que já sofreram muito”.

Na mesma ocasião, Marcelo afirmou que seria “evidente” a responsabilidade pública neste processo e sublinhou que “a lei é muito clara quanto à responsabilidade por funcionamento anómalo de serviço público e é um funcionamento anómalo uma estrada cair nos termos que caiu”.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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2.

O que disse Marcelo:

“Eu disse exatamente o seguinte: ‘Segundo diz a senhora Ministra da Saúde (que estava ao meu lado), há vacina para todos o que se queiram vacinar e a vacinação está pronta até dezembro’.”

A análise:

No dia 19 de outubro, o Presidente da República dirigiu-se, na companhia de Marta Temido, ministra da Saúde, à Unidade de Saúde Familiar (USF) Descobertas, em Lisboa, onde tomou a vacina contra a gripe e falou sobre o processo de vacinação.

Marcelopol

As palavras de Marcelo não foram exatamente as que referiu durante a entrevista à SIC, mas o conteúdo não difere. “É uma preocupação de muitos portugueses: haverá vacinas em número suficiente para todos aqueles que queiram vacinar-se e estarão disponíveis em tempo útil? E aquilo que me foi dito, e a senhora ministra acaba de confirmar, é que até à primeira semana de dezembro, a partir deste momento, portanto a partir de pouco mais de meados de outubro e durante o mês de novembro, progressivamente todos os que queiram vacinar-se, serão vacinados”, disse o Chefe de Estado.

As declarações proferidas por Marta Temido nesse dia também já foram verificadas pelo Polígrafo.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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3.

O que disse Marcelo:

“O máximo de otimismo é dizer que há 18% de pessoas imunizadas para a Covid-19 em Portugal e o mínimo 7/8%.”

A análise:

Questionado pelo Polígrafo sobre os valores indicados pelo Presidente da República, Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), sublinha que os números "são plausíveis".

Marcelo Rebelo de Sousa

Para o especialista em saúde pública, “quando se fez o inquérito serológico nacional o número de imunizados era de 3%. Havia muito mais gente na população com anticorpos do que aqueles que tínhamos confirmados como casos”. Portugal conta hoje com mais de 335 mil casos - e Mexia considera que, em relação ao inquérito serológico realizado pelo Instituto Nacional Ricardo Jorge em julho, a diferença de imunizados para o número de casos confirmados não será tão alargada: “A diferença era cerca de 10 vezes superior em relação aos casos que tínhamos confirmados. Ora, nós não temos 3 milhões de portugueses que já tiveram contacto com a doença.”

Ainda assim, o especialista sublinha desconhecer a fonte dos dados de Marcelo e defende que só podemos falar de números concretos depois de ser feito um inquérito serológico atualizado - o que não é o caso neste momento.

Avaliação do Polígrafo: Impreciso

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