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André Ventura vs. Luís Marques Mendes: fact-checking ao debate

Esta terça-feira, na SIC/SIC Notícias, estiveram frente-a-frente os candidatos apoiados pelo Chega e pela AD. Quem faltou mais à verdade? Acompanhe a verificação de factos do Polígrafo ao debate entre André Ventura e Luís Marques Mendes.

André Ventura: “Já apresentámos centenas de propostas para combater a corrupção”

Em 2024, o partido confirmava, através do “Folha Nacional“, que, “nos últimos 5 anos, o Chega apresentou, na Assembleia da República, mais de 50 propostas sobre a matéria, tendo sido por isso o partido que mais propostas apresentou contra a corrupção”. Durante 2025, o partido apresentou mais 20 medidas anticorrupção, incluindo aumento dos prazos de prescrição para crimes como corrupção e tráfico de influências. Feitas as contas, ainda que o partido tenha apresentado várias medidas anticorrupção, estão longe de ser “centenas”. E até Ventura corrigiu a frase à saída do estúdio, reduzindo o número para as “dezenas”.

Avaliação do Polígrafo: Falso

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Luís Marques Mendes: “André Ventura esteve em Espanha e o que ficou dito foi aquele apelo ‘prisão, prisão para o Presidente Sanchéz'”

A 14 de setembro deste ano, André Ventura esteve no evento Europa Viva, organizado pelo partido espanhol Vox, em Madrid.

“Temos que por Pedro Sanchéz na prisão, porque é assim que devemos tratar-lo, como um criminoso. Para a prisão! Para a prisão! Para a prisão!, entoou o líder do Chega no evento, numa porção do discurso transmitida pela RTP.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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André Ventura: “Marques Mendes esteve com Fidel Castro”

É verdade. Existe inclusivamente uma fotografia do momento que foi publicada pelo jornal “Observador” numa entrevista de vida ao social democrata em agosto de 2016. Ao Polígrafo, Marques Mendes esclareceu que “esta fotografia foi tirada em Cuba, mesmo no gabinete de Fidel Castro, e aconteceu em 2001”.

O então deputado do PSD visitou Cuba no contexto de uma viagem parlamentar presidida por António de Almeida Santos, então presidente da Assembleia da República. Marques Mendes viajou com Luís Pedro Mota Soares, pelo CDS-PP, João Amaral pelo PCP, Manuel dos Santos pelo PS e Isabel Castro pel’Os Verdes.

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro

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André Ventura aponta contradição de Marques Mendes em relação aos incêndios. Tem razão?

Em 2017, aquando da tragédia de Pedrógão Grande, Marques Mendes apelou ao Governo de António Costa para que fossem apuradas responsabilidades. “Se se confirmarem várias falhas já detectadas, acho impossível não haver demissões. Então morrem 64 pessoas (o número foi atualizado para os 66), a maior parte das quais numa via pública para onde foram encaminhadas, e ninguém se demite, nem ninguém assume responsabilidades políticas?”, escreveu numa análise para o “Negócios”.

Entretanto, durante os incêndios registados em agosto deste ano, com o país sobre governação de Luís Montenegro, a postura do candidato apoiado pelo PSD foi diferente: “Este não é ainda o tempo de fazer um balanço, uma avaliação ou de fazer críticas por mais legitimas e pertinentes que sejam. Este é um tempo de união, de apoio e de solidariedade.”

No entanto, importa destacar que à data destas declarações (17 de agosto), havia a registar apenas duas vítimas mortais por causa dos incêndios – Carlos Dâmaso, ex-autarca e candidato à freguesia de Vila Franca do Deão, e a Daniel Agrelo, operacional do corpo dos Bombeiros Voluntários da Covilhã. O número é substancialmente inferior ao registado nos incêndios de Pedrógão Grande, o que não torna as duas situações propriamente equiparáveis. 

Avaliação do Polígrafo: Verdadeiro, mas…

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