O pedido de verificação de Pedro Marques:

"Paulo Rangel acusou Pedro Marques de ter desviado 25 milhões de euros do Fundo de Solidariedade da União Europeia para despesa burocrática da Administração Pública. É verdade?"

A resposta a esta pergunta é difícil de dar de forma cabal. Primeiro teríamos de determinar o que é despesa “burocrática” da administração pública. Partindo do princípio de que Rangel se refere a despesas correntes (pessoal, consumo intermédio ou prestações sociais, por exemplo), é neste momento muito difícil, com os dados disponíveis, dar razão ao social-democrata.

O gabinete do Ministro do Planeamento afirmou ao Polígrafo que os 26,5 milhõesde euros que Rangel afirma que o Governo “desviou” para a administração central terão sido, até este momento, assim distribuídos:

- 15 milhões de euros para a limpeza de áreas sinistradas e intervenção nas linhas de água;

- 9,5 milhões de euros para a Protecção Civil, para reposição e reparação de veículos de combate a incêndios e para pagamento acréscimo de horas de voo.

Total: 24,5 milhões de euros adjudicados.

Paulo Rangel
Rangel tem sido o alvo número um de Pedro Marques créditos: Tiago Petinga

Para se perceber com rigor se efectivamente foram gastas verbas em despesas burocráticas da administração pública, seria necessário ter acesso a informação detalhada que neste momento ainda não está sistematizada. O Governo nega que isso tenha acontecido e disponibilizou ao Polígrafo SIC números gerais, provenientes do Gabinete do Ministro do Planeamento. São os que se seguem:

Pedro marques
A nota que o gabinete do Ministro do Planeamento fez chegar ao Polígrafo com o ponto de situação relativamente aos fundos europeus para combater as consequências dos incêndios de 2017
nota 2

Rangel não tem como provar que o dinheiro tenha sido gasto em despesas burocráticas, mas esse não é esse o seu argumento fundamental. O social-democrata considera que o espírito do fundo está a ser distorcido. Um exemplo: para Rangel, devia ser o Estado a financiar a aquisição e a reparação de viaturas de bombeiros (para a qual está prevista uma soma de 4 milhões de euros), porque o valor do Fundo de Solidariedade deveria dirigir-se integralmente à reposição da qualidade de vida das populações afectadas. Outro: Rangel considera o pagamento do acréscimo de horas de voo uma “burocracia”; o Governo não. No fundo, tudo se resumirá a uma questão política, de difícil avaliação.

Avaliação do Polígrafo: Impreciso 

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