Tempo de campanha é tempo de propaganda eleitoral. Esta eleição não é exceção e todos os partidos foram para a rua, cada qual com os seus argumentos. PS e PSD decidiram-se pela utilização de elementos quantitativos – e, portanto, verificáveis – nos seus cartazes. O Polígrafo foi analisá-los um a um.

Começamos pelas afirmações contidas nos cartazes socialistas:

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Aumento do Salário Mínimo

Quando o PS assumiu o poder em 2015 o salário mínimo nacional era de 505 euros. O seu programa eleitoral já previa a subida daquele valor. O acordo com o Bloco de Esquerda e o PCP terá sido fundamental para a rápida subida até aos 600 euros atuais.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

Devolução dos subsídios de Férias e de Natal

O corte dos subsídios de férias e de natal foi uma herança do governo PSD/CDS. O seu fim constituiu, desde o início da legislatura, uma prioridade para o ministro das Finanças Mário Centeno e para António Costa.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

Reposição e aumento das Pensões

Outra herança dos tempos da austeridade de Vítor Gaspar. Quando Costa entrou em São Bento vigoravam os cortes impostos pela troika. Entretanto todos caíram e as pensões mais baixas foram aumentadas.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

Fim da sobretaxa de IRS

Esta foi uma das decisões mais polémicas da governação e, por isso, aquela cuja eliminação envolveu maior carga simbólica. A sobretaxa de IRS foi removida faseadamente ao longo da legislatura até terminar de vez para todos os escalões em 2018

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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Mais 350 mil novos empregos

De acordo com os dados oficiais (que pode consultar aqui) do Instituto Nacional de Estatística (INE), no quarto trimestre de 2015, quando o atual Governo iniciou funções, registavam-se 4.561 milhões de pessoas empregadas. No primeiro trimestre de 2019, esse número aumentou para 4.880 milhões. Ou seja, verifica-se um aumento de 319 mil pessoas empregadas, o que pode ser classificado como "novos empregos".

Os dados mais recentes do INE apontam para uma estimativa de 4.840 milhões de pessoas empregadas em julho de 2019. Ou seja, o número de pessoas empregadas terá baixado entretanto, tornando a alegação na propaganda do PS ainda mais distorcida.

Avaliação do Polígrafo: Falso

89% dos novos contratos são sem termo

A propaganda do PS destaca também que 89% dos novos empregos consistem em "contratos sem termo". De acordo com os dados do INE, no primeiro trimestre de 2019 registavam-se 3.181 milhões de postos de trabalho com contratos sem termo, ao passo que no quarto trimestre de 2015 registavam-se 2.906 milhões. Ou seja, verifica-se um aumento de 275 mil postos de trabalho com contratos sem termo, o que corresponde a 86% (e não 89%) dos 319 mil novos empregos. Se fizermos o mesmo cálculo apontando para os 350 mil novos empregos evocados pelo PS, a imprecisão na percentagem torna-se ainda mais expressiva, passando para cerca de 79%.

Avaliação do Polígrafo: Impreciso

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Passemos à verificação das informações contidas nos cartazes do PSD:

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"Dizem que governam bem, mas... Nunca os portugueses pagaram tantos impostos"

Atendendo aos indicadores oficiais de receita fiscal e à carga fiscal, é verdade que estão no nível mais elevado de sempre. A receita fiscal em 2018 chegou a um total de 44.320 milhões de euros arrecadados.

Quanto à carga fiscal, de acordo com dados divulgados no dia 13 de maio de 2019 pelo INE, a carga fiscal aumentou 6,5% em 2018 face ao ano anterior, representando 35,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e atingindo o valor mais alto desde 1995, o início da série.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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 "Dizem que governam bem, mas... Há 780 mil portugueses sem médico de família"

No dia 16 de julho de 2019, a ministra da Saúde admitiu que a meta de atribuição de médicos de família para todos os portugueses ficará aquém do objetivo traçado para esta legislatura. Marta Temido revelou então que centenas de milhar de cidadãos estavam sem médico de família. "Estamos ainda com 700 mil portugueses sem médico de família atribuído. É um pouco mais do que no final de 2018", disse a ministra, no decurso da inauguração de uma Unidade de Saúde Familiar no Bombarral, distrito de Leiria.

De acordo com os dados mais recentes, disponibilizados no portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS), registam-se cerca de 625 mil portugueses sem médico de família, dos quais cerca de 24 mil por opção própria. Estes dados foram atualizados no dia 31 de agosto de 2019.

No final de junho de 2019, de facto, o número de portugueses sem médico de família (na mesma base de dados do portal do SNS) ascendia a cerca de 780 mil. Foram esses os dados que serviram de referência ao PSD para a elaboração deste cartaz. Entretanto esse número baixou para cerca de 625 mil no final de agosto, pelo que a propaganda do PSD ficou desatualizada. Porém, tendo em conta o momento em que a mesma foi divulgada, é justo dizer que estava correta nesse período.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro, mas...

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